Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970619
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
A respeito da encefalite aguda em pediatria, assinale a alternativa correta.
AÉ uma síndrome neurológica branda e raramente fatal, que acomete sobretudo crianças.
BÉ uma das emergências médicas mais frequentes e é facilmente tratável.
CAs causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes.
DAs encefalopatias agudas pós-infecciosas correspondem a dois terços dos casos e, na grande maioria das vezes, é possível a identificação do agente etiológico.
EÉ mais frequente em crianças com mais de 1 ano de idade e geralmente não acomete crianças saudáveis.
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GabaritoC — As causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Encefalite aguda em pediatria: etiologia e epidemiologia
Gabarito: letra C. A encefalite aguda é uma síndrome neurológica grave, potencialmente fatal, cujas causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e, cada vez mais reconhecidas, as doenças autoimunes (encefalites mediadas por anticorpos). A alternativa C espelha exatamente essa dualidade etiológica, enquanto as demais distorcem a gravidade, a frequência, a tratabilidade ou o perfil epidemiológico da doença.
A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, geralmente associada a disfunção neurológica. Diferentemente da meningite (que acomete as meninges), a encefalite afeta o tecido cerebral em si, o que explica sua gravidade: pode cursar com convulsões, alteração do nível de consciência, déficits focais e até óbito. Não é uma síndrome branda — pelo contrário, é uma emergência médica que exige investigação e tratamento imediatos. A taxa de letalidade varia, mas é significativa, e a morbidade entre sobreviventes é alta, com necessidade frequente de reabilitação prolongada.
Quanto à etiologia, as causas infecciosas são as mais comuns, com destaque para os vírus — herpes-vírus simples tipo 1 (HSV-1), enterovírus e arbovírus (como o vírus do Nilo Ocidental) são exemplos clássicos. Bactérias, fungos e parasitas também podem causar encefalite, embora com menor frequência. Além das causas infecciosas, um grupo importante e crescente é o das encefalites autoimunes, mediadas por anticorpos contra proteínas de superfície neuronal (como o receptor NMDAR). Essas encefalites podem ser desencadeadas por tumores ou infecções virais, mas na maioria dos casos não há gatilho aparente. Estima-se que a encefalite autoimune possa ser a terceira causa mais comum de encefalite, o que reforça a afirmação da alternativa C.
Um ponto crucial e frequentemente cobrado é que, apesar da investigação ampla, nenhum patógeno é identificado em 50 a 70% dos casos. Isso significa que, na maioria das vezes, não se consegue determinar o agente etiológico — o que torna a alternativa D incorreta ao afirmar que "na grande maioria das vezes é possível a identificação do agente etiológico". Além disso, as encefalopatias pós-infecciosas (ou pós-imunização) são mediadas por resposta imunológica a uma infecção ou imunização anterior, e não correspondem a dois terços dos casos de encefalite aguda.
A encefalite pode acometer crianças de qualquer idade, incluindo lactentes e recém-nascidos, e não poupa crianças previamente saudáveis. Na verdade, muitas vezes acomete justamente crianças sem comorbidades, o que torna a alternativa E incorreta. A frequência em menores de 1 ano é relevante, especialmente por causas virais como o HSV.
Guarde a fronteira entre gravidade × benignidade, identificação × não identificação do agente e causas virais/autoimunes × outras causas: é exatamente nesses eixos que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A encefalite aguda não é uma síndrome branda nem raramente fatal. Pelo contrário, é uma condição grave, com taxa de letalidade significativa (que varia conforme a etiologia e a população) e alta morbidade entre os sobreviventes. A palavra "branda" é o erro central: a encefalite é uma emergência neurológica que pode deixar sequelas permanentes ou levar ao óbito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A encefalite não é uma das emergências médicas mais frequentes — é uma condição relativamente rara (a taxa de internação em estudos é de cerca de 7,3 por 100.000 indivíduos). Além disso, não é facilmente tratável: o tratamento é complexo, envolve antivirais (como aciclovir para HSV), antibióticos quando há suspeita bacteriana, imunoterapia nas causas autoimunes e suporte intensivo. A palavra "facilmente" é o erro: o manejo é desafiador e o diagnóstico etiológico frequentemente não é alcançado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta. As causas etiológicas mais comuns de encefalite são as infecções virais (HSV-1, enterovírus, arbovírus, VZV, entre outros) e, com reconhecimento crescente, as doenças autoimunes (encefalites mediadas por anticorpos, como a anti-NMDAR). O texto de apoio confirma que as causas virais são as mais comuns e que a encefalite autoimune pode ser a terceira causa mais frequente. A alternativa captura com precisão o panorama etiológico atual.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Dois erros: (1) as encefalopatias agudas pós-infecciosas não correspondem a dois terços dos casos — elas são uma parcela menor, mediada por resposta imunológica a infecção ou imunização prévia; (2) na grande maioria das vezes NÃO é possível identificar o agente etiológico — em 50 a 70% dos casos nenhum patógeno é identificado. A alternativa inverte a realidade epidemiológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A encefalite não é mais frequente em crianças com mais de 1 ano — pode acometer lactentes, recém-nascidos e crianças de qualquer idade, sendo particularmente grave em menores de 1 ano (como no HSV neonatal). Além disso, geralmente acomete crianças saudáveis — não é uma doença restrita a imunocomprometidos ou portadores de comorbidades. A alternativa erra ao excluir justamente a população mais vulnerável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "encefalite" e "infecção", fazendo o candidato esquecer das causas autoimunes — que são justamente o diferencial da alternativa C. Além disso, inverte a realidade sobre a identificação do agente: na prática, a maioria dos casos fica sem etiologia definida, e não o contrário. Fique atento a essas inversões.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de encefalite, memorize o tripé: (1) causas mais comuns = virais + autoimunes; (2) agente não identificado em 50–70% dos casos; (3) é grave, pode ser fatal e acomete crianças saudáveis. Com esse tripé, você elimina rapidamente as alternativas que falam em "branda", "facilmente tratável", "dois terços com agente identificado" ou "não acomete saudáveis".