Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qq970689
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
Paciente, 52 anos, hipertenso leve, apresentando há 3 dias evolução de febre alta medida em casa (39ºC), tosse produtiva e dor no tórax à direita. Ao exame físico, está taquipneico, temperatura de 38ºC, PA 90X45 com crepitações no tórax à direita. Considerando o caso apresentado, qual é a melhor conduta?
AExpansão volêmica, cultura e antibioticoterapia, na falha da resposta pressórica ao volume, iniciar vasopressina.
BExpansão volêmica, cultura e antibioticoterapia, na falha da resposta pressórica ao volume, iniciar dobutamina.
CExpansão volêmica, cultura e antibioticoterapia, na falha da resposta pressórica ao volume, iniciar adrenalina.
DExpansão volêmica, cultura e antibioticoterapia, na falha da resposta pressórica ao volume, iniciar dopamina.
EExpansão volêmica, cultura e antibioticoterapia, na falha da resposta pressórica ao volume, iniciar noradrenalina.
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GabaritoE — Expansão volêmica, cultura e antibioticoterapia, na falha da resposta pressórica ao volume, iniciar noradrenalina.
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Sepse e choque séptico: manejo inicial
Gabarito: letra E. O paciente apresenta quadro compatível com sepse (foco pulmonar, febre, taquipneia, hipotensão) e, na falha da resposta pressórica à expansão volêmica, a droga vasopressora de primeira linha é a noradrenalina — conforme as diretrizes de sobrevivência à sepse (Surviving Sepsis Campaign). As demais alternativas trocam o vasopressor correto por outras drogas (vasopressina, dobutamina, adrenalina, dopamina) que não são a escolha inicial nesse cenário.
A sepse é definida como disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. No caso, o paciente tem pneumonia adquirida na comunidade (febre, tosse produtiva, crepitações à direita) evoluindo com hipotensão (PA 90x45 mmHg) — o que caracteriza choque séptico, definido pela necessidade de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L, mesmo após ressuscitação volêmica adequada.
O manejo inicial do choque séptico segue uma sequência lógica e temporal: reconhecimento precoce → coleta de culturas → antibioticoterapia de amplo espectro em até 1 hora → expansão volêmica agressiva (30 mL/kg de cristaloide) → vasopressores se hipotensão persistente. A escolha do vasopressor é o ponto central desta questão.
A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico por ser um potente agonista alfa-adrenérgico, promovendo vasoconstrição e aumento da pressão arterial média sem os efeitos cronotrópicos e arritmogênicos significativos de outras drogas. Ela combina efeito vasopressor predominante com algum efeito inotrópico, sendo superior à dopamina em desfechos de mortalidade e com perfil de segurança mais favorável.
As alternativas incorretas apresentam drogas que têm indicações específicas, mas não como primeira escolha neste cenário:
Vasopressina: pode ser adicionada como segunda droga, mas não é a primeira escolha.
Dobutamina: é um inotrópico, indicado quando há disfunção miocárdica com baixo débito cardíaco, não como vasopressor de primeira linha.
Adrenalina: é uma alternativa quando há necessidade de efeito inotrópico adicional, mas não é a primeira escolha.
Dopamina: foi historicamente usada, mas estudos mostraram maior mortalidade e mais arritmias em comparação à noradrenalina, sendo reservada para situações específicas (bradicardia com risco de choque).
A pegadinha da banca está em listar drogas que são usadas no choque séptico, mas em contextos diferentes — o candidato que não domina a hierarquia terapêutica pode confundir a ordem de escolha. A regra de ouro: noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico.
1Reconhecimento precoce
2Coleta de culturas
3Antibiótico em até 1h
4Volume 30 mL/kg
5Noradrenalina se hipotensão
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A vasopressina é um vasopressor que pode ser adicionado à noradrenalina como segunda droga, mas não é a primeira escolha. Ela é particularmente útil em casos de choque refratário ou como poupadora de noradrenalina, mas não substitui a noradrenalina como droga inicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dobutamina é um agente inotrópico (agonista beta-1 adrenérgico) que aumenta a contratilidade cardíaca e o débito cardíaco, mas tem efeito vasodilatador periférico, podendo piorar a hipotensão. É indicada quando há evidência de disfunção miocárdica com baixo débito, não como vasopressor de primeira linha no choque séptico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A adrenalina é um vasopressor potente com efeitos alfa e beta-adrenérgicos, mas não é a primeira escolha no choque séptico. Seu uso está associado a maior risco de taquiarritmias, hiperlactatemia e aumento do consumo de oxigênio miocárdico. É reservada como alternativa quando há necessidade de efeito inotrópico adicional ou em casos de anafilaxia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dopamina foi amplamente utilizada no passado, mas estudos clínicos demonstraram maior mortalidade e maior incidência de arritmias em comparação à noradrenalina. Atualmente, é considerada droga de segunda linha, com indicação restrita a situações específicas, como bradicardia sintomática com risco de choque.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico, conforme as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign. Ela é um agonista alfa-adrenérgico predominante, promovendo vasoconstrição e aumento da pressão arterial média, com perfil de segurança superior às demais drogas vasopressoras. A conduta completa inclui expansão volêmica com cristaloide (30 mL/kg), coleta de culturas antes do antibiótico, antibioticoterapia de amplo espectro em até 1 hora e noradrenalina se a hipotensão persistir após a reposição volêmica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca lista drogas que são usadas no choque séptico, mas em contextos diferentes. O candidato que não domina a hierarquia terapêutica pode confundir a ordem de escolha. A regra de ouro: noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico — as demais são opções de segunda linha ou para situações específicas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de sepse, memorize a sequência: reconhecimento → culturas → antibiótico em 1h → volume 30 mL/kg → noradrenalina. Se a alternativa trouxer outro vasopressor como primeira escolha, desconfie imediatamente.