Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970784
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Em relação às manifestações neurológicas da Hanseníase, é correto afirmar que
  1. Aa Hanseníase é a segunda principal causa tratável de neuropatia periférica no mundo.
  2. Ba forma Lepromatosa tem uma resposta celular proeminente através de citocinas Th1 (IL-2 e INF-gama).
  3. Ca forma de comprometimento neurológico mais comum é a mononeurite isolada ou múltipla, principalmente em membros superiores.
  4. Dhistologicamente, na forma Tuberculoide, encontra-se reação inflamatória, poucos ou nenhum granuloma e muitos bacilos nas células de Schwann, células endoteliais e macrófagos.
  5. Eo padrão-ouro para diagnóstico definitivo é a biópsia de pele, sendo mais específica e informativa que a biópsia de nervo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a forma de comprometimento neurológico mais comum é a mononeurite isolada ou múltipla, principalmente em membros superiores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: manifestações neurológicas

Gabarito: letra C. A forma de comprometimento neurológico mais comum na hanseníase é a mononeurite isolada ou múltipla, principalmente em membros superiores, pois o bacilo tem predileção por nervos superficiais em regiões de temperatura mais baixa, como o nervo ulnar. Essa afirmação está alinhada com o padrão de neuropatia descrito na literatura, que varia conforme a resposta imune do hospedeiro.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem tropismo por pele e nervos periféricos. O espectro clínico da doença é determinado pela resposta imunológica do indivíduo: no polo tuberculoide (TT), há uma resposta celular eficiente (Th1), com poucos bacilos e lesões localizadas; no polo virchowiano (VV), a resposta celular é deficiente, com grande multiplicação bacilar e comprometimento difuso. Essa diferença imunológica explica os diferentes padrões de neuropatia observados.

O comprometimento neural na hanseníase pode se manifestar de várias formas, dependendo da carga bacilar e da resposta imune. Pacientes com boa resposta celular (tuberculoide) tendem a apresentar mononeuropatia ou mononeurite múltipla, pois os bacilos ficam limitados a alguns ramos nervosos. Já pacientes com hanseníase virchowiana, com alta carga bacteriana, apresentam envolvimento mais difuso, evoluindo para polineuropatia. A hanseníase dimorfa (borderline) manifesta-se mais frequentemente com mononeurite múltipla assimétrica, que pode evoluir para polineuropatia confluente se houver redução da resposta imune.

Os nervos mais comumente acometidos são os superficiais, como o ulnar, o mediano, o fibular comum e o auricular magno, o que explica a predominância do comprometimento em membros superiores. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais cardinais (lesão de pele com alteração de sensibilidade, espessamento de nervo periférico e presença do bacilo), e pode ser complementado por exames como baciloscopia, biópsia de pele ou de nervo, ultrassonografia e eletroneuromiograma.

A banca explora a confusão entre os padrões de neuropatia e as características histológicas dos polos da doença. É fundamental distinguir a mononeurite (típica da forma tuberculoide) da polineuropatia (típica da forma virchowiana), além de conhecer a resposta imune predominante em cada polo. A pegadinha está em inverter essas características, como fazem as alternativas B e D.

Característica

Forma Tuberculoide (TT)

Forma Virchowiana (VV)

Resposta imune predominante

Celular (Th1 – IL-2, IFN-gama)

Humoral (Th2)

Carga bacilar

Poucos bacilos

Muitos bacilos

Padrão histológico

Granulomas bem formados

Infiltrado difuso, macrófagos espumosos (células de Virchow)

Padrão de neuropatia

Mononeurite isolada ou múltipla

Polineuropatia difusa

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hanseníase não é a segunda principal causa tratável de neuropatia periférica no mundo. As causas mais comuns de neuropatia periférica são o diabetes melito e o alcoolismo. A hanseníase é uma causa importante, mas não ocupa essa posição. A banca tenta confundir com a prevalência de outras neuropatias.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A forma lepromatosa (virchowiana) é caracterizada por uma resposta imune humoral (Th2), com produção de anticorpos, e deficiência na resposta celular (Th1). A resposta celular proeminente com citocinas Th1 (IL-2 e IFN-gama) é típica da forma tuberculoide, que apresenta boa resposta imune celular e poucos bacilos. A alternativa inverte o padrão imunológico dos polos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A forma de comprometimento neurológico mais comum na hanseníase é a mononeurite isolada ou múltipla, principalmente em membros superiores. Isso ocorre porque o M. leprae tem predileção por nervos superficiais em regiões de temperatura mais baixa, como o nervo ulnar e o fibular comum. Pacientes com boa resposta celular (tuberculoide) apresentam mononeuropatia ou mononeurite múltipla, enquanto a polineuropatia é mais comum na forma virchowiana.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na forma tuberculoide, histologicamente, encontra-se granulomas bem formados, poucos ou nenhum bacilo e uma reação inflamatória intensa, refletindo a resposta imune celular eficiente. A descrição de "poucos ou nenhum granuloma e muitos bacilos" corresponde à forma virchowiana (lepromatosa), que apresenta infiltrado inflamatório com macrófagos espumosos (células de Virchow) e grande quantidade de bacilos. A alternativa inverte as características histológicas dos polos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da hanseníase é a baciloscopia de esfregaço intradérmico ou a biópsia de pele, mas a biópsia de nervo é mais específica e informativa em casos de forma neural pura, especialmente quando a baciloscopia é negativa. A biópsia de nervo é indicada em casos selecionados, pois é um procedimento mais invasivo e com amostra tecidual limitada. A alternativa superestima o papel da biópsia de pele em relação à de nervo.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qq970784