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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970758
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Paciente do sexo masculino, 63 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e etilismo, em uso contínuo de AAS e captopril, encontra-se em atendimento de emergência para avaliação após queda da própria altura, a qual resultou em traumatismo craniano occipital. Não houve alteração do nível de consciência, tampouco náuseas, vômitos e/ou convulsões. O paciente foi encaminhado para estudo tomográfico de crânio, o qual demonstrou atrofia cerebral difusa com ausência de achados agudos relacionados ao trauma recente. Permaneceu em observação por 12 horas e recebeu alta hospitalar sem déficits neurológicos. Para esse caso, qual é a melhor orientação a ser dada no momento da alta hospitalar?
  1. APor apresentar-se em estado neurológico normal após o período de observação, sem déficits e sem alterações tomográficas, não existe indicação de orientação neurocirúrgica complementar.
  2. BA imagem tomográfica dentro da normalidade exclui lesão futura relacionada ao trauma.
  3. CExiste indicação para profilaxia anticonvulsivante por período de 7 dias, visto tratar-se de paciente com baixo limiar convulsivo relacionado ao histórico de etilismo.
  4. DO paciente deve ser encaminhado para a realização de ressonância nuclear magnética de encéfalo.
  5. EOrientar quanto à necessidade de observar o desenvolvimento de cefaleia, confusão mental, hemiparesia e convulsões nos próximos dias/semanas e de retornar ao serviço médico caso algum desses quadros esteja presente.
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GabaritoE — Orientar quanto à necessidade de observar o desenvolvimento de cefaleia, confusão mental, hemiparesia e convulsões nos próximos dias/semanas e de retornar ao serviço médico caso algum desses quadros esteja presente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Traumatismo cranioencefálico leve: orientações de alta

Gabarito: letra E. Em paciente com TCE leve, tomografia sem achados agudos e exame neurológico normal após observação, a conduta correta na alta é orientar sobre os sinais de alarme (cefaleia, confusão mental, hemiparesia, convulsões) e o retorno imediato ao serviço de emergência caso surjam — exatamente o que a alternativa E descreve. Essa orientação é o padrão de segurança em qualquer TCE, pois lesões como hematoma subdural ou epidural podem evoluir de forma tardia, mesmo com TC inicial normal.

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é definido como qualquer lesão decorrente de trauma que atinja o crânio e o encéfalo. A classificação de gravidade se baseia principalmente na Escala de Coma de Glasgow (ECG): leve (13–15), moderado (9–12) e grave (≤ 8). No caso apresentado, o paciente tem TCE leve — sem perda de consciência, sem déficits focais e com TC normal. A atrofia cerebral difusa é um achado crônico, comum em idosos e associada ao etilismo, e não representa lesão aguda.

A principal preocupação no TCE leve é a possibilidade de lesão intracraniana tardia, como hematoma subdural ou epidural, que pode se manifestar horas ou até dias após o trauma. Por isso, mesmo com TC inicial normal, o paciente deve receber orientações claras sobre os sinais de alarme e ser instruído a retornar ao serviço de emergência se qualquer um deles surgir. Essa conduta é universalmente recomendada pelas diretrizes de manejo de TCE, como as do ATLS e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

A alternativa E é a única que contempla essa orientação de segurança. As demais alternativas cometem erros conceituais graves: a A afirma que não há necessidade de orientação, o que é falso; a B diz que a TC normal exclui lesão futura, o que é incorreto; a C indica profilaxia anticonvulsivante sem indicação; e a D sugere ressonância magnética, que não é necessária neste contexto. A banca explora exatamente a falsa sensação de segurança que uma TC normal pode gerar, levando o candidato a subestimar o risco de complicações tardias.

Guarde o princípio: todo paciente com TCE, mesmo leve, deve receber orientações de alta sobre sinais de alarme e retorno ao serviço de emergência. É essa a fronteira que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1TC de crânio sem contraste
  2. 2Observação por 12h
  3. 3Alta com orientações
  4. 4Sinais de alarme
  5. 5Retorno imediato
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que não há indicação de orientação neurocirúrgica complementar. Isso é falso: mesmo com estado neurológico normal e TC sem alterações agudas, o paciente deve receber orientações sobre sinais de alarme e retorno ao serviço de emergência. A ausência de déficits e a TC normal não excluem a possibilidade de complicações tardias, como hematoma subdural ou epidural. A conduta correta é sempre orientar o paciente e seus familiares sobre os sinais de alerta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a TC normal exclui lesão futura relacionada ao trauma. Isso é incorreto: a TC é um exame de imagem estático, que avalia o encéfalo em um momento específico. Lesões como hematomas subdurais crônicos podem se desenvolver de forma lenta e progressiva, manifestando-se dias ou semanas após o trauma. Por isso, a TC normal não exclui a possibilidade de complicações tardias, e o paciente deve ser orientado a retornar ao serviço de emergência se surgirem sintomas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Indica profilaxia anticonvulsivante por 7 dias devido ao histórico de etilismo. Isso é incorreto: a profilaxia anticonvulsivante não é indicada rotineiramente em TCE leve, mesmo em pacientes com histórico de etilismo. A profilaxia é considerada apenas em situações específicas, como TCE grave com hematoma intracraniano ou craniotomia, e mesmo assim por período curto. O etilismo não é indicação isolada para profilaxia anticonvulsivante. Além disso, o paciente não apresentou convulsões, e o risco de crise convulsiva pós-traumática precoce é baixo em TCE leve.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere encaminhamento para ressonância magnética de encéfalo. Isso é desnecessário: a TC de crânio sem contraste é o exame de escolha na avaliação inicial do TCE, por ser rápida, amplamente disponível e sensível para detectar as lesões mais prevalentes, como fraturas, sangramentos e edema. A ressonância magnética é reservada para situações específicas, como suspeita de lesão axonal difusa ou quando a TC não explica o quadro clínico. No caso apresentado, com TC normal e exame neurológico normal, a RM não está indicada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Orientar sobre sinais de alarme (cefaleia, confusão mental, hemiparesia, convulsões) e retorno ao serviço médico é a conduta correta. Essa orientação é essencial para detectar precocemente complicações tardias do TCE, como hematoma subdural ou epidural, que podem se manifestar horas ou dias após o trauma. O paciente deve ser instruído a retornar à emergência se qualquer um desses sintomas surgir. Essa é a recomendação padrão das diretrizes de manejo de TCE leve.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de TCE, desconfie de alternativas que afirmam que "não há necessidade de orientação" ou que "a TC normal exclui lesão futura". A regra de ouro é: todo paciente com TCE, mesmo leve, deve receber orientações de alta sobre sinais de alarme e retorno ao serviço de emergência. Memorize os sinais de alarme: cefaleia progressiva, confusão mental, hemiparesia, convulsões, vômitos, sonolência excessiva e alterações visuais.

Gabarito: letra E

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