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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qq970699
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
Paciente do sexo masculino, 38 anos, relata que sua mãe foi diagnosticada com Hanseníase, mas ela não acredita no diagnóstico, pois o médico não solicitou nenhum exame. O paciente não quer nem abraçar a mãe, pois tem medo de pegar a doença, mesmo fazendo 2 anos que não mora mais com ela. Deseja fazer a vacina BCG para se proteger e não apresenta nenhum sintoma. Nesse caso, em relação às orientações médicas, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AA forma de transmissão da Hanseníase ocorre através das vias aéreas (por meio de espirro, tosse ou fala) de pacientes sem tratamento e não por objetos utilizados pelo paciente, por abraço ou beijo.
  2. BO diagnóstico é clínico com avaliação dermatológica e neurológica na maioria dos casos, não necessitando de baciloscopia ou biópsia.
  3. CComo o paciente não mora mais com a mãe e não tem nenhum sintoma, não necessita realizar avaliação clínica.
  4. DOs contatos > 1 ano não vacinados ou que receberam apenas uma dose da BCG, e para os quais foi descartada Hanseníase, podem fazer a imunoprofilaxia com a BCG.
  5. EOs doentes param de transmitir a doença logo após as primeiras doses do tratamento, mas necessitam finalizar o tratamento para a cura da doença.
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GabaritoC — Como o paciente não mora mais com a mãe e não tem nenhum sintoma, não necessita realizar avaliação clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: transmissão, diagnóstico e profilaxia dos contatos

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta afirma que o paciente, por não morar mais com a mãe e não apresentar sintomas, não necessita de avaliação clínica — o que contraria a vigilância epidemiológica da hanseníase, que determina o exame dermatoneurológico de todos os contatos domiciliares, independentemente do tempo de convívio ou da presença de sintomas, e a aplicação da vacina BCG conforme a história vacinal. O contato deve ser examinado mesmo sem sintomas, pois a doença tem longo período de incubação e o diagnóstico precoce previne incapacidades.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido-resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro. A transmissão ocorre pelo contato direto e prolongado, pessoa a pessoa, por meio das vias aéreas superiores — espirro, tosse ou fala — de pacientes sem tratamento. O bacilo não atravessa a pele íntegra, e o abraço, o beijo ou o compartilhamento de objetos não transmitem a doença. Essa é a base da orientação ao paciente do caso: ele pode abraçar a mãe sem risco de contágio, desde que ela esteja em tratamento.

O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por meio da avaliação dermatológica e neurológica, que identifica lesões de pele com alteração de sensibilidade e espessamento de nervos periféricos. Na maioria dos casos, não há necessidade de exames complementares, como baciloscopia ou biópsia — o que explica a conduta do médico que não solicitou exames. A baciloscopia é útil em casos duvidosos ou para classificação operacional, mas não é obrigatória para o diagnóstico.

A vigilância epidemiológica exige a busca ativa de casos novos e o exame clínico de todos os contatos, que são definidos como pessoas que convivem ou conviveram com o doente no âmbito domiciliar, independentemente do tempo de convívio. O contato deve ser examinado mesmo sem sintomas, pois a hanseníase tem período de incubação que varia de 2 a 7 anos, e o diagnóstico precoce interrompe a cadeia de transmissão e previne incapacidades físicas. A vacina BCG é recomendada para contatos sem sinais e sintomas da doença, conforme a história vacinal: ausência de cicatriz ou uma cicatriz → uma dose; duas cicatrizes → não prescrever. A BCG não é específica para a hanseníase, mas confere proteção parcial contra as formas mais graves da doença.

A alternativa C é a incorreta porque o paciente, mesmo não morando mais com a mãe e sem sintomas, é um contato que deve ser avaliado clinicamente. O fato de não residir mais com a mãe não o exclui da condição de contato, e a ausência de sintomas não afasta a necessidade de exame dermatoneurológico. A avaliação clínica é obrigatória para todos os contatos, e a vacina BCG só deve ser aplicada após o exame que descarte a doença. A banca explora a confusão entre "contato" e "sintomático": o contato pode ser assintomático e ainda assim precisar de avaliação e, se indicado, de imunoprofilaxia.

1Transmissão
Vias aéreas (espirro, tosse, fala)
Não por abraço, beijo ou objetos
2Diagnóstico
Clínico (dermato-neurológico)
Baciloscopia/biópsia (casos duvidosos)
3Contatos
Todos devem ser examinados
Mesmo assintomáticos
Mesmo sem convívio atual
BCG conforme cicatrizes
Hanseníase
LEVELsoulevel.com.br
Hanseníase: Transmissão (Vias aéreas (espirro, tosse, fala), Não por abraço, beijo ou objetos); Diagnóstico (Clínico (dermato-neurológico), Baciloscopia/biópsia (casos duvidosos)); Contatos (Todos devem ser examinados, Mesmo assintomáticos, Mesmo sem convívio atual, BCG conforme cicatrizes)

Alternativa A — ✅ Correta

A transmissão da hanseníase ocorre pelas vias aéreas superiores, por meio de gotículas eliminadas por espirro, tosse ou fala de pacientes sem tratamento. O bacilo não é transmitido por objetos, abraço ou beijo, pois não atravessa a pele íntegra. A alternativa está correta ao afirmar exatamente isso.

Alternativa B — ✅ Correta

O diagnóstico da hanseníase é clínico, baseado na avaliação dermatológica e neurológica, que identifica lesões de pele com alteração de sensibilidade e espessamento de nervos. Na maioria dos casos, não há necessidade de baciloscopia ou biópsia, que são reservadas para situações de dúvida diagnóstica ou classificação operacional. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o paciente, por não morar mais com a mãe e não apresentar sintomas, não necessita de avaliação clínica. Isso é incorreto: todos os contatos de hanseníase devem ser examinados clinicamente, independentemente do tempo de convívio ou da presença de sintomas. O exame dermatoneurológico é obrigatório para descartar a doença e, se indicado, aplicar a vacina BCG. A ausência de sintomas não exclui a necessidade de avaliação.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa está correta: contatos com mais de 1 ano, não vacinados ou que receberam apenas uma dose da BCG, e para os quais foi descartada hanseníase, podem receber a imunoprofilaxia com a BCG. A conduta segue a história vacinal: ausência de cicatriz ou uma cicatriz → uma dose; duas cicatrizes → não prescrever.

Alternativa E — ✅ Correta

Os doentes param de transmitir a doença logo após as primeiras doses do tratamento, pois a baciloscopia tende a negativar rapidamente. No entanto, é necessário finalizar o tratamento completo para a cura, que dura de 6 a 12 meses, dependendo da classificação operacional. A alternativa está correta.

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois todo contato de hanseníase, mesmo assintomático e sem convívio atual, deve ser avaliado clinicamente.

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