Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970628
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
Na hemorragia subaracnóidea aneurismática, as complicações clínicas e neurológicas são frequentes. Das alternativas seguintes, qual complicação neurológica é a mais prevalente?
AHidrocefalia.
BCrise convulsiva.
CRessangramento.
DVasoespasmo.
EMeningite.
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GabaritoD — Vasoespasmo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra D. O vasoespasmo é a complicação neurológica mais prevalente na hemorragia subaracnóidea (HSA) aneurismática, ocorrendo em cerca de 46% dos pacientes, manifestando-se tipicamente entre o 3º e o 14º dia após o sangramento inicial. Essa é a complicação que mais contribui para mortalidade e sequelas, sendo monitorada por Doppler transcraniano e tratada com nimodipina para prevenção de dano isquêmico secundário.
A hemorragia subaracnóidea aneurismática é uma emergência neurológica grave, com alta morbimortalidade. O sangue extravasado para o espaço subaracnóideo desencadeia uma cascata de eventos fisiopatológicos que levam a complicações clínicas e neurológicas. As complicações neurológicas mais comuns, em ordem de frequência, são: isquemia cerebral tardia (vasoespasmo) em 46% dos pacientes, crise epiléptica em 30%, hidrocefalia em 20% e ressangramento em 7%. O vasoespasmo é a principal causa de morte e incapacidade nos pacientes que sobrevivem ao sangramento inicial, sendo responsável por grande parte do dano neurológico secundário.
O vasoespasmo consiste na constrição das artérias cerebrais, geralmente ocorrendo entre o 3º e o 14º dia após a HSA. Essa constrição reduz o fluxo sanguíneo cerebral, podendo levar à isquemia cerebral tardia e infarto cerebral. A fisiopatologia envolve a presença de sangue nos espaços subaracnóideos, que libera substâncias vasoconstritoras, como a oxi-hemoglobina, causando disfunção endotelial e contração da musculatura lisa vascular. O diagnóstico é feito por Doppler transcraniano ou angiotomografia, e o tratamento inclui a administração de nimodipina, um bloqueador de canal de cálcio, além de medidas para manter a pressão de perfusão cerebral adequada.
As demais complicações, embora frequentes, ocorrem em menor proporção. As crises convulsivas acometem cerca de 30% dos pacientes, geralmente no momento da ruptura. A hidrocefalia, definida pelo aumento dos ventrículos cerebrais, tem incidência estimada entre 9% e 67%, dependendo dos critérios diagnósticos, e pode ser aguda, subaguda ou tardia. O ressangramento, apesar de menos frequente (7%), é uma complicação gravíssima, com prognóstico péssimo, ocorrendo principalmente nas primeiras 24-72 horas e associado a mortalidade de até 80%. A meningite, por sua vez, não é uma complicação neurológica primária da HSA, mas sim uma condição que pode mimetizar o quadro ou ocorrer como complicação infecciosa tardia.
A banca explora a confusão entre as complicações mais comuns e as mais graves. O candidato pode ser tentado a escolher o ressangramento por sua gravidade, ou a hidrocefalia por sua frequência relatada em alguns estudos. No entanto, a questão pergunta especificamente pela complicação mais prevalente, e os dados epidemiológicos são claros: o vasoespasmo, com 46% de incidência, é a complicação neurológica mais comum na HSA aneurismática. É fundamental memorizar essa hierarquia de frequências para responder corretamente a questões semelhantes.
1Vasoespasmo (46%)
2Crise epiléptica (30%)
3Hidrocefalia (20%)
4Ressangramento (7%)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hidrocefalia é uma complicação comum, com incidência estimada entre 9% e 67% dependendo dos critérios diagnósticos, mas não é a mais prevalente. Ela pode ser aguda (até 7 dias), subaguda (após a primeira semana) ou tardia (semanas a meses), e sua apresentação clássica tardia inclui a tríade de Hakim-Adams (apraxia de marcha, incontinência urinária e declínio cognitivo). Apesar de frequente, o vasoespasmo a supera em prevalência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As crises convulsivas ocorrem em cerca de 30% dos casos de HSA, geralmente no momento da ruptura aneurismática. Embora seja uma complicação relevante, com risco de piora neurológica, sua frequência é menor que a do vasoespasmo (46%). A banca pode tentar confundir o candidato com esse número expressivo, mas ele não representa a complicação mais prevalente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O ressangramento é uma complicação gravíssima, com risco acumulado de 40% em quatro semanas e mortalidade de até 80% dos pacientes que o apresentam. No entanto, sua incidência é de apenas 7%, sendo a menos frequente entre as complicações neurológicas listadas. A gravidade do quadro pode levar o candidato a superestimar sua prevalência, mas a questão pede especificamente a complicação mais comum.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O vasoespasmo é a complicação neurológica mais prevalente na HSA aneurismática, ocorrendo em 46% dos pacientes. Ele se manifesta tipicamente entre o 3º e o 14º dia após o sangramento, causando isquemia cerebral tardia. O diagnóstico é feito por Doppler transcraniano, e o tratamento inclui nimodipina para prevenção de dano isquêmico secundário. É a principal causa de morte e incapacidade nos sobreviventes do sangramento inicial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A meningite não é uma complicação neurológica primária da HSA aneurismática. A rigidez nucal presente no quadro é consequência da irritação química causada pelo sangue no espaço subaracnóideo (meningite química), e não de uma infecção. A meningite infecciosa pode ocorrer como complicação tardia, especialmente em pacientes com drenagem ventricular externa, mas não é a complicação mais prevalente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a complicação mais frequente e a mais grave. O ressangramento (7%) é a mais letal, com mortalidade de até 80%, mas o vasoespasmo (46%) é o mais prevalente. Outra armadilha é a hidrocefalia, cuja incidência relatada em alguns estudos (até 67%) pode parecer maior, mas os dados epidemiológicos consolidados apontam o vasoespasmo como a complicação neurológica mais comum. Memorize a hierarquia: vasoespasmo (46%) > crise epiléptica (30%) > hidrocefalia (20%) > ressangramento (7%).
Gabarito: letra D — o vasoespasmo é a complicação neurológica mais prevalente na hemorragia subaracnóidea aneurismática.