Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qq970749
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Paciente do sexo masculino, 18 anos, com politraumatismo após queda de motocicleta, chega ao pronto-socorro de um hospital com imobilização padrão. Foi intubado na cena com relato da equipe médica socorrista de estar em Glasgow 05, sendo imediatamente transferido para o ambiente hospitalar. No momento da avaliação, está intubado, sedado e em ventilação mecânica. Manteve-se hemodinamicamente estável. Após as etapas iniciais de atendimento padronizado pelo ATLS, a etapa subsequente consistiu na realização de exames complementares, dentre eles tomografias de crânio, das colunas cervical, torácica, lombossacra, de tórax e de abdome. A tomografia de crânio demostrou linha média centrada, cisternas basais normais, presença de lâmina subdural aguda de 3 mm associada a pequenas áreas contusionais bifrontais. Considerando esse quadro, assinale a conduta correta.
AEncaminhar o paciente para a craniectomia descompressiva bifrontal.
BExiste indicação para a monitorização da pressão intracraniana.
CTrata-se provavelmente de traumatismo craniano moderado.
DDexametasona constitui terapêutica base para o caso em questão.
EÉ imperativa a internação em unidade intensiva e início imediato de manitol.
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GabaritoB — Existe indicação para a monitorização da pressão intracraniana.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Traumatismo cranioencefálico: hematoma subdural agudo e monitorização da PIC
Gabarito: letra B. O paciente apresenta hematoma subdural agudo de 3 mm com contusões bifrontais e Glasgow 5 na cena, o que configura traumatismo craniano grave (Glasgow 3–8). Nesse cenário, há indicação de monitorização da pressão intracraniana (PIC), conforme as diretrizes do ATLS e da neurocirurgia, pois o paciente está em ventilação mecânica e sedado, impossibilitando a avaliação clínica seriada. A conduta correta é a monitorização da PIC, não a craniectomia imediata, nem o uso de dexametasona ou manitol de rotina.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma agressão ao crânio e ao encéfalo que pode cursar com lesões focais (hematomas, contusões) e difusas (edema, lesão axonal). A gravidade é classificada pela Escala de Coma de Glasgow (ECG): leve (13–15), moderado (9–12) e grave (3–8). No caso, o paciente tinha Glasgow 5 na cena, portanto TCE grave. A tomografia mostra hematoma subdural agudo de 3 mm (fino) e contusões bifrontais, com linha média centrada e cisternas basais normais — ou seja, sem sinais de herniação ou efeito de massa importante.
A monitorização da PIC é indicada em pacientes com TCE grave (Glasgow ≤ 8) e tomografia anormal, como hematoma subdural, contusão ou edema. O objetivo é detectar precocemente elevações da PIC e orientar terapêutica, mantendo a pressão de perfusão cerebral (PPC = PAM − PIC) adequada. A craniectomia descompressiva é reservada para casos com efeito de massa significativo, desvio de linha média ou hipertensão intracraniana refratária — não é o caso de um hematoma de 3 mm sem desvio. O manitol é usado para reduzir a PIC em situações de hipertensão intracraniana, mas não é indicado profilaticamente, e deve ser evitado em pacientes hipotensos ou hipovolêmicos. A dexametasona (corticosteroide) não tem papel no TCE agudo, sendo contraindicada por aumentar a mortalidade.
A distinção crucial é entre o hematoma subdural agudo fino (≤ 10 mm) sem efeito de massa, que é manejado clinicamente com monitorização, e o hematoma volumoso (> 10 mm) com desvio de linha média, que exige craniotomia de urgência. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato pode pensar que todo hematoma subdural agudo é cirúrgico, mas a espessura de 3 mm e a ausência de desvio indicam conduta conservadora com monitorização da PIC.
Guarde o critério decisivo: TCE grave (Glasgow ≤ 8) + TC anormal = indicação de monitorização da PIC. É esse binômio que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A craniectomia descompressiva bifrontal é uma cirurgia de grande porte indicada em casos de edema cerebral difuso refratário ou hematomas com efeito de massa significativo. No caso, o hematoma subdural tem apenas 3 mm, sem desvio de linha média e com cisternas basais normais — não há indicação cirúrgica. A conduta é clínica, com monitorização da PIC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem TCE grave (Glasgow 5) e tomografia com hematoma subdural agudo e contusões. Segundo as diretrizes do ATLS e da neurocirurgia, há indicação de monitorização da PIC nesse cenário, pois o paciente está sedado e em ventilação mecânica, impossibilitando a avaliação neurológica seriada. A monitorização permite detectar e tratar precocemente a hipertensão intracraniana.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O traumatismo é grave, não moderado. A classificação pela Escala de Coma de Glasgow: leve (13–15), moderado (9–12) e grave (3–8). O paciente tinha Glasgow 5 na cena, portanto TCE grave. A alternativa erra ao classificar como moderado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dexametasona (corticosteroide) não é terapêutica base no TCE agudo. Estudos demonstram que o uso de corticosteroides aumenta a mortalidade em pacientes com TCE, sendo contraindicados. Não há indicação de dexametasona neste caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A internação em unidade intensiva é adequada, mas o início imediato de manitol não é indicado. O manitol é uma medida de segunda linha para redução da PIC em casos de hipertensão intracraniana, não devendo ser usado profilaticamente. Além disso, deve ser evitado em pacientes hipotensos ou hipovolêmicos, o que não é o caso, mas a conduta correta é a monitorização da PIC, não o manitol de rotina.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre hematoma subdural agudo e cirurgia. O candidato pode pensar que todo hematoma subdural é cirúrgico, mas a espessura de 3 mm, sem desvio de linha média, indica conduta conservadora com monitorização da PIC. A craniectomia é reservada para hematomas volumosos (> 10 mm) ou com efeito de massa.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TCE, decore o binômio: Glasgow ≤ 8 + TC anormal = monitorização da PIC. E lembre: hematoma subdural fino (≤ 10 mm) sem desvio = clínico; hematoma volumoso (> 10 mm) com desvio = cirúrgico. Essa fronteira resolve a maioria das questões.