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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970768
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Qual das alternativas a seguir descreve o aumento do jitter observado na eletromiografia (EMG) de fibra única?
  1. AVariabilidade no tempo de disparo entre duas fibras musculares na mesma unidade motora.
  2. BVariabilidade no tempo de disparo entre duas unidades motoras no mesmo músculo.
  3. CFalha de transmissão intermitente do potencial de uma fibra muscular.
  4. DNúmero de potenciais de fibra única disparando em sincronia com a fibra inicial.
  5. EMedida de quantia de acetilcolinérgico. O córtex perisilviano esquerdo está envolvido na geração da fala.
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GabaritoA — Variabilidade no tempo de disparo entre duas fibras musculares na mesma unidade motora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Jitter na eletromiografia de fibra única (EMGFU)

Gabarito: letra A. O jitter é definido como a variabilidade no tempo de disparo entre duas fibras musculares pertencentes à mesma unidade motora, medida pela EMG de fibra única. Essa variabilidade reflete a instabilidade da transmissão neuromuscular na junção, sendo o achado mais sensível no diagnóstico de miastenia gravis (MG).

O jitter é um conceito central na eletroneuromiografia, especialmente no estudo das doenças da junção neuromuscular. Para compreendê-lo, é preciso entender a anatomia funcional da unidade motora: um único neurônio motor inerva várias fibras musculares, e cada fibra é estimulada por um ramo do axônio. Na EMG de fibra única, um eletrodo de agulha especializado registra os potenciais de ação de duas fibras musculares vizinhas que pertencem à mesma unidade motora. Quando o neurônio dispara, os dois potenciais aparecem no traçado com um intervalo de tempo entre eles. Esse intervalo não é constante: ele varia ligeiramente a cada disparo, e essa variação é o jitter.

A origem do jitter está na transmissão neuromuscular. O potencial de ação chega ao terminal axonal, libera acetilcolina na fenda sináptica, e o neurotransmissor se liga aos receptores na placa motora, gerando o potencial de placa terminal que despolariza a fibra muscular. Em condições normais, essa transmissão é rápida e relativamente estável, mas há uma pequena variação no tempo necessário para que o potencial de placa terminal atinja o limiar de disparo da fibra. Em doenças da junção neuromuscular, como a miastenia gravis, a margem de segurança da transmissão está comprometida: há menos receptores de acetilcolina ou o potencial de placa terminal é menor. Isso faz com que o tempo para atingir o limiar varie muito mais, aumentando o jitter. Quando a falha é ainda maior, o potencial de placa terminal não atinge o limiar e a fibra não dispara — é o chamado bloqueio, que na prática se manifesta como fraqueza muscular.

A EMGFU é o exame mais sensível para o diagnóstico de miastenia gravis, revelando jitter aumentado e bloqueio em cerca de 99% dos pacientes com MG generalizada e em 97% daqueles com MG puramente ocular, quando um músculo fraco é testado. É importante distinguir o jitter de outros fenômenos eletromiográficos: a fibrilação é a atividade espontânea de uma única fibra muscular denervada; a fasciculação é a atividade espontânea de parte ou de toda uma unidade motora; e o bloqueio é a falha de transmissão intermitente do potencial de uma fibra, que representa o extremo do aumento do jitter. A banca explora justamente essa confusão entre jitter, bloqueio e outros conceitos.

A pegadinha desta questão está em distinguir o jitter (variabilidade entre duas fibras da mesma unidade motora) do bloqueio (falha de transmissão) e de outros parâmetros. Guarde a fronteira: jitter é variação de tempo, bloqueio é falha de transmissão. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Define corretamente o jitter como a variabilidade no tempo de disparo entre duas fibras musculares na mesma unidade motora. Essa é a definição clássica e literal do conceito: na EMG de fibra única, registram-se os potenciais de duas fibras inervadas pelo mesmo axônio, e o jitter é a variação do intervalo entre esses dois potenciais ao longo dos disparos repetidos. O aumento do jitter é o achado mais sensível na miastenia gravis, refletindo a instabilidade da transmissão neuromuscular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Troca o objeto da medição: o jitter é medido entre duas fibras musculares da mesma unidade motora, não entre duas unidades motoras. A variabilidade entre unidades motoras diferentes não é o que a EMG de fibra única avalia; o exame foca em pares de fibras dentro de uma mesma unidade motora. A banca inverte o nível de análise: fibras (dentro da unidade) versus unidades motoras (entre si).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Descreve o bloqueio, não o jitter. O bloqueio é a falha de transmissão intermitente do potencial de uma fibra muscular, que ocorre quando o potencial de placa terminal não atinge o limiar de disparo. O jitter é a variabilidade do tempo de disparo que precede o bloqueio: conforme a transmissão piora, o jitter aumenta e, em seguida, surge o bloqueio. São fenômenos distintos, embora relacionados na mesma cascata fisiopatológica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Refere-se ao número de potenciais de fibra única disparando em sincronia, que não é o jitter. Na EMG de fibra única, o que se mede é a variação temporal entre dois potenciais, não a contagem de fibras em sincronia. Esse conceito não corresponde a nenhum parâmetro padrão da EMGFU; a banca cria um distrator sem base fisiológica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Mistura dois erros: primeiro, "medida de quantia de acetilcolinérgico" não é uma definição de jitter — o jitter é uma medida eletrofisiológica de tempo, não uma dosagem bioquímica. Segundo, a frase sobre o córtex perisilviano esquerdo e a geração da fala é completamente alheia ao tema, sendo um distrator absurdo para confundir o candidato. O jitter não tem relação com a fala nem com a acetilcolina como "quantia" mensurável na EMG.

Gabarito: letra A — o jitter é a variabilidade no tempo de disparo entre duas fibras musculares da mesma unidade motora, refletindo a instabilidade da transmissão neuromuscular.

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