Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970748
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Durante o plantão em unidade de urgência, o neurocirurgião é solicitado a avaliar uma paciente do sexo feminino de 25 anos em observação há cerca de 8 horas após queda de motocicleta. A paciente está lúcida, atenta, coerente e orientada. Queixa-se de ausência de movimentação no ombro e braço direitos. Os estudos de imagem por tomografia computadorizada de crânio, colunas cervical, torácica e lombossacra estão normais. Nesse contexto, o neurocirurgião identifica a necessidade de realização de estudo eletroneuromiográfico e solicita que ele seja realizado, preferencialmente, em
Acaráter emergencial.
B1 semana.
C8 semanas.
D3 semanas.
E6 meses.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — 3 semanas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Resolução
Gabarito: letra D — a conta chega a 3 semanas — alternativa D.
A ideia por trás
A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame que avalia a saúde dos nervos periféricos e dos músculos. Ela tem duas partes: a eletroneurografia, que mede a velocidade com que o impulso elétrico viaja pelo nervo, e a eletromiografia de agulha, que registra a atividade elétrica do músculo em repouso e durante a contração. No trauma, ela serve para localizar onde o nervo foi lesado e estimar a gravidade da lesão.
Quando um nervo é lesado, a parte do axônio que ficou separada do corpo celular degenera — é a degeneração walleriana. Esse processo leva de 2 a 3 semanas para acontecer. Só depois que a degeneração ocorre é que aparecem os sinais elétricos de denervação no músculo, como as fibrilações e ondas positivas. Por isso, se o exame for feito antes desse período, ele pode não mostrar a lesão — um falso-negativo. O exame deve ser feito no momento em que esses sinais já estão presentes, ou seja, cerca de 3 semanas após o trauma.
Esta questão cobra exatamente esse intervalo de tempo: a paciente tem um quadro sugestivo de lesão do plexo braquial, e o neurocirurgião precisa saber quando o ENMG vai ser útil. A resposta é esperar o tempo da degeneração walleriana.
O que a questão dá
paciente feminina, 25 anos
queda de motocicleta há 8 horas
ausência de movimentação no ombro e braço direitos
TC de crânio e colunas normais
paciente lúcida, atenta, coerente e orientada
O que queremos: o momento preferencial para realizar a eletroneuromiografia
Passo 1 — Descartar lesão central pelas tomografias
A paciente tem déficit motor em ombro e braço direitos, mas as tomografias de crânio e coluna são normais. Isso afasta lesão central (cérebro ou medula) e aponta para uma lesão dos nervos que saem da medula cervical e formam o plexo braquial — a rede que inerva o membro superior. É esse o cenário que justifica pedir o ENMG.
NÃO CAIA NESSA!
Pensar em lesão medular ou cerebral só porque há déficit motor — mas a TC normal e o fato de a paciente estar lúcida e orientada apontam para o plexo.
Passo 2 — Lembrar do tempo da degeneração walleriana
A degeneração walleriana é o processo pelo qual o axônio lesado se desintegra. Ele leva de 2 a 3 semanas. Só depois disso os sinais de denervação aparecem na eletromiografia. Por isso, o exame deve ser feito após esse período.
NÃO CAIA NESSA!
Confundir o tempo da degeneração com o tempo de regeneração — a regeneração leva meses, mas o exame é para avaliar a lesão, não a recuperação.
Passo 3 — Escolher o intervalo de 3 semanas
A literatura e a prática clínica recomendam aguardar cerca de 3 semanas para realizar o ENMG em traumas nervosos periféricos. Esse é o tempo mínimo para que os sinais de denervação estejam presentes e o exame seja confiável.
NÃO CAIA NESSA!
Escolher 1 semana (muito cedo, falso-negativo) ou 8 semanas (tarde demais, atrasa a conduta).