Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970757
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Em relação à situação clínica em que exista a indicação de monitorização da pressão intracraniana em paciente com traumatismo craniano grave, considere os seguintes compartimentos anatômicos:1. epidural;2. subdural;3. intraventricular;4. parenquimatoso.Diante da situação apresentada, é correto afirmar que o sistema de monitorização invasivo da pressão intracraniana pode ser implantado nos compartimentos:
A3 e 4 apenas.
B2 e 3 apenas.
C1, 2 e 3 apenas.
D2, 3 e 4 apenas.
E1, 2, 3 e 4.
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GabaritoE — 1, 2, 3 e 4.
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Resolução
Gabarito: letra E — a conta chega a E) 1, 2, 3 e 4.
A ideia por trás
A pressão intracraniana (PIC) é a pressão que o conteúdo da caixa craniana — cérebro, sangue e líquido cefalorraquidiano — exerce sobre as paredes rígidas do crânio. No traumatismo craniano grave, medir essa pressão é essencial porque, se ela subir demais, comprime os vasos e reduz o fluxo de sangue ao cérebro, causando lesão secundária. A monitorização invasiva consiste em colocar um cateter dentro de algum compartimento do crânio para ler essa pressão em tempo real.
A perfusão cerebral depende da diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a PIC: PPC = PAM − PIC. Quanto maior a PIC, menor a pressão que empurra o sangue para o cérebro. Por isso, monitorar a PIC permite agir antes que a perfusão caia a níveis perigosos. Existem vários locais anatomicamente possíveis para inserir o cateter, cada um com vantagens e riscos: o intraventricular é o padrão-ouro e permite drenar líquor, mas tem maior risco de infecção; o parenquimatoso é preciso e pode medir oxigenação; os subdurais e epidurais são menos invasivos, porém menos precisos e não drenam líquor.
A questão não pergunta qual é o melhor método, mas sim quais compartimentos são tecnicamente viáveis para a implantação. A resposta exige conhecer que todos os quatro são opções válidas na prática clínica.
indicação: monitorização da pressão intracraniana em TCE grave
O que queremos: quais compartimentos podem receber o sistema de monitorização invasivo da PIC
Passo 1 — Localizar cada compartimento no crânio
Para saber se um cateter pode ser implantado, precisamos entender onde cada compartimento fica em relação às camadas que envolvem o cérebro. O epidural fica entre o osso e a dura-máter; o subdural, entre a dura-máter e a aracnoide; o intraventricular, dentro dos ventrículos; e o parenquimatoso, no tecido cerebral. Essa localização é o que permite avaliar a viabilidade de cada um.
NÃO CAIA NESSA!
Confundir os espaços: epidural é fora da dura-máter, subdural é logo abaixo dela; intraventricular é dentro dos ventrículos, parenquimatoso é no tecido cerebral.
Passo 2 — Comparar com os locais usados na prática
Agora que sabemos onde cada compartimento fica, precisamos confrontar com o que a prática médica realmente faz. As diretrizes do Brain Trauma Foundation descrevem cateteres para monitorização da PIC em todos esses compartimentos: o intraventricular é o padrão-ouro, mas os outros também são utilizados, cada um com indicações específicas. Portanto, não há nenhum que seja contraindicado de forma absoluta.
NÃO CAIA NESSA!
Achar que apenas o intraventricular é válido por ser o padrão-ouro — isso excluiria os outros três, mas a questão pergunta o que é possível, não o que é melhor.
Passo 3 — Verificar se algum compartimento é inviável
Depois de comparar com a prática, resta checar se existe alguma contraindicação anatômica ou clínica que impeça o uso de algum deles. Como não há, todos os quatro são tecnicamente possíveis. Isso confirma que a alternativa correta é a que inclui todos.
NÃO CAIA NESSA!
Marcar uma alternativa que exclui algum compartimento por desconhecer que ele também é utilizado na prática clínica.