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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970666
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
A respeito da encefalite aguda em pediatria, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ uma síndrome neurológica branda e raramente fatal, que acomete sobretudo crianças.
  2. BÉ uma das emergências médicas mais frequentes e é facilmente tratável.
  3. CAs causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes.
  4. DAs encefalopatias agudas pós-infecciosas correspondem a dois terços dos casos e, na grande maioria das vezes, é possível a identificação do agente etiológico.
  5. EÉ mais frequente em crianças com mais de 1 ano de idade e geralmente não acomete crianças saudáveis.
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GabaritoC — As causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Encefalite aguda em pediatria: etiologia e apresentação

Gabarito: letra C. A encefalite aguda é uma síndrome neurológica grave, potencialmente fatal, cujas causas mais comuns são as infecções virais e, cada vez mais reconhecidas, as doenças autoimunes (encefalites mediadas por anticorpos). As demais alternativas distorcem a gravidade, a frequência, a facilidade de tratamento, a proporção de casos pós-infecciosos e o perfil epidemiológico da doença.

A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, geralmente de origem infecciosa ou autoimune, que se manifesta com disfunção neurológica aguda — febre, alteração do nível de consciência, convulsões, déficits focais. Diferentemente do que sugere a alternativa A, não é uma síndrome branda: apresenta taxa de letalidade que pode variar de 3,8% a 7,4% (maior em imunossuprimidos, como pacientes com HIV) e alta morbidade entre os sobreviventes, com sequelas neurológicas que exigem reabilitação prolongada. Também não é uma das emergências médicas mais frequentes — é uma condição relativamente rara, com taxa de internação em torno de 7,3 por 100.000 indivíduos — e não é "facilmente tratável", pois o tratamento depende da identificação do agente, que muitas vezes não é encontrado.

As causas infecciosas são diversas: vírus (os mais comuns, como HSV-1, vírus do Nilo Ocidental e enterovírus), bactérias (como Ehrlichia e Rickettsia rickettsii), fungos e parasitas. A anamnese é crucial para direcionar a investigação: sazonalidade, localização geográfica, viagens, contato com animais, histórico vacinal e estado imune. Porém, um dos maiores desafios é que nenhum patógeno é identificado em 50% a 70% dos casos. Além disso, até 10% dos pacientes apresentam causa não infecciosa, incluindo síndromes paraneoplásicas, vasculites e doenças do colágeno.

A encefalite autoimune, mediada por anticorpos contra proteínas de superfície neuronal (como o receptor NMDAR), é hoje reconhecida como a terceira causa mais comum de encefalite, podendo ser desencadeada por tumores ou por infecções virais, embora na maioria dos casos não haja gatilho aparente. Essa distinção entre encefalite infecciosa e autoimune é fundamental na prática pediátrica, pois muda completamente a abordagem terapêutica (antimicrobianos versus imunoterapia).

A alternativa D afirma que as encefalopatias agudas pós-infecciosas correspondem a dois terços dos casos e que na grande maioria é possível identificar o agente — isso é duplamente incorreto: as encefalites pós-infecciosas (ou pós-imunização) são uma parcela menor dos casos, e a identificação do agente é justamente o grande desafio, falhando na maioria das vezes. A alternativa E também erra ao afirmar que a encefalite é mais frequente em crianças com mais de 1 ano e que não acomete crianças saudáveis — na verdade, pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em lactentes, e frequentemente atinge crianças previamente hígidas.

Guarde o tripé que decide esta questão: gravidade (é grave e potencialmente fatal), etiologia (viral e autoimune são as mais comuns) e dificuldade diagnóstica (agente não identificado na maioria dos casos). É exatamente nesses três pontos que as alternativas se dividem.

1Gravidade
Síndrome grave
Potencialmente fatal
Sequelas frequentes
2Etiologia
Infecções virais (HSV-1, WNV, enterovírus)
Doenças autoimunes (anti-NMDAR)
3Diagnóstico
Agente não identificado em 50–70%
Tratamento depende da causa
Encefalite aguda em pediatria
LEVELsoulevel.com.br
Encefalite aguda em pediatria: Gravidade (Síndrome grave, Potencialmente fatal, Sequelas frequentes); Etiologia (Infecções virais (HSV-1, WNV, enterovírus), Doenças autoimunes (anti-NMDAR)); Diagnóstico (Agente não identificado em 50–70%, Tratamento depende da causa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a encefalite é uma síndrome neurológica branda e raramente fatal. Isso contraria a realidade clínica: a encefalite é uma condição grave, com letalidade que pode chegar a 7,4% e sequelas neurológicas frequentes nos sobreviventes. A banca inverte o adjetivo "branda" para confundir o candidato que não conhece a gravidade da doença.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que é uma das emergências médicas mais frequentes e facilmente tratável. A encefalite é relativamente rara (taxa de internação de 7,3 por 100.000) e o tratamento não é fácil: depende da identificação do agente, que falha em 50–70% dos casos, e mesmo com tratamento adequado há alta morbidade. A palavra "facilmente" é o gatilho do erro.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao afirmar que as causas etiológicas mais comuns são as infecções virais (HSV-1, WNV, enterovírus) e as doenças autoimunes (encefalite anti-NMDAR, por exemplo). O texto de apoio confirma que os vírus são as causas infecciosas mais comuns e que a encefalite autoimune é a terceira causa mais frequente de encefalite. É a única alternativa que reflete fielmente o perfil etiológico da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que as encefalopatias agudas pós-infecciosas correspondem a dois terços dos casos e que na grande maioria é possível identificar o agente. Na verdade, as encefalites pós-infecciosas são uma minoria, e o agente etiológico não é identificado em 50% a 70% dos casos — exatamente o oposto do que a alternativa afirma. A banca troca a proporção e inverte a capacidade diagnóstica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que é mais frequente em crianças com mais de 1 ano e que não acomete crianças saudáveis. A encefalite pode ocorrer em qualquer faixa etária pediátrica, incluindo lactentes, e frequentemente atinge crianças previamente hígidas, sem fatores de risco. A banca generaliza indevidamente, criando um perfil epidemiológico falso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre encefalite e encefalopatia, e entre gravidade e benignidade. Repare que as alternativas A, B e E pintam a doença como branda, rara ou restrita a um grupo — tudo para fazer você duvidar da gravidade real. A chave é lembrar que encefalite é grave, de causa viral ou autoimune, e que o diagnóstico etiológico é difícil. Com esse tripé, você elimina as erradas de imediato.

NÃO CAIA NESSA!

Na prova, quando a questão falar de encefalite, anote mentalmente: (1) vírus são os agentes mais comuns; (2) autoimune é a terceira causa; (3) agente não identificado na maioria dos casos. Esses três pontos caem com frequência e são o alvo das pegadinhas.

Gabarito: letra C

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