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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970688
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
Como as doenças neurológicas apresentam curso variável, planejar a fase final de vida parece um desafio. As pesquisas sugerem que a intervenção precoce de cuidados paliativos melhora a qualidade de vida e a sobrevida e pode ser associada aos tratamentos curativos. Em relação aos cuidados paliativos em neurologia, assinale a alternativa correta.
  1. ANa fase terminal de doenças graves e incuráveis, é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do paciente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva do cuidado integral, independente da vontade do paciente ou de seu representante legal.
  2. BEm pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada <50% é um indicador de pior prognóstico.
  3. CDeve-se evitar os medicamentos opioides para controle de dor e dispneia em pacientes portadores de demência em fase final de vida.
  4. DO protocolo SPIKES é utilizado na definição das terapias de final de vida.
  5. EPacientes com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral com pontuação >3 na escala de Rankin têm melhor prognóstico.
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GabaritoB — Em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada <50% é um indicador de pior prognóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados paliativos em neurologia: prognóstico e manejo

Gabarito: letra B. Em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a capacidade vital forçada (CVF) < 50% do previsto é um marcador de pior prognóstico, indicando distúrbio ventilatório restritivo avançado e maior risco de insuficiência respiratória — a alternativa correta espelha esse dado clínico. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre autonomia do paciente, uso de opioides, protocolos de comunicação e escalas prognósticas.

Os cuidados paliativos em neurologia envolvem o manejo de doenças neurodegenerativas e cerebrovasculares progressivas, com foco no alívio de sintomas e na qualidade de vida, independentemente da possibilidade de cura. Diferentemente do que muitos imaginam, os cuidados paliativos não se restringem ao fim da vida: devem ser iniciados precocemente, em conjunto com tratamentos modificadores da doença, como demonstram estudos que associam essa integração a melhor qualidade de vida e, em alguns casos, maior sobrevida. O princípio fundamental é afirmar a vida, não acelerar nem adiar a morte, sempre respeitando a autonomia do paciente e de seus representantes legais.

Na prática clínica, a avaliação prognóstica em doenças neurológicas avançadas utiliza parâmetros objetivos. Na ELA, a CVF é um dos principais preditores de sobrevida: valores abaixo de 50% indicam comprometimento ventilatório significativo, frequentemente associado à necessidade de ventilação não invasiva e a pior prognóstico. Já no Acidente Vascular Cerebral (AVC), a escala de Rankin modificada avalia o grau de incapacidade funcional — pontuações mais altas indicam pior prognóstico, não melhor. Esses marcadores ajudam a equipe a planejar a abordagem paliativa e a comunicar expectativas realistas ao paciente e à família.

A comunicação de más notícias e o planejamento de cuidados são aspectos centrais. O protocolo SPIKES é uma ferramenta estruturada para comunicar más notícias, não para definir terapias de fim de vida. Já a decisão sobre limitar ou suspender tratamentos que prolongam a vida deve ser compartilhada com o paciente ou seu representante legal, respeitando sua vontade — nunca imposta unilateralmente pelo médico. No manejo sintomático, os opioides são medicações essenciais para controle de dor e dispneia, inclusive em pacientes com demência em fase final, desde que usados com monitorização adequada.

A pegadinha central desta questão está na inversão de conceitos: a banca mistura ferramentas de comunicação (SPIKES), princípios éticos (autonomia) e escalas prognósticas (Rankin) para confundir o candidato. O conhecimento específico sobre a ELA e a CVF é o que diferencia a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na expressão "independente da vontade do paciente ou de seu representante legal". A limitação ou suspensão de procedimentos que prolongam a vida em fase terminal deve ser decidida em conjunto com o paciente (quando capaz) ou com seu representante legal, respeitando sua autonomia e seus valores. O médico não pode agir unilateralmente, impondo sua decisão. O princípio da autonomia é fundamental na ética médica e nos cuidados paliativos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Na ELA, a CVF < 50% do valor previsto é um indicador de pior prognóstico, pois reflete a progressão do distúrbio ventilatório restritivo e o risco iminente de insuficiência respiratória — principal causa de morte nesses pacientes. Esse parâmetro é utilizado para decidir o momento de iniciar ventilação não invasiva e planejar os cuidados de fim de vida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os opioides são medicações de primeira linha para controle de dor e dispneia em pacientes com demência em fase final de vida. Não há contraindicação absoluta; pelo contrário, são essenciais para alívio do sofrimento, desde que usados com titulação cuidadosa e monitorização de efeitos adversos. A alternativa inverte a recomendação clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O protocolo SPIKES é uma ferramenta de comunicação de más notícias, estruturada em seis etapas (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Emotions, Strategy). Ele não é utilizado para definir terapias de fim de vida, mas sim para orientar a conversa entre médico, paciente e família sobre diagnósticos e prognósticos difíceis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Na escala de Rankin modificada, pontuações mais altas indicam maior incapacidade funcional e, portanto, pior prognóstico. A alternativa inverte a lógica da escala: >3 na Rankin significa dependência moderada a grave, associada a piores desfechos funcionais e menor sobrevida, não melhor prognóstico.

Gabarito: letra B

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