Questão de Medicina — Geriatria — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Geriatria
Código
qq970714
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Paliativa
São critérios diagnósticos para síndrome da fragilidade, segundo Fried et. al, EXCETO
Aperda de peso não intencional.
Bexaustão avaliada por autorrelato de fadiga.
Cdiminuição da força de preensão manual.
Dbaixo nível de atividade física.
Eaumento da velocidade de marcha.
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GabaritoE — aumento da velocidade de marcha.
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Síndrome da fragilidade: critérios de Fried
Gabarito: letra E. A alternativa E é a INCORRETA (a única que não é critério de Fried) porque o fenótipo da fragilidade, segundo Fried et al., inclui diminuição da velocidade de marcha — e não aumento. Os cinco critérios clássicos são: perda de peso não intencional, exaustão autorrelatada, diminuição da força de preensão manual, baixo nível de atividade física e lentidão da marcha. A banca inverteu o sentido do critério de marcha para induzir o erro.
A síndrome da fragilidade é um estado de vulnerabilidade aumentada, com diminuição da reserva funcional em múltiplos sistemas, que predispõe o idoso a desfechos adversos como quedas, hospitalização, institucionalização e morte. O fenótipo de Fried, proposto em 2001 a partir do Cardiovascular Health Study, é o modelo mais consagrado e operacionaliza a fragilidade em cinco componentes mensuráveis. Cada critério tem uma definição operacional específica: a perda de peso é considerada quando há redução não intencional de 4,5 kg (ou 5% do peso corporal) no último ano; a exaustão é avaliada por autorrelato de fadiga (itens do CES-D); a fraqueza é medida pela força de preensão manual ajustada por sexo e IMC; a atividade física é estimada pelo gasto energético semanal (kcal/semana) em atividades de lazer; e a lentidão é definida pela velocidade de marcha reduzida (ajustada por sexo e altura).
O diagnóstico de fragilidade é feito quando três ou mais desses cinco critérios estão presentes; um ou dois critérios caracterizam pré-fragilidade. É importante distinguir o fenótipo de Fried de outras ferramentas, como o SOF index (que usa apenas três critérios: perda de peso ≥5% em 2 anos, incapacidade de levantar da cadeira 5 vezes sem usar as mãos e relato de "sem energia") e a escala FRAIL (que avalia Fadiga, Resistência, Ambulação, Doenças e Perda de peso). A velocidade de marcha, em particular, é um marcador prognóstico importante: valores abaixo de 0,8 m/s indicam fragilidade ou risco de fragilidade, conforme diretrizes atuais.
A pegadinha desta questão está na inversão do critério de marcha: o fenótipo de Fried exige lentidão (velocidade reduzida), e a alternativa E afirma o oposto — "aumento da velocidade de marcha". O candidato que memorizou os cinco critérios de forma superficial pode não perceber a troca sutil do termo "diminuição" por "aumento". As demais alternativas reproduzem fielmente os critérios originais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca trocou o sentido do critério de marcha: em vez de "diminuição da velocidade de marcha" (que é o correto), escreveu "aumento da velocidade de marcha". Essa inversão de termo é uma armadilha clássica — o candidato que decora a lista sem entender o conceito pode marcar uma alternativa verdadeira (como a letra D) por engano. Fique atento a inversões de sentido em questões de critérios diagnósticos.
Fenótipo de Fried (2001): Perda de peso não intencional (≥ 4,5 kg ou 5% no último ano); Exaustão autorrelatada (Itens da escala CES-D); Fraqueza muscular (Força de preensão manual (ajustada por sexo/IMC)); Baixa atividade física (Gasto energético semanal (kcal/semana)); Lentidão da marcha (Velocidade reduzida (ajustada por sexo/altura)); Diagnóstico (Fragilidade: ≥ 3 critérios, Pré-fragilidade: 1–2 critérios)
Alternativa A — ✅ Correta
A perda de peso não intencional é um dos cinco critérios do fenótipo de Fried. A definição operacional é a perda de ≥4,5 kg (ou ≥5% do peso corporal) no último ano, sem causa identificada. É um marcador de sarcopenia e desnutrição, comuns na fragilidade.
Alternativa B — ✅ Correta
A exaustão é avaliada por autorrelato de fadiga, geralmente por meio de itens da escala CES-D (Center for Epidemiologic Studies Depression Scale), como "sinto que não consigo levar as coisas adiante" ou "sinto que tudo que faço exige esforço". É um critério subjetivo, mas validado no modelo de Fried.
Alternativa C — ✅ Correta
A diminuição da força de preensão manual é o critério de fraqueza muscular no fenótipo de Fried. É medida com dinamômetro e ajustada por sexo e índice de massa corporal (IMC). Reflete a sarcopenia, componente central da fragilidade.
Alternativa D — ✅ Correta
O baixo nível de atividade física é um critério de Fried, estimado pelo gasto energético semanal em atividades de lazer (kcal/semana), ajustado por sexo. Valores abaixo do percentil 20 da população de referência indicam baixa atividade.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa INCORRETA pedida. O critério de Fried é a diminuição da velocidade de marcha (lentidão), não o aumento. A velocidade de marcha reduzida é um marcador de comprometimento funcional e sarcopenia. A banca inverteu o termo para testar o conhecimento literal do fenótipo.
Gabarito: letra E — a única alternativa que não corresponde aos critérios diagnósticos de Fried para síndrome da fragilidade.