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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaOncologia
Código
qq970710
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
Idosa, 76 anos, com neoplasia de pulmão avançada dá entrada na emergência com dispneia e esforço respiratório após ter se alimentado de manhã. Ao exame, está normotensa, taquipneica com uso de musculatura acessória, roncos pulmonares difusos, saturação de oxigênio 83% em ar ambiente, consciente. O médico da emergência não tem mais informações sobre o quadro prévio, mas lhe informam que a paciente está sendo acompanhada pela equipe de cuidados paliativos e que nunca fez uso de opioides. Qual é a melhor conduta inicial?
  1. AProsseguir com intubação orotraqueal para garantir o conforto adequado à paciente, proteger a via aérea e cessar sensação de dispneia.
  2. BAcionar equipe de cuidados paliativos do hospital e aguardar sua avaliação e conduta frente ao caso.
  3. CSuplementar oxigênio, avaliar necessidade de aspiração de vias aéreas, iniciar morfina endovenosa ou subcutânea, conversar com familiares para entender o contexto clínico e status funcional anterior ao quadro, bem como revisar plano de cuidado previamente definido com a equipe de cuidado paliativo.
  4. DIniciar morfina endovenosa ou subcutânea em altas doses para o controle adequado da dispneia e aguardar equipe de cuidados paliativos.
  5. ESuplementar oxigênio, avaliar necessidade de aspiração de vias aéreas, iniciar morfina e sedação paliativa com fentanil endovenoso ou subcutâneo e acionar equipe de cuidados paliativos.
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GabaritoC — Suplementar oxigênio, avaliar necessidade de aspiração de vias aéreas, iniciar morfina endovenosa ou subcutânea, conversar com familiares para entender o contexto clínico e status funcional anterior ao quadro, bem como revisar plano de cuidado previamente definido com a equipe de cuidado paliativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dispneia em paciente oncológica em cuidados paliativos: manejo na emergência

Gabarito: letra C. A conduta inicial ideal combina medidas imediatas de conforto (oxigênio, aspiração se necessário, opioide titulado) com a avaliação do contexto e do plano de cuidados previamente definido pela equipe de cuidados paliativos — é a abordagem que trata o sintoma sem perder de vista os objetivos de cuidado da paciente. A alternativa C é a única que integra todas essas dimensões: suporte, farmacoterapia sintomática e comunicação com a família para entender o status funcional prévio e o plano de cuidado.

A dispneia é definida como uma experiência subjetiva de desconforto respiratório e é um dos sintomas mais angustiantes no fim da vida, especialmente em pacientes com neoplasia de pulmão avançada. No manejo, o primeiro passo é identificar e tratar causas reversíveis (como broncoespasmo, derrame pleural, infecção ou obstrução de vias aéreas por secreção). No entanto, quando a doença de base não tem possibilidade terapêutica curativa, o foco passa a ser o alívio sintomático, e os opioides são os agentes de escolha — não apenas para dor, mas também para dispneia, pois suprimem a percepção da falta de ar. É importante destacar que, na ausência de retenção prévia de CO₂, a depressão respiratória é incomum quando os opioides são usados em doses cuidadosamente tituladas, o que desfaz o medo que muitos médicos têm de prescrevê-los nesse contexto.

A abordagem correta em uma emergência com paciente em cuidados paliativos não é simplesmente "intubar" ou "sedar", mas sim estabilizar o paciente com medidas de conforto enquanto se busca entender o contexto. Isso inclui: suplementar oxigênio (a paciente está hipoxêmica, com SpO₂ 83%), avaliar a necessidade de aspiração (há roncos difusos, sugestivos de secreção), iniciar opioide em dose titulada (morfina EV ou SC é a primeira escolha) e, crucialmente, conversar com os familiares para entender o status funcional anterior e revisar o plano de cuidados previamente definido. Essa conduta respeita a autonomia e os objetivos de cuidado da paciente, evitando intervenções fúteis ou excessivamente agressivas que não estejam alinhadas com seus desejos.

A distinção fundamental que separa as alternativas é entre tratar o sintoma de forma isolada (apenas farmacológico) e tratar o sintoma dentro de um plano de cuidados individualizado. A alternativa C é a única que reconhece que, em cuidados paliativos, a emergência não é apenas um problema fisiológico, mas também um momento de reavaliação do contexto e dos objetivos. As demais alternativas ou são excessivamente agressivas (intubação), ou passivas (aguardar a equipe), ou incompletas (apenas opioide), ou precipitadas (sedação paliativa sem avaliação).

A pegadinha que a banca explora é a tentação de tratar a dispneia como uma emergência respiratória clássica, com intubação imediata, quando na verdade o contexto de cuidados paliativos exige uma abordagem mais matizada, centrada no conforto e nos objetivos de cuidado. O candidato que não considera o contexto paliativo tende a escolher a alternativa A, que é tecnicamente "correta" para uma insuficiência respiratória aguda, mas inadequada para uma paciente com doença avançada e sem informações sobre seus desejos.

Guarde o critério decisivo: em paciente com doença avançada em cuidados paliativos, a conduta inicial deve aliar medidas de conforto imediatas (oxigênio, opioide) à avaliação do contexto e do plano de cuidados — é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

1Medidas imediatas de conforto
Oxigênio (hipoxemia)
Aspiração se secreção
Opioide titulado (morfina EV/SC)
2Avaliação do contexto
Conversar com familiares
Status funcional prévio
Revisar plano de cuidados
3Condutas inadequadas
Intubação imediata (agressiva)
Aguardar equipe sem tratar
Opioide em altas doses
Sedação paliativa precoce
Dispneia em cuidados paliativos
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Dispneia em cuidados paliativos: Medidas imediatas de conforto (Oxigênio (hipoxemia), Aspiração se secreção, Opioide titulado (morfina EV/SC)); Avaliação do contexto (Conversar com familiares, Status funcional prévio, Revisar plano de cuidados); Condutas inadequadas (Intubação imediata (agressiva), Aguardar equipe sem tratar, Opioide em altas doses, Sedação paliativa precoce)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A intubação orotraqueal é uma medida agressiva e invasiva que, em uma paciente com neoplasia de pulmão avançada em cuidados paliativos, pode não estar alinhada com seus objetivos de cuidado. A alternativa ignora completamente o contexto paliativo e a necessidade de avaliar o plano de cuidados previamente definido. Embora a paciente esteja com desconforto respiratório, ela está consciente e normotensa, e a intubação não é a primeira escolha em cuidados paliativos, onde o foco é o conforto. A conduta correta seria iniciar medidas de conforto e avaliar o contexto antes de decidir por intervenções invasivas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aguardar a equipe de cuidados paliativos sem iniciar nenhuma medida imediata é uma conduta passiva e inadequada, pois a paciente está com dispneia grave (SpO₂ 83%, uso de musculatura acessória) e necessita de intervenção imediata para alívio do sintoma. Embora a equipe de cuidados paliativos seja importante para o plano de longo prazo, a emergência exige medidas imediatas de conforto, como oxigênio e opioides, que não podem ser adiadas. A alternativa C, correta, inclui acionar a equipe, mas também iniciar o tratamento sintomático de imediato.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais completa e adequada. Ela combina: (1) suplementar oxigênio — a paciente está hipoxêmica (SpO₂ 83%), e a oxigenoterapia é indicada para hipoxemia significativa; (2) avaliar necessidade de aspiração de vias aéreas — os roncos difusos sugerem secreção, que pode estar contribuindo para a dispneia; (3) iniciar morfina EV ou SC — os opioides são os agentes de escolha para dispneia, e a morfina é a primeira opção, em doses tituladas; (4) conversar com familiares — para entender o contexto clínico, o status funcional anterior e o plano de cuidados previamente definido. Essa abordagem trata o sintoma imediatamente, mas também respeita os objetivos de cuidado da paciente, evitando intervenções fúteis. É a única alternativa que integra o tratamento sintomático com a avaliação do contexto paliativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar morfina em altas doses é um erro, pois a titulação é fundamental para evitar efeitos adversos, especialmente em idosos, que estão sob maior risco de intoxicação por opioides. Além disso, a alternativa não inclui medidas de suporte como oxigênio ou aspiração, nem a avaliação do contexto e do plano de cuidados. A conduta correta é iniciar opioide em dose titulada, não em altas doses, e sempre associar outras medidas de conforto e avaliação do contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa inclui sedação paliativa com fentanil, o que é precipitado e inadequado como conduta inicial. A sedação paliativa é reservada para sintomas refratários e intoleráveis, quando todas as outras medidas falharam, e não deve ser iniciada antes de uma avaliação adequada e da tentativa de controle do sintoma com opioides titulados. Além disso, a alternativa não menciona a conversa com os familiares nem a revisão do plano de cuidados, que são essenciais para uma abordagem centrada no paciente. A conduta correta é iniciar opioide titulado, não sedação, e avaliar o contexto antes de qualquer decisão mais agressiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre emergência respiratória clássica e emergência em cuidados paliativos. Na primeira, a intubação pode ser a conduta correta; na segunda, o foco é o conforto e a avaliação do contexto. O candidato que não considera o contexto paliativo tende a escolher a alternativa A (intubação) ou a E (sedação), que são tecnicamente "agressivas" mas inadequadas para uma paciente com doença avançada. A chave é lembrar que, em cuidados paliativos, a conduta inicial deve ser a menos invasiva possível, priorizando o alívio do sintoma e o respeito aos objetivos de cuidado.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de cuidados paliativos, procure sempre a alternativa que combina tratamento sintomático imediato com avaliação do contexto e do plano de cuidados. Alternativas que propõem apenas medidas farmacológicas, ou apenas aguardar a equipe, ou intervenções agressivas sem avaliação prévia, estão quase sempre incorretas. A abordagem ideal é a que trata o sintoma e respeita a autonomia do paciente.

Gabarito: letra C

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