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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qq970627
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
Paciente do sexo masculino, internado em UTI por sepse grave de foco urinário, em desmame de ventilação mecânica no modo PSV (Ventilação com Pressão de Suporte). Sobre esse modo ventilatório, é correto afirmar que
  1. Anecessariamente o paciente precisa estar recebendo bloqueador neuromuscular.
  2. Bos parâmetros ajustados no ventilador mecânico são fração inspirada de oxigênio, pressão de suporte, pressão expiratória final e frequência respiratória.
  3. Cé considerado um modo ventilatório controlado à pressão.
  4. Docorrem reduções no volume alveolar e frequência respiratória em situações de aumento da resistência das vias aéreas e alterações de complacência pulmonar e situações de uso de sedativos para controle da agitação.
  5. Enão deve ser utilizado no desmame ventilatório de pacientes traqueostomizados.
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GabaritoD — ocorrem reduções no volume alveolar e frequência respiratória em situações de aumento da resistência das vias aéreas e alterações de complacência pulmonar e situações de uso de sedativos para controle da agitação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ventilação com Pressão de Suporte (PSV): características e aplicação no desmame

Gabarito: letra D. A PSV é um modo ventilatório assistido, a pressão, disparado pelo esforço inspiratório do paciente, limitado a pressão e ciclado a fluxo — e, por depender do esforço do paciente, qualquer fator que aumente a resistência das vias aéreas, reduza a complacência pulmonar ou deprima o drive respiratório (como sedativos) leva a reduções no volume alveolar e na frequência respiratória, exatamente o que a alternativa D descreve. As demais alternativas erram ao exigir bloqueador neuromuscular (A), incluir frequência respiratória como parâmetro ajustado (B), classificá-la como modo controlado (C) ou excluir traqueostomizados do desmame (E).

A ventilação com pressão de suporte (PSV) é um dos modos ventilatórios mais utilizados na prática da terapia intensiva, especialmente no processo de desmame da ventilação mecânica. Para entendê-la, é preciso compreender a classificação dos modos ventilatórios segundo três critérios: quem dispara o ciclo (controlado, assistido ou espontâneo), o que é limitado durante a inspiração (pressão ou volume) e o que determina o fim da inspiração (ciclagem a tempo, pressão, volume ou fluxo). A PSV é um modo assistido — o paciente precisa iniciar o esforço inspiratório para que o ventilador oferte o suporte pressórico —, limitado a pressão — o ventilador aplica uma pressão de suporte pré-ajustada — e ciclado a fluxo — a inspiração termina quando o fluxo inspiratório cai a um percentual do pico (geralmente 25%).

Essa dependência do esforço do paciente é a chave para entender a alternativa correta. Como o ventilador apenas assiste a respiração espontânea, o volume corrente gerado depende da interação entre a pressão de suporte aplicada e a mecânica respiratória do paciente. Se a resistência das vias aéreas aumenta (ex.: broncoespasmo, secreção, cânula de traqueostomia de pequeno calibre) ou a complacência pulmonar diminui (ex.: edema pulmonar, SDRA, atelectasia), o mesmo nível de pressão de suporte gera um volume corrente menor — e, consequentemente, o volume alveolar e o volume-minuto caem. Da mesma forma, se o paciente recebe sedativos que deprimem o drive respiratório, a frequência respiratória tende a cair (ou o paciente pode até apneizar, exigindo um modo de ventilação com frequência de segurança). O material de apoio confirma: a PSV "pode não ser benéfico quando a resistência das vias aéreas é elevada, acarretando um baixo volume-minuto".

Na prática, imagine um paciente em desmame com PSV de 12 cmH₂O e PEEP de 5 cmH₂O. Se ele desenvolver broncoespasmo, a resistência aumenta e o mesmo suporte de 12 cmH₂O não consegue gerar o mesmo volume corrente — o paciente passa a ventilar com volumes menores, podendo evoluir com taquipneia compensatória ou, se o drive estiver deprimido, com hipoventilação e hipercapnia. É por isso que a PSV exige monitorização cuidadosa do volume corrente e da frequência respiratória, e por isso não é o modo ideal em pacientes com obstrução grave das vias aéreas.

A alternativa D também menciona o uso de sedativos para controle da agitação. Sedativos como propofol, midazolam e opioides deprimem o centro respiratório, reduzindo o drive inspiratório. Como a PSV depende do esforço do paciente para disparar, a sedação excessiva pode levar a apneia ou hipoventilação — o que reforça a necessidade de ajuste fino da sedação durante o desmame. O material de apoio destaca que, em pacientes com DPOC exacerbado, "é preciso sedação" para repouso muscular, mas sempre com monitorização cuidadosa.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre modos controlados e assistidos. A banca explora o fato de a PSV ser um modo "a pressão" — e o candidato pode associar isso a "controlado a pressão" (PCV). Mas a diferença é fundamental: na PCV, o ventilador dispara e cicla por tempo, independentemente do esforço do paciente (modo controlado); na PSV, o paciente dispara e o ventilador cicla por fluxo (modo assistido/espontâneo). Guarde essa fronteira: PSV = assistido, limitado a pressão, ciclado a fluxo — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente "necessariamente" precisa estar recebendo bloqueador neuromuscular. Isso é um erro grave. A PSV é um modo assistido que depende do esforço inspiratório espontâneo do paciente — o bloqueador neuromuscular, ao paralisar a musculatura, eliminaria o drive respiratório e tornaria o modo inoperante (o paciente não conseguiria disparar o ventilador). Bloqueadores neuromusculares são usados em modos controlados (como PCV ou VCV) em situações específicas, como SDRA grave com dessincronia ou hipoxemia refratária — nunca como requisito para PSV. A alternativa erra ao impor uma condição que, na verdade, é uma contraindicação ao modo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Lista como parâmetros ajustados: FiO₂, pressão de suporte, PEEP e frequência respiratória. O erro está em incluir a frequência respiratória. Na PSV, o ventilador não controla a frequência — quem determina a frequência é o paciente, através do seu drive respiratório. Os parâmetros ajustados no ventilador são: FiO₂, pressão de suporte (PS), PEEP e sensibilidade (trigger). A frequência respiratória é uma variável monitorada, não ajustada. A banca troca "sensibilidade" por "frequência respiratória" — uma pegadinha clássica para confundir quem não domina a diferença entre parâmetros ajustados e variáveis monitoradas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Classifica a PSV como um "modo ventilatório controlado à pressão". Isso confunde PSV com PCV (ventilação controlada a pressão). Na PCV, o ventilador controla o ciclo respiratório: dispara por tempo, limita a pressão e cicla por tempo — o paciente pode até não fazer esforço algum. Na PSV, o paciente dispara o ciclo (modo assistido/espontâneo) e o ventilador apenas assiste com uma pressão de suporte, ciclando por fluxo. A diferença é essencial: PSV é um modo assistido/espontâneo, não controlado. A alternativa erra ao usar o termo "controlado", que implica que o ventilador assume o controle total da respiração.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o comportamento da PSV: "ocorrem reduções no volume alveolar e frequência respiratória em situações de aumento da resistência das vias aéreas e alterações de complacência pulmonar e situações de uso de sedativos para controle da agitação". Isso está correto porque:

  • Aumento da resistência (ex.: broncoespasmo, secreção) → o mesmo nível de pressão de suporte gera menor volume corrente → redução do volume alveolar e do volume-minuto.

  • Redução da complacência (ex.: edema, SDRA, atelectasia) → idem, menor volume corrente para a mesma pressão.

  • Sedativos → deprimem o drive respiratório → redução da frequência respiratória (ou apneia).

Como a PSV depende do esforço do paciente e da mecânica respiratória, qualquer alteração nesses fatores impacta diretamente o volume e a frequência. O material de apoio confirma que a PSV "pode não ser benéfico quando a resistência das vias aéreas é elevada, acarretando um baixo volume-minuto".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a PSV "não deve ser utilizada no desmame ventilatório de pacientes traqueostomizados". Isso é falso. A PSV é amplamente utilizada no desmame de pacientes traqueostomizados — na verdade, a traqueostomia pode até facilitar o desmame, pois reduz a resistência das vias aéreas (elimina o tubo orotraqueal de maior comprimento e diâmetro menor) e melhora o conforto do paciente. O material de apoio menciona que a traqueostomia pode beneficiar pacientes com "mecânica respiratória limítrofe, na qual a redução da resistência das vias aéreas pode reduzir a sobrecarga dos músculos respiratórios". Não há contraindicação da PSV em traqueostomizados; pelo contrário, é uma estratégia comum e eficaz.

Gabarito: letra D — a única alternativa que descreve corretamente o comportamento da PSV frente a alterações da mecânica respiratória e do drive do paciente.

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