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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970778
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Um adolescente de 17 anos apresenta-se em consultório queixando-se de sonolência excessiva. Ele adormece com frequência nas aulas e até até mesmo enquanto faz uma apresentação em sala de aula. Sua mãe observa que, quando está com raiva, ele deixa cair objetos ou fica “fraco nos joelhos” e, frequentemente, acorda de manhã, mas não consegue se mover ou falar por 3 minutos antes de sair da cama. Dentre as seguintes alternativas, qual estaria presente nessa condição?
  1. AÍndice de apneia-hipopneia (IAH) de 15.
  2. BEletroencefalograma (EEG) com onda lenta contínua e picos durante o sono.
  3. CLatência do sono de 20 minutos.
  4. DAssociação frequente à hiperfagia e hipersexualidade.
  5. EBaixo nível de hipocretina no líquido cefalorraquidiano.
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GabaritoE — Baixo nível de hipocretina no líquido cefalorraquidiano.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Narcolepsia: tríade clássica e hipocretina

Gabarito: letra E. O quadro descrito — sonolência diurna excessiva, cataplexia (perda súbita do tônus muscular desencadeada por emoções, como "fraqueza nos joelhos" ao ficar com raiva) e paralisia do sono ao acordar — é a tríade clássica da narcolepsia, cuja fisiopatologia envolve a deficiência de hipocretina (orexina) no líquido cefalorraquidiano (LCR), sendo este um critério diagnóstico importante. A alternativa E é a única que descreve um achado diretamente associado a essa condição.

A narcolepsia é um transtorno do sono-vigília de origem central, caracterizado por sonolência diurna excessiva e por uma instabilidade do ciclo sono-vigília, com intrusão de elementos do sono REM no estado de vigília. Essa intrusão explica os três sintomas principais: a cataplexia (perda abrupta e bilateral do tônus muscular, geralmente desencadeada por emoções fortes como riso ou raiva, sem perda de consciência), a paralisia do sono (incapacidade transitória de se mover ou falar ao adormecer ou ao acordar, com duração de segundos a minutos) e as alucinações hipnagógicas (percepções vívidas ao adormecer). A sonolência diurna excessiva é o sintoma mais comum e costuma ser o primeiro a aparecer, manifestando-se como episódios irresistíveis de sono em situações inadequadas, como em sala de aula.

A base fisiopatológica da narcolepsia tipo 1 (com cataplexia) é a perda seletiva dos neurônios produtores de hipocretina no hipotálamo lateral. A hipocretina (também chamada orexina) é um neuropeptídeo que regula a vigília, o apetite e o metabolismo energético. Sua deficiência pode ser mensurada no LCR, e níveis baixos (< 110 pg/mL) são considerados um marcador diagnóstico específico. Essa é a razão pela qual a alternativa E está correta: o baixo nível de hipocretina no LCR é um achado característico da narcolepsia tipo 1.

Na prática clínica, o diagnóstico é confirmado pela polissonografia (que pode mostrar latência do sono reduzida e início do sono REM precoce) e pelo teste de latências múltiplas do sono (TLMS), que demonstra latência média de sono menor que 8 minutos e duas ou mais ocorrências de início do sono REM. A cataplexia, quando presente, é praticamente patognomônica da narcolepsia tipo 1, tornando o quadro clínico bastante sugestivo mesmo antes dos exames complementares.

A banca explora aqui a confusão entre narcolepsia e outros transtornos do sono, como a apneia obstrutiva do sono (que cursa com IAH elevado) e a hipersonia idiopática (que não apresenta cataplexia nem baixa de hipocretina). O diferencial está na cataplexia e na paralisia do sono, que são exclusivas da narcolepsia e apontam diretamente para a deficiência de hipocretina. Guarde essa associação: cataplexia + paralisia do sono + sonolência excessiva = narcolepsia = hipocretina baixa no LCR.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O índice de apneia-hipopneia (IAH) de 15 indica apneia obstrutiva do sono moderada, não narcolepsia. Na apneia, a sonolência diurna é consequência dos despertares repetidos por obstrução das vias aéreas superiores, mas não há cataplexia nem paralisia do sono. O IAH é um parâmetro da polissonografia que mede o número de eventos respiratórios por hora de sono; valores ≥ 15 já são considerados apneia moderada, mas não se relacionam com a fisiopatologia da narcolepsia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O EEG com onda lenta contínua e picos durante o sono descreve um padrão de atividade epileptiforme, típico de epilepsia, não de narcolepsia. Na narcolepsia, o EEG durante o sono mostra um padrão normal de arquitetura do sono, com a particularidade de o sono REM ocorrer precocemente (dentro de 15 minutos do início do sono), mas não há descarga de picos epileptiformes. A banca troca o achado eletroencefalográfico da epilepsia pelo da narcolepsia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A latência do sono de 20 minutos é um valor normal ou até prolongado. Na narcolepsia, a latência do sono é reduzida (menor que 8 minutos no TLMS), refletindo a sonolência patológica. Um valor de 20 minutos não é compatível com o quadro de sonolência excessiva descrito, que levaria a uma latência muito menor. A banca inverte o achado: em vez de latência curta, apresenta uma latência normal, que não sustenta o diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hiperfagia e hipersexualidade não são características da narcolepsia. Embora a hipocretina também regule o apetite, a narcolepsia não cursa tipicamente com hiperfagia; na verdade, alguns pacientes podem apresentar ganho de peso, mas não é um sintoma central. A hipersexualidade não faz parte do quadro. Esses sintomas são mais associados a lesões hipotalâmicas (como no síndrome de Kleine-Levin, que cursa com hipersonia, hiperfagia e hipersexualidade), mas não à narcolepsia. A banca mistura características de outra condição para confundir.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O baixo nível de hipocretina no líquido cefalorraquidiano é um achado patognomônico da narcolepsia tipo 1 (com cataplexia). A perda dos neurônios hipocretinérgicos do hipotálamo lateral leva à deficiência desse neuropeptídeo, que pode ser dosada no LCR. Níveis baixos (< 110 pg/mL) confirmam o diagnóstico, especialmente em pacientes com cataplexia. Essa é a alternativa que melhor se associa à condição descrita no enunciado, que reúne sonolência excessiva, cataplexia e paralisia do sono.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre narcolepsia e outros transtornos do sono. O candidato que associa sonolência diurna excessiva apenas à apneia obstrutiva do sono (alternativa A) ou à hipersonia idiopática (alternativa C) erra a questão. O diferencial está na cataplexia e na paralisia do sono, que são exclusivas da narcolepsia e apontam diretamente para a deficiência de hipocretina. Fique atento: a presença de cataplexia no enunciado é a chave para eliminar as outras opções e escolher a alternativa E.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de narcolepsia, memorize a tríade: sonolência diurna excessiva + cataplexia + paralisia do sono. Quando esses três sintomas aparecerem juntos, a resposta quase sempre envolve a hipocretina baixa no LCR ou o início precoce do sono REM. Compare com a apneia obstrutiva do sono (IAH elevado, sem cataplexia) e com a hipersonia idiopática (latência reduzida, mas sem cataplexia e sem baixa de hipocretina).

Gabarito: letra E

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