Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Nefrologia
Código
qq970643
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
Paciente do sexo masculino, 32 anos, diabético há 20 anos, foi admitido na UTI por piora da função renal. Ao exame, apresentava PA: 160X90 mmhg; FC: 120 bpm. Exames laboratoriais apresentavam ureia de 128 mg/dl, creatinina: 4,8 mg/dl e K: 6,5 mEq/l e glicemia de 280 mg/dl. Após infusão de solução polarizante, gluconato de cálcio, lasix endovenoso sem resposta adequada, foi realizado novo exame em 2 horas e apresentou um K: 7,2 mEq/l. Qual é a conduta preferencial para o caso do paciente apresentado?
AInstalar cateter peritoneal para diálise peritoneal.
BInsistir no tratamento conservador acrescentando inalação com berotec e resina de troca via retal.
CEstabelecer acesso venoso para hemodiálise clássica.
DSolicitar novos exames para a confirmação da hipercalemia.
EAbordar a família para cuidados de fim de vida, considerando o tempo avançado de diabetes.
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GabaritoC — Estabelecer acesso venoso para hemodiálise clássica.
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Hipercalemia grave refratária: indicação de hemodiálise
Gabarito: letra C. O paciente apresenta hipercalemia grave (K+ 7,2 mEq/L) refratária ao tratamento conservador (solução polarizante, gluconato de cálcio e furosemida), com disfunção renal avançada (creatinina 4,8 mg/dL) — cenário que configura urgência dialítica, sendo a hemodiálise clássica a conduta preferencial. A indicação de diálise de urgência na hipercalemia grave refratária é consenso na nefrologia, conforme diretrizes de manejo da hipercalemia.
A hipercalemia é uma emergência metabólica que pode levar a arritmias fatais. O tratamento tem três pilares: (1) estabilização da membrana cardíaca (cálcio), (2) translocação do potássio para o intracelular (insulina + glicose, β2-agonistas, bicarbonato) e (3) remoção efetiva do potássio do corpo (diuréticos, resinas de troca, diálise). O paciente do caso já recebeu as duas primeiras medidas (solução polarizante = insulina + glicose; gluconato de cálcio) e um diurético de alça (lasix), sem resposta — o potássio subiu de 6,5 para 7,2 mEq/L em 2 horas. Isso demonstra refratariedade ao tratamento conservador.
A hemodiálise é o método mais rápido e eficaz para remover potássio, sendo indicada em: hipercalemia grave (K+ > 6,5 mEq/L) com alterações eletrocardiográficas ou sintomas, falência renal aguda ou crônica avançada, e refratariedade às medidas clínicas. No caso, o paciente tem disfunção renal grave (creatinina 4,8 mg/dL, provável DRC por diabetes) e não respondeu às medidas iniciais — a hemodiálise é a conduta preferencial. A diálise peritoneal é menos eficiente e mais lenta para remover potássio, sendo inadequada na urgência. As resinas de troca têm início de ação tardio (2-6 horas) e são pouco úteis no manejo agudo. Repetir exames atrasaria o tratamento de uma emergência. Cuidados de fim de vida são inapropriados, pois a hipercalemia é reversível com diálise.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de o paciente ter recebido tratamento inicial, a refratariedade e a gravidade (K+ 7,2 mEq/L, disfunção renal) tornam a diálise a conduta imediata — não se deve insistir em medidas conservadoras nem adiar a decisão. O candidato pode confundir a indicação de diálise peritoneal (que é uma opção para DRC estável, não para emergência) ou pensar em repetir exames para confirmar, mas a urgência do quadro exige ação imediata.
1Estabilizar membrana (cálcio)
2Translocar K+ (insulina+glicose, β2)
3Remover K+ (diurético, resina, diálise)
4[-] Refratário → hemodiálise
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A diálise peritoneal é uma modalidade de terapia renal substitutiva, porém não é a conduta preferencial na urgência hipercalêmica. Sua eficiência na remoção de potássio é menor e mais lenta que a hemodiálise, sendo inadequada para o manejo agudo de hipercalemia grave com risco de arritmia. A hemodiálise é o método de escolha por sua rapidez e eficácia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Insistir no tratamento conservador com β2-agonista inalatório (berotec) e resina de troca via retal é inadequado diante da refratariedade já demonstrada. O β2-agonista transloca potássio para o intracelular, mas não remove o excesso corporal; a resina de troca tem início de ação tardio (2-6 horas) e é pouco útil no manejo agudo. O paciente já não respondeu às medidas iniciais e apresenta K+ 7,2 mEq/L — a diálise é necessária.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hemodiálise clássica é a conduta preferencial para hipercalemia grave refratária ao tratamento conservador, especialmente em paciente com disfunção renal avançada. Ela remove potássio de forma rápida e eficaz, corrigindo a emergência metabólica e prevenindo arritmias fatais. A indicação é clara: K+ > 6,5 mEq/L, refratariedade às medidas iniciais e disfunção renal grave.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar novos exames para confirmar a hipercalemia é inapropriado na urgência. O paciente já tem diagnóstico confirmado (K+ 7,2 mEq/L) e apresenta quadro grave com risco iminente de arritmia. Repetir exames atrasaria o tratamento, aumentando o risco de complicações fatais. A conduta deve ser imediata.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Abordar a família para cuidados de fim de vida é totalmente inapropriado. A hipercalemia é uma complicação reversível com diálise, e o paciente não apresenta critérios de terminalidade. O diabetes de longa data não contraindica o tratamento dialítico de urgência. A conduta correta é tratar a emergência, não desistir do paciente.
Gabarito: letra C — a hemodiálise é a conduta preferencial para hipercalemia grave refratária com disfunção renal avançada.