Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970752
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
A mão de Gilliatt-Sumner, caracterizada por atrofia das musculaturas hipotenar, interóssea e tenar, relaciona-se à
ASíndrome do Desfiladeiro Torácico Neurogênico.
BNeuropatia Compressiva Ulnar.
CSíndrome do Túnel do Carpo.
DAvulsão de C5, C6 e C7.
ENeoplasia Infiltrativa do Tronco Superior do Plexo Braquial.
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GabaritoA — Síndrome do Desfiladeiro Torácico Neurogênico.
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Síndrome do Desfiladeiro Torácico Neurogênico e a mão de Gilliatt-Sumner
Gabarito: letra A. A mão de Gilliatt-Sumner, com atrofia das musculaturas hipotenar, interóssea e tenar, é a manifestação clássica da Síndrome do Desfiladeiro Torácico Neurogênico (SDTN), na qual há compressão das fibras inferiores do plexo braquial (raízes C8-T1), comprometendo predominantemente o nervo ulnar e, em menor grau, o mediano. Essa apresentação clínica específica é o que a distingue das demais neuropatias compressivas periféricas.
A Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT) engloba um grupo de condições causadas pela compressão de estruturas neurovasculares (plexo braquial, artéria ou veia subclávia) em sua passagem pelo desfiladeiro torácico, que é o espaço anatômico compreendido entre a clavícula, a primeira costela e os músculos escalenos. A forma neurogênica, que corresponde à grande maioria dos casos, resulta da compressão das raízes inferiores do plexo braquial, especialmente C8 e T1, que formam o tronco inferior. Essas raízes dão origem ao nervo ulnar e à porção medial do nervo mediano, explicando o padrão de atrofia que caracteriza a mão de Gilliatt-Sumner: atrofia da eminência hipotenar (inervada pelo ulnar), dos músculos interósseos (inervados pelo ulnar) e da eminência tenar (inervada pelo mediano, em sua porção proveniente de C8-T1).
O diagnóstico da SDTN é essencialmente clínico, baseado na história de dor, parestesia e fraqueza na distribuição ulnar, associada à atrofia muscular característica. Os exames eletrofisiológicos (eletroneuromiografia) podem auxiliar, demonstrando diminuição da amplitude do potencial de ação motor do nervo ulnar e do mediano, com preservação das velocidades de condução sensitiva, o que ajuda a diferenciar de outras neuropatias. O tratamento inicial é conservador, com fisioterapia e correção postural; a cirurgia (descompressão do desfiladeiro) é reservada para casos refratários ou com déficit neurológico progressivo.
A principal distinção que a banca explora é entre a SDTN e a neuropatia compressiva ulnar isolada. Embora ambas cursem com atrofia da musculatura hipotenar e interóssea, a SDTN acomete também a musculatura tenar (pela compressão das fibras de C8-T1 que formam o mediano), enquanto a neuropatia ulnar isolada poupa a eminência tenar. Além disso, na SDTN, a compressão ocorre proximalmente, no desfiladeiro torácico, e não no cotovelo ou punho, como na neuropatia ulnar. Essa diferença anatômica é crucial para o diagnóstico diferencial e é exatamente o que separa as alternativas correta e incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a mão de Gilliatt-Sumner com a neuropatia ulnar isolada (alternativa B), pois ambas causam atrofia hipotenar e interóssea. No entanto, a atrofia da musculatura tenar é o diferencial: ela ocorre na SDTN (compressão de C8-T1, que também forma o mediano) e não na neuropatia ulnar isolada, que poupa a eminência tenar. Fique atento a esse detalhe anatômico.
Mão de Gilliatt-Sumner
1Atrofia
Hipotenar (ulnar)
Interóssea (ulnar)
Tenar (mediano C8-T1)
2Causa
SDT Neurogênico (compressão C8-T1)
3Diagnóstico diferencial
Neuropatia ulnar isolada
Poupa tenar
Túnel do carpo
Poupa hipotenar/interóssea
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A mão de Gilliatt-Sumner é a manifestação clássica da Síndrome do Desfiladeiro Torácico Neurogênico. A atrofia das musculaturas hipotenar, interóssea e tenar decorre da compressão das raízes inferiores do plexo braquial (C8-T1), que formam o tronco inferior e dão origem ao nervo ulnar e à porção medial do mediano. Essa combinação de atrofia em territórios de dois nervos diferentes (ulnar e mediano) é o que torna o quadro característico da SDTN.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A neuropatia compressiva ulnar, seja no cotovelo (síndrome do túnel cubital) ou no punho (canal de Guyon), causa atrofia da musculatura hipotenar e interóssea, mas poupa a eminência tenar, pois o nervo ulnar não inerva os músculos tenares (exceto o adutor do polegar e parte do flexor curto). A atrofia tenar presente na mão de Gilliatt-Sumner indica comprometimento adicional do nervo mediano, o que não ocorre na neuropatia ulnar isolada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome do túnel do carpo é a compressão do nervo mediano no punho, causando atrofia da eminência tenar (músculos abdutor curto do polegar, oponente e flexor curto), mas não acomete a musculatura hipotenar nem os interósseos, que são inervados pelo nervo ulnar. Além disso, a apresentação típica inclui parestesia no 1º, 2º e 3º dedos e metade lateral do 4º, com sintomas noturnos, diferente do padrão da SDTN.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A avulsão de C5, C6 e C7 (raízes superiores do plexo braquial) causa paralisia do membro superior com padrão de Erb-Duchenne, acometendo principalmente o deltoide, bíceps e músculos do manguito rotador, com perda sensitiva na face lateral do braço e antebraço. Não há atrofia da musculatura hipotenar, interóssea ou tenar, que são inervadas por C8-T1. A avulsão de C8-T1 causaria a paralisia de Klumpke, com atrofia da musculatura intrínseca da mão, mas o enunciado especifica C5, C6 e C7.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Uma neoplasia infiltrativa do tronco superior do plexo braquial (formado por C5 e C6) causaria déficit motor e sensitivo no território dessas raízes, com fraqueza do deltoide, bíceps e músculos supra e infraespinal, além de dor neuropática. Não produziria a atrofia da musculatura hipotenar, interóssea e tenar, que é característica da compressão das raízes inferiores (C8-T1), como ocorre na SDTN.