Questão de Medicina — Geriatria — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Geriatria
Código
qq970709
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
A respeito da Avaliação Geriátrica Ampla/Global do idoso (AGA), assinale a alternativa INCORRETA.
ADifere do exame clínico padrão por enfatizar a avaliação das capacidades cognitiva e funcional, bem como dos aspectos psicossociais da vida do idoso.
BBaseia-se em instrumentos (escalas e testes) que permitem quantificar o grau de incapacidade e avaliar parâmetros psicológicos e sociais dos idosos.
CBeneficia, principalmente, os idosos mais funcionais, com menos comorbidades e sem polifarmácia, pois dessa forma será possível atuar na prevenção de incapacidades e problemas de saúde futuros.
DAvalia 4 principais dimensões do idoso, sendo elas: estado funcional, condições médicas, saúde mental (cognição e humor) e funcionamento social.
EAlguns testes e escalas que podem ser utilizados na avaliação são: Mini Avaliação Nutricional (MAN), Escala de depressão geriátrica de Yesavage, Miniexame do estado mental (MEEM), Escala de Barthel, Apgar familiar e de amigos, Timed Get Up And GoTest (TGUG), dentre outros.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Beneficia, principalmente, os idosos mais funcionais, com menos comorbidades e sem polifarmácia, pois dessa forma será possível atuar na prevenção de incapacidades e problemas de saúde futuros.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) no idoso
Gabarito: letra C. A alternativa incorreta afirma que a AGA beneficia principalmente os idosos mais funcionais, com menos comorbidades e sem polifarmácia — exatamente o oposto da indicação clássica: a AGA é um processo diagnóstico multidimensional voltado aos idosos frágeis, com múltiplas comorbidades, polifarmácia e comprometimento funcional, nos quais a avaliação sistemática identifica problemas tratáveis e permite planejar intervenções para maximizar a saúde e o envelhecimento. As demais alternativas descrevem corretamente as características, os instrumentos e as dimensões da AGA.
A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), também chamada de avaliação multidimensional do idoso (AMI), é um processo diagnóstico multidisciplinar e multidimensional que vai muito além do exame clínico tradicional. Enquanto a consulta convencional é centrada na doença e em queixas específicas, a AGA centra-se no indivíduo, avaliando o impacto dos agravos sobre a capacidade funcional, a independência e a autonomia. Seu objetivo não é apenas diagnosticar, mas identificar vulnerabilidades e riscos (iatrogenia, desnutrição, quedas, declínio cognitivo) para construir um plano de cuidado coordenado que envolva tratamento, reabilitação e seguimento.
A AGA se baseia na premissa de que uma avaliação sistemática de idosos frágeis por uma equipe de profissionais de saúde pode identificar uma variedade de problemas tratáveis e levar a melhores resultados. Os grupos de risco segundo a OMS incluem os muito idosos (≥ 80 anos), os que vivem sozinhos, as mulheres idosas viúvas ou solteiras, os institucionalizados, os socialmente isolados, os sem filhos, os com limitações graves, os casais em que um é incapacitado e os com poucos recursos econômicos. É justamente nesses pacientes — frequentemente com múltiplas comorbidades e polifarmácia — que a AGA tem maior benefício, pois permite atuar na prevenção de incapacidades e na otimização do cuidado.
As quatro grandes dimensões avaliadas pela AGA são: estado funcional (capacidade de realizar atividades básicas e instrumentais de vida diária), condições médicas (comorbidades, medicamentos, síndromes geriátricas), saúde mental (cognição e humor) e funcionamento social (suporte familiar, rede de apoio, condições ambientais). Para cada dimensão existem instrumentos validados: o Miniexame do Estado Mental (MEEM) e o Mini-Cog para cognição; a Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage (GDS) para humor; a Escala de Barthel e as ABVDs/AIVDs para funcionalidade; o Timed Get Up and Go (TGUG) para mobilidade; a Mini Avaliação Nutricional (MAN) para estado nutricional; e o Apgar familiar para suporte social.
A pegadinha central desta questão está na inversão do público-alvo: a banca apresenta como beneficiário da AGA o idoso "mais funcional, com menos comorbidades e sem polifarmácia", quando a literatura é clara ao indicar a AGA para o idoso frágil, com necessidades complexas e múltiplos problemas de saúde. O raciocínio por trás é que, quanto mais frágil e complexo o paciente, maior o ganho com uma avaliação multidimensional que identifique problemas negligenciados e coordene o cuidado. Guarde essa fronteira: AGA é para o idoso frágil e complexo, não para o idoso saudável e independente — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta
A AGA difere do exame clínico padrão por enfatizar a avaliação das capacidades cognitiva e funcional e dos aspectos psicossociais. Isso está correto: enquanto o exame tradicional é centrado na doença, a AGA é centrada no indivíduo, contemplando avaliações que aferem o impacto dos agravos sobre a capacidade funcional, a independência e a autonomia, além dos aspectos psicológicos e sociais.
Alternativa B — ✅ Correta
A AGA baseia-se em instrumentos (escalas e testes) que permitem quantificar o grau de incapacidade e avaliar parâmetros psicológicos e sociais. Correto: o uso de instrumentos de avaliação funcional de fácil aplicação possibilita o reconhecimento de problemas comuns e frequentemente negligenciados, modificando o foco da intervenção centrada na doença para uma intervenção preventiva e proativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa inverte o público-alvo da AGA. Ela afirma que a AGA beneficia principalmente os idosos mais funcionais, com menos comorbidades e sem polifarmácia — quando, na verdade, a AGA é indicada para idosos frágeis, com necessidades complexas de cuidados, múltiplas comorbidades e polifarmácia. A premissa da AGA é justamente que uma avaliação sistemática de idosos frágeis por uma equipe de saúde identifica problemas tratáveis e leva a melhores resultados. O erro é duplo: troca o perfil do paciente (frágil por funcional) e a finalidade (identificar e manejar problemas complexos por prevenção em saudáveis).
Alternativa D — ✅ Correta
A AGA avalia 4 principais dimensões: estado funcional, condições médicas, saúde mental (cognição e humor) e funcionamento social. Correto: a atenção ao idoso requer a avaliação de múltiplos domínios, incluindo aspectos físicos, nutricionais, cognitivos, psicológicos, sociais, ambientais e espirituais, sendo as quatro dimensões citadas as clássicas da avaliação multidimensional.
Alternativa E — ✅ Correta
Os instrumentos citados (MAN, Escala de Yesavage, MEEM, Escala de Barthel, Apgar familiar e TGUG) são todos utilizados na AGA. Correto: cada um avalia uma dimensão específica — MAN (nutrição), Yesavage (humor), MEEM (cognição), Barthel (funcionalidade), Apgar (suporte social) e TGUG (mobilidade) — compondo o arsenal de escalas e testes da avaliação multidimensional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o perfil do paciente que mais se beneficia da AGA. O candidato que associa "avaliação" a "prevenção em idosos saudáveis" cai na armadilha. Lembre-se: a AGA é para o idoso frágil, com múltiplas comorbidades e polifarmácia — é nesses pacientes que a avaliação multidimensional identifica problemas tratáveis e melhora os desfechos. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪
Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois inverte o público-alvo da AGA.