Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Oncologia
Código
qq970669
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
Paciente de 59 anos tem feito reposição hormonal nos últimos 14 anos. Em avaliação clínica, o médico oncologista deve procurar com muita atenção qual câncer, principalmente?
ACarcinoma hepático.
BCarcinoma suprarrenal.
CCarcinoma mamário.
DCarcinoma ovariano.
ECarcinoma tireóideo.
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GabaritoC — Carcinoma mamário.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Terapia de reposição hormonal e risco de câncer de mama
Gabarito: letra C. A terapia de reposição hormonal (TRH) prolongada, especialmente com estrogênio associado a progestágeno, é um fator de risco bem estabelecido para o carcinoma mamário, sendo este o câncer que o oncologista deve rastrear com maior atenção nesse contexto. A associação entre TRH e câncer de mama é amplamente documentada na literatura médica, incluindo o estudo WHI (Women's Health Initiative), que demonstrou aumento do risco com o uso combinado por mais de 5 anos.
A terapia de reposição hormonal é utilizada principalmente para o alívio dos sintomas da menopausa, como fogachos, sudorese noturna e sintomas urogenitais. O estrogênio, isolado ou combinado com progestágeno, atua sobre receptores hormonais presentes em diversos tecidos, incluindo a glândula mamária. O estímulo estrogênico prolongado sobre o epitélio mamário pode promover a proliferação celular e, em indivíduos suscetíveis, favorecer o desenvolvimento de neoplasias. O risco é maior com o uso de estrogênio combinado a progestágeno, e aumenta com a duração do tratamento — em geral, após 5 anos de uso contínuo. Por isso, a avaliação clínica de uma paciente em TRH deve incluir exame das mamas e solicitação de mamografia de rastreamento, conforme as diretrizes de detecção precoce.
É importante distinguir a TRH da terapia hormonal utilizada no tratamento do câncer de mama, como os moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs) ou os inibidores de aromatase. Enquanto a TRH visa repor hormônios em mulheres na pós-menopausa, a terapia adjuvante do câncer de mama busca bloquear a ação hormonal sobre as células tumorais. Essa distinção é fundamental para o raciocínio clínico e para a interpretação de questões sobre o tema.
A banca explora a associação direta entre o uso prolongado de hormônios e o câncer de mama, um dos mais incidentes na população feminina. O carcinoma mamário é o tipo mais comum entre as mulheres, excluindo-se os tumores de pele não melanoma, e a TRH é um dos poucos fatores de risco modificáveis. O oncologista deve, portanto, manter vigilância ativa para esse tumor, orientando a paciente sobre os sinais de alerta, como nódulos, retrações cutâneas, descarga papilar sanguinolenta e alterações no formato do mamilo.
Guarde a relação entre o fator de risco (TRH prolongada) e o sítio primário mais fortemente associado (mama): é exatamente essa conexão que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O carcinoma hepático não é o principal câncer associado à terapia de reposição hormonal. Os fatores de risco clássicos para o carcinoma hepatocelular são as hepatites virais crônicas (B e C), o consumo excessivo de álcool e a esteatose hepática. A TRH não figura entre os fatores de risco estabelecidos para esse tumor.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O carcinoma suprarrenal é um tumor raro, e não há associação significativa entre a terapia de reposição hormonal e o seu desenvolvimento. Os tumores adrenais estão mais relacionados a síndromes genéticas, como a neoplasia endócrina múltipla tipo 1 (MEN1) e a síndrome de Li-Fraumeni, do que ao uso de hormônios exógenos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A terapia de reposição hormonal, especialmente a combinação de estrogênio e progestágeno por mais de 5 anos, é um fator de risco reconhecido para o carcinoma mamário. O estímulo estrogênico sobre o epitélio mamário promove proliferação celular e pode levar à carcinogênese. Por isso, o oncologista deve realizar exame clínico das mamas e solicitar mamografia de rastreamento nessa paciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O carcinoma ovariano não é o principal câncer associado à TRH. Embora alguns estudos sugiram um leve aumento do risco de tumores ovarianos com o uso prolongado de estrogênio, essa associação é muito menos consistente e relevante do que a observada para o câncer de mama. Os principais fatores de risco para o câncer de ovário são história familiar, mutações nos genes BRCA1/BRCA2 e nuliparidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O carcinoma tireoidiano não está associado à terapia de reposição hormonal. Os fatores de risco para o câncer de tireoide incluem exposição à radiação ionizante, história familiar e algumas síndromes genéticas, como a neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2). A TRH não é um fator de risco estabelecido para esse tumor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os efeitos da terapia hormonal sobre diferentes órgãos. O candidato pode ser tentado a escolher o carcinoma tireoidiano ou ovariano por serem glândulas hormônio-dependentes, mas a associação mais forte e clinicamente relevante é com a mama. Lembre-se: TRH prolongada → rastrear câncer de mama.