Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Nefrologia
Código
qq970681
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
O mecanismo de concentração urinária, função de extrema importância para a sobrevivência, por habilitar a excreção de toxinas em quantidade suficiente de urina, é uma função complexa exercida pelos rins. Para que isso aconteça, duas condições são necessárias. Assinale a alternativa que apresenta corretamente as duas condições.
AAção local da aldosterona e consumo de água pelo indivíduo.
BProdução de medula hipertônica e ação adequada do hormônio antidiurético.
CReabsorção adequada do túbulo proximal e excreção da alça de Henle.
DFeedback tubuloglomerular e ação da vasopressina.
ESistema renina angiotensina aldosterona inativo e permeabilidade do ducto coletor
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GabaritoB — Produção de medula hipertônica e ação adequada do hormônio antidiurético.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mecanismo de concentração urinária: medula hipertônica e ação do ADH
Gabarito: letra B. A concentração urinária depende de duas condições fundamentais: a produção de uma medula renal hipertônica (gradiente osmótico corticomedular) e a ação adequada do hormônio antidiurético (ADH/vasopressina) sobre os ductos coletores, que torna esses túbulos permeáveis à água. Sem o gradiente medular, não há força osmótica para extrair água; sem ADH, mesmo com gradiente, a água não é reabsorvida — é essa dupla exigência que a alternativa correta espelha.
O mecanismo de concentração urinária é um dos processos mais elegantes da fisiologia renal e depende da interação entre a alça de Henle, a medula renal e os ductos coletores, formando o chamado mecanismo de contracorrente. O ramo descendente da alça de Henle é permeável à água, permitindo sua saída para o interstício medular cada vez mais hipertônico; o ramo ascendente é impermeável à água e transporta ativamente cloreto de sódio para o interstício, criando e mantendo o gradiente de osmolalidade que varia de aproximadamente 300 mOsm/kg na junção corticomedular até 1.400 mOsm/kg na papila renal. Esse gradiente é a "bateria" que permite a reabsorção de água nos ductos coletores.
A segunda condição é a ação do hormônio antidiurético (ADH), também chamado arginina-vasopressina (AVP). Sintetizado nos núcleos supraóptico e paraventricular do hipotálamo e liberado pela neuro-hipófise, o ADH atua nos ductos coletores inserindo canais de água (aquaporinas-2) na membrana apical, tornando-os permeáveis à água. Sem ADH, o ducto coletor é praticamente impermeável à água, e o indivíduo excreta grande volume de urina diluída (diabetes insipidus). A liberação de ADH é regulada principalmente pela osmolalidade plasmática, mantida em torno de 287 mOsm/kg, com limiar de liberação em cerca de 280 mOsm/kg; elevações de 1% da osmolalidade causam aumento linear da AVP periférica.
A pegadinha central desta questão é que a banca mistura mecanismos que participam da regulação do volume (aldosterona, sistema renina-angiotensina-aldosterona, feedback tubuloglomerular) com os mecanismos específicos da concentração urinária. A aldosterona, por exemplo, atua no túbulo distal e ducto coletor promovendo reabsorção de sódio — importante para o volume extracelular, mas não é condição para a concentração urinária em si. O feedback tubuloglomerular regula a taxa de filtração glomerular, não a concentração. O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) ativo é que participa da regulação do volume e da pressão arterial — a alternativa E inverte esse conceito ao dizer "inativo".
Guarde a fronteira: concentração urinária = gradiente medular (contracorrente) + ADH. Tudo o mais (aldosterona, SRAA, feedback tubuloglomerular) é regulação de volume/pressão, não de concentração — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Concentração urinária
1Condições necessárias
Medula hipertônica (gradiente 300→1.400 mOsm/kg)
Mecanismo de contracorrente (alça de Henle)
Ação do ADH/vasopressina
Aquaporinas-2 no ducto coletor
2Regulação de volume (não concentram)
Aldosterona
SRAA
Feedback tubuloglomerular
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A aldosterona atua no túbulo distal e ducto coletor promovendo reabsorção de sódio e secreção de potássio, sendo importante para a regulação do volume extracelular e da pressão arterial — não para a concentração urinária. Além disso, o consumo de água pelo indivíduo é um fator comportamental que influencia a osmolalidade plasmática e a liberação de ADH, mas não é uma condição intrínseca do mecanismo renal de concentração. A banca troca o hormônio que regula volume (aldosterona) pelo que regula concentração (ADH).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A produção de medula hipertônica (gradiente osmótico corticomedular criado pelo mecanismo de contracorrente na alça de Henle) e a ação adequada do hormônio antidiurético (ADH/vasopressina) sobre os ductos coletores são exatamente as duas condições necessárias para a concentração urinária. O gradiente medular fornece a força osmótica; o ADH torna o ducto coletor permeável à água, permitindo que ela seja reabsorvida seguindo esse gradiente. Sem qualquer uma das duas, a urina não pode ser concentrada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A reabsorção adequada do túbulo proximal é importante para o balanço de sódio e água, mas não é condição específica para a concentração urinária — o túbulo proximal reabsorve cerca de 65-70% do filtrado de forma isotônica, sem criar gradiente. A "excreção da alça de Henle" é um termo vago e incorreto: a alça de Henle participa do mecanismo de contracorrente criando o gradiente medular, mas não "excreta" — ela reabsorve seletivamente. A alternativa mistura segmentos do néfron sem apontar as condições reais (gradiente + ADH).
Alternativa D — ❌ Incorreta
O feedback tubuloglomerular é um mecanismo de autorregulação da taxa de filtração glomerular (TFG): a mácula densa detecta a concentração de cloreto de sódio no túbulo distal e ajusta a resistência da arteríola aferente. Não participa da concentração urinária. A ação da vasopressina (ADH) é uma das condições corretas, mas o feedback tubuloglomerular não é a outra — a banca troca o gradiente medular por um mecanismo de regulação da filtração.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) ativo é que participa da regulação do volume extracelular e da pressão arterial — dizer "inativo" inverte o conceito. Além disso, o SRAA não é condição para a concentração urinária. A permeabilidade do ducto coletor é um componente correto (mediada pelo ADH), mas falta a outra condição essencial: o gradiente medular hipertônico. A alternativa mistura um sistema de regulação de volume com um componente da concentração, mas erra ao afirmar o SRAA inativo e ao omitir a medula hipertônica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os mecanismos de regulação de volume (aldosterona, SRAA, feedback tubuloglomerular) pelos de concentração urinária (gradiente medular + ADH). Nas alternativas A, D e E, o candidato que confunde esses sistemas cai direto. Lembre-se: aldosterona e SRAA regulam sódio/volume/pressão; ADH e gradiente medular regulam concentração/osmolalidade. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o esquema mental: alça de Henle (contracorrente) → gradiente medular (300→1.400 mOsm/kg) → ducto coletor + ADH (aquaporinas) → água reabsorvida. Se a alternativa mencionar aldosterona, SRAA ou feedback tubuloglomerular como condição de concentração, descarte na hora — são mecanismos de volume, não de concentração.