Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970767
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Assinale a alternativa correta em relação ao Eletroencefalograma (EEG).
AOs eletrodos colocados no lado direito usualmente recebem uma letra correspondente à área cerebral subjacente e uma numeração ímpar, assim como no eletrodo parietal direito – P5.
BO sistema internacional 10-20 preconiza pontos padronizados para a disposição dos eletrodos, independentemente do tamanho da cabeça, garantindo que sempre haja posicionamento simétrico dos eletrodos.
CPara a realização do exame, é imprescindível que o paciente tenha apresentado um boa noite de sono.
DO EEG normal de um adulto hígido apresenta um ritmo dominante anterior, com presença de ritmo beta de baixa amplitude nas regiões frontocentrais, podendo ocorrer raras ondas teta, esparsas e isoladas, entremeadas ao ritmo beta.
EAs ondas do vértex constituem grupo de ondas rítmicas, com frequência entre 12,5-15,5 Hz e aspecto fusiforme.
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GabaritoB — O sistema internacional 10-20 preconiza pontos padronizados para a disposição dos eletrodos, independentemente do tamanho da cabeça, garantindo que sempre haja posicionamento simétrico dos eletrodos.
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Eletroencefalograma (EEG): sistema 10-20 e ritmos normais
Gabarito: letra B. O sistema internacional 10-20 padroniza a disposição dos eletrodos no couro cabeludo com base em medidas percentuais da distância entre pontos anatômicos de referência (násio e ínio), o que garante um posicionamento proporcional e simétrico independentemente do tamanho da cabeça. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a nomenclatura dos eletrodos, a preparação do paciente e a descrição dos ritmos fisiológicos do EEG.
O eletroencefalograma é o registro gráfico da atividade elétrica cerebral, captada por eletrodos posicionados no couro cabeludo. Para que os exames sejam comparáveis entre diferentes pacientes e serviços, adota-se o sistema internacional 10-20, proposto por Herbert Jasper em 1958. Esse sistema define pontos de colocação dos eletrodos a partir de medidas percentuais (10%, 20%, 20%, 20%, 20% e 10%) da distância entre o násio (depressão acima da raiz do nariz) e o ínio (protuberância occipital externa), tanto no sentido anteroposterior quanto no sentido lateral. Por ser baseado em proporções, o sistema se adapta a qualquer tamanho ou formato de crânio, mantendo a simetria entre os hemisférios — exatamente o que afirma a alternativa B.
A nomenclatura dos eletrodos segue uma lógica específica: cada eletrodo recebe uma letra que indica a região cerebral subjacente (F = frontal, C = central, P = parietal, T = temporal, O = occipital, Fp = frontopolar) e um número que indica o hemisfério — números ímpares para o lado esquerdo e pares para o lado direito. O eletrodo central da linha média recebe a letra "z" (de zero). Assim, um eletrodo parietal direito seria P4, e não P5, como afirma a alternativa A — P5 seria um eletrodo parietal esquerdo, pois 5 é ímpar.
O EEG de um adulto hígido em vigília e relaxado apresenta um ritmo de fundo alfa (8-13 Hz) predominante nas regiões posteriores (occipital), que desaparece com a abertura dos olhos e com a atenção. Nas regiões anteriores (frontocentrais), o ritmo dominante é o beta (acima de 13 Hz), de baixa amplitude. Ondas teta (4-7 Hz) podem aparecer de forma esparsa e isolada, especialmente em jovens, mas não são o ritmo dominante anterior. A alternativa D inverte essa descrição ao afirmar que o ritmo dominante anterior é o beta e que as ondas teta estão "entremeadas ao ritmo beta" — na verdade, o ritmo dominante do adulto é o alfa posterior, e o beta é que predomina nas regiões anteriores.
As ondas do vértex são um fenômeno fisiológico do sono, caracterizadas por ondas agudas, de curta duração, bifásicas ou trifásicas, de alta amplitude, que ocorrem de forma síncrona e simétrica sobre as regiões centrais (vértex) durante o estágio N1 do sono. Não são ondas rítmicas fusiformes — essa descrição corresponde aos fusos do sono (12-14 Hz), que ocorrem no estágio N2. A alternativa E mistura as duas características: frequência de 12,5-15,5 Hz e aspecto fusiforme são típicos dos fusos do sono, não das ondas do vértex.
Quanto à preparação do paciente, o EEG pode ser realizado em vigília, em sono espontâneo ou induzido por privação de sono, dependendo da indicação clínica. Não é imprescindível que o paciente tenha dormido bem na noite anterior; em muitos casos, a privação de sono é proposital para aumentar a probabilidade de registrar atividade epileptiforme durante o sono. A alternativa C, portanto, está incorreta ao tornar obrigatória uma boa noite de sono.
A pegadinha central desta questão está na nomenclatura dos eletrodos (alternativa A) e na descrição dos ritmos (alternativa D): a banca inverte a lateralidade (ímpar/par) e a distribuição topográfica dos ritmos (anterior/posterior). O candidato que decora a regra "ímpar = esquerdo, par = direito" e "alfa = posterior, beta = anterior" resolve a questão com segurança.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na numeração: eletrodos do lado direito recebem numeração par, e não ímpar. A letra indica a região cerebral (P = parietal) e o número indica o hemisfério — ímpares à esquerda, pares à direita. Portanto, o eletrodo parietal direito é P4, e não P5. P5 seria um eletrodo parietal do hemisfério esquerdo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sistema internacional 10-20 define pontos de colocação dos eletrodos baseados em percentuais das distâncias entre pontos anatômicos de referência (násio e ínio, e pré-auriculares). Por ser proporcional, o sistema se adapta a qualquer tamanho de cabeça, garantindo posicionamento simétrico entre os hemisférios. É exatamente o que a alternativa afirma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não é imprescindível que o paciente tenha dormido bem. O EEG pode ser feito em vigília ou em sono, e a privação de sono é frequentemente utilizada como método de ativação para aumentar a sensibilidade do exame na detecção de anormalidades epileptiformes. A alternativa transforma uma possibilidade em obrigatoriedade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A descrição do EEG normal está invertida. No adulto hígido, o ritmo dominante é o alfa (8-13 Hz), nas regiões posteriores (occipital), e não anterior. O ritmo beta (acima de 13 Hz) predomina nas regiões frontocentrais, mas não é o ritmo dominante do traçado como um todo. A alternativa erra ao afirmar que o ritmo dominante anterior é o beta e que as ondas teta estão entremeadas a ele — na verdade, o alfa é o ritmo de fundo dominante, e o beta é um ritmo secundário anterior.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As ondas do vértex são ondas agudas, de curta duração, bifásicas ou trifásicas, de alta amplitude, que ocorrem de forma síncrona e simétrica sobre as regiões centrais durante o sono leve (estágio N1). Não são ondas rítmicas fusiformes. A descrição de "ondas rítmicas com frequência entre 12,5-15,5 Hz e aspecto fusiforme" corresponde aos fusos do sono, que ocorrem no estágio N2, e não às ondas do vértex.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas confusões clássicas: (1) inverte a lateralidade dos eletrodos — "direito = ímpar" quando o correto é "direito = par"; (2) mistura as ondas do vértex com os fusos do sono, atribuindo às primeiras a frequência e o aspecto fusiforme dos segundos. Fique atento a essas trocas — com treino, você as identifica de longe.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a nomenclatura, lembre-se: ímpar = esquerdo, par = direito, z = linha média. E para os ritmos: alfa = posterior (occipital), beta = anterior (frontocentral), teta = esparso, delta = profundo. Essa dupla de regras resolve a maioria das questões sobre EEG normal.