Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Nefrologia
Código
qq970677
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
Paciente do sexo masculino, 45 anos, sem comorbidades prévias, procurou seu médico com quadro de proteinúria maciça (8 gramas em 24 horas), edema generalizado e urina espumosa. Na investigação, foi diagnosticado com síndrome nefrótica secundária à doença por lesões mínimas. Qual é a primeira linha de tratamento para a condição apresentada?
AUso de inibidor de calcineurina associado a corticosteroide.
BUso de medidas gerais como inibidor de ECA e estatina.
CUso de timoglobulina e pulsoterapia com corticosteroide.
DPulsoterapia com corticosteroide e antimetabólito.
EUso de corticosteroide isolado.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Uso de corticosteroide isolado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome nefrótica por doença de lesões mínimas: tratamento de primeira linha
Gabarito: letra E. Na doença por lesões mínimas (glomerulopatia de lesões mínimas — GLM), a primeira linha de tratamento é o corticosteroide isolado (prednisona oral), conforme a diretriz do Ministério da Saúde citada no contexto. As demais opções combinam imunossupressores que são reservados para casos de resistência, dependência ou recidivas frequentes, não para o tratamento inicial.
A síndrome nefrótica é definida pela tríade clássica: proteinúria intensa (acima de 3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia (albumina sérica < 3,5 g/dL) e edema. O paciente do enunciado apresenta proteinúria de 8 g/24h, edema generalizado e urina espumosa — quadro típico. A doença de lesões mínimas é a causa mais comum de síndrome nefrótica primária em crianças (cerca de 80%) e corresponde a 10–15% dos casos em adultos. Histologicamente, há fusão dos podócitos à microscopia eletrônica, sem alterações significativas à microscopia óptica.
O tratamento da GLM em adultos segue, em grande parte, a experiência pediátrica. A prednisona é o fármaco de escolha, administrada por via oral, 1 mg/kg/dia (máximo 80 mg/dia), por no mínimo 4 semanas, usualmente 8 semanas, podendo chegar a 16 semanas, com retirada escalonada. A resposta costuma ser rápida, com remissão da proteinúria em poucas semanas. Os imunossupressores — ciclofosfamida, ciclosporina, inibidores de calcineurina, antimetabólitos — são opções de segunda linha, indicadas para:
Dependência de corticoide: recidiva ao reduzir ou suspender a prednisona;
Resistência ao corticoide: ausência de remissão após o ciclo inicial;
A ciclosporina, por exemplo, é preferida em jovens ou mulheres que desejam engravidar, devido ao risco de infertilidade da ciclofosfamida. Já as medidas gerais — inibidor de ECA, estatina, restrição de sódio, diuréticos — são adjuvantes, não tratamento específico da doença de base.
A pegadinha da banca está em oferecer combinações de imunossupressores como se fossem primeira linha, quando na verdade o tratamento inicial da GLM é monoterapia com corticoide. O aluno que memoriza os esquemas de segunda linha sem fixar a hierarquia terapêutica erra a questão.
11ª linha: corticoide isolado
22ª linha: ciclofosfamida ou ciclosporina
33ª linha: outros imunossupressores
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inibidor de calcineurina (ciclosporina ou tacrolimo) associado a corticosteroide não é primeira linha. A ciclosporina é segunda escolha, indicada em casos de resistência ao corticoide ou efeitos adversos intensos da corticoterapia, ou como alternativa à ciclofosfamida em jovens/mulheres com desejo de gestação. A associação com corticoide é usada em esquemas de resgate, não no início.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Medidas gerais como inibidor de ECA e estatina são adjuvantes no manejo da síndrome nefrótica (controle pressórico, proteinúria e dislipidemia), mas não tratam a doença de base. Na GLM, sem imunossupressão, a proteinúria persiste e o risco de complicações (trombose, infecção, DRC) permanece. São complementares ao corticoide, nunca substitutos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Timoglobulina é um imunossupressor potente usado em transplante renal e em algumas glomerulopatias graves, não na GLM de primeira linha. Pulsoterapia com corticoide (metilprednisolona endovenosa) é reservada para casos selecionados, como recidiva grave ou resistência. Não há indicação de timoglobulina no tratamento inicial da doença de lesões mínimas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pulsoterapia com corticoide associada a antimetabólito (como micofenolato mofetil ou azatioprina) é esquema de segunda/terceira linha, usado em casos de resistência ou recidivas frequentes. O tratamento inicial da GLM é corticoide oral isolado, sem necessidade de pulsoterapia nem de associação com antimetabólito.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prednisona oral isolada é o tratamento de escolha para a doença de lesões mínimas, conforme a diretriz: dose de 1 mg/kg/dia (máx. 80 mg/dia), por 4 a 16 semanas, com retirada escalonada. A monoterapia com corticoide é a primeira linha, e os imunossupressores ficam reservados para os casos de dependência, resistência ou recidivas frequentes.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a hierarquia terapêutica da GLM, lembre-se da sequência: 1ª linha → corticoide isolado; 2ª linha → ciclofosfamida ou ciclosporina (em casos de resistência/dependência/recidivas); 3ª linha → outros imunossupressores (micofenolato, rituximabe). Na prova, desconfie de alternativas que combinam imunossupressores no tratamento inicial — a banca explora exatamente essa confusão.