Ginecomastia: conduta diagnóstica e ética
Gabarito: letra D. Diante de ginecomastia bilateral em adulto com história de uso de anabolizantes, a conduta correta é complementar a investigação com exames laboratoriais (estradiol, HCG, testosterona, prolactina, LH, TSH) e de imagem (USG e mamografia), conforme a avaliação diagnóstica da ginecomastia. A conduta ética exige investigação completa antes de qualquer intervenção, respeitando a autonomia do paciente e o consentimento livre e esclarecido.
A ginecomastia é o aumento benigno da glândula mamária masculina, resultante do desequilíbrio entre estrogênios e androgênios no tecido mamário. Esse desequilíbrio pode ocorrer por aumento absoluto de estrogênios, diminuição de androgênios, aumento da atividade da enzima aromatase ou combinação desses fatores. No caso apresentado, o paciente de 45 anos relata uso abusivo de hormônios anabolizantes — androgênios exógenos que, ao serem metabolizados, podem ser convertidos em estrogênios pela aromatase, causando a ginecomastia. O exame físico mostra ginecomastia bilateral, maior à esquerda, sem nódulos ou descarga papilar, o que é compatível com ginecomastia por uso de anabolizantes, mas não exclui outras causas.
A avaliação da ginecomastia deve ser sistemática. Na anamnese, investigam-se uso de medicamentos e drogas, doenças crônicas, história familiar e síndromes como Klinefelter. O exame clínico inclui peso, altura, proporções corporais e palpação mamária. A investigação laboratorial é essencial para afastar causas patológicas, como endocrinopatias, tumores e doenças crônicas. Os exames de imagem, como USG e mamografia, são indicados quando há suspeita de malignidade, como nódulos, alterações de pele ou descarga papilar.
A conduta ética médica, conforme o Código de Ética Médica, exige que o médico realize uma investigação completa antes de propor qualquer tratamento, respeitando a autonomia do paciente e obtendo consentimento livre e esclarecido para procedimentos invasivos. A cirurgia de adenomastectomia bilateral, sem investigação prévia e sem consentimento, viola frontalmente esses princípios.
A alternativa D é a única que contempla a investigação completa, tanto laboratorial quanto de imagem, alinhada à conduta ética e à boa prática clínica. As demais alternativas são incompletas ou eticamente incorretas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A complementação da anamnese e do exame físico é parte da conduta, mas é insuficiente. A investigação deve incluir exames laboratoriais e de imagem para afastar causas patológicas, como endocrinopatias, tumores e doenças crônicas. A alternativa A não contempla essa investigação complementar, sendo, portanto, incompleta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descartar ginecomastias patológicas é parte da investigação, mas a alternativa não especifica como fazer isso. A conduta correta envolve exames laboratoriais e de imagem, não apenas a exclusão clínica de causas patológicas. A alternativa B é vaga e incompleta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A adenomastectomia bilateral imediata, sem investigação e sem consentimento, é eticamente inaceitável. A ginecomastia por anabolizantes é benigna e não indica cirurgia imediata. Além disso, a alegação de alta chance de carcinoma mamário (>70%) é falsa e não se aplica ao caso. A conduta correta é investigar antes de qualquer intervenção.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D contempla a investigação completa: complementação da anamnese e exame físico, exames laboratoriais (estradiol, HCG, testosterona, prolactina, LH, TSH) e exames de imagem (USG e mamografia). Essa é a conduta correta para afastar causas patológicas e confirmar o diagnóstico de ginecomastia por anabolizantes, respeitando a ética médica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Instigar sobre o abuso de medicamentos é parte da anamnese, mas a alternativa não contempla a investigação laboratorial e de imagem necessária para o diagnóstico completo. A conduta correta vai além da anamnese, incluindo exames complementares.
Gabarito: letra D