Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970793
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Como as doenças neurológicas apresentam curso variável, planejar a fase final de vida parece um desafio. As pesquisas sugerem que a intervenção precoce de cuidados paliativos melhora a qualidade de vida e a sobrevida e pode ser associada aos tratamentos curativos. Em relação aos cuidados paliativos em neurologia, assinale a alternativa correta.
  1. ANa fase terminal de doenças graves e incuráveis, é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do paciente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva do cuidado integral, independente da vontade do paciente ou de seu representante legal.
  2. BEm pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada <50% é um indicador de pior prognóstico.
  3. CDeve-se evitar os medicamentos opioides para controle de dor e dispneia em pacientes portadores de demência em fase final de vida.
  4. DO protocolo SPIKES é utilizado na definição das terapias de final de vida.
  5. EPacientes com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral com pontuação >3 na escala de Rankin têm melhor prognóstico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada <50% é um indicador de pior prognóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados paliativos em neurologia: prognóstico e ética

Gabarito: letra B. Em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a capacidade vital forçada (CVF) < 50% do previsto é um marcador de pior prognóstico, indicando distúrbio ventilatório restritivo avançado e maior risco de insuficiência respiratória — a alternativa correta espelha esse dado clínico. As demais alternativas contêm erros conceituais ou éticos, como a desconsideração da autonomia do paciente na limitação de tratamentos (A), a contraindicação equivocada de opioides na demência (C), a atribuição incorreta do protocolo SPIKES (D) e a inversão do valor prognóstico da escala de Rankin (E).

Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa à qualidade de vida de pacientes com doenças que ameaçam a vida, integrando-se precocemente ao tratamento modificador da doença, e não apenas na fase terminal. O princípio fundamental é afirmar a vida, não acelerar nem adiar a morte, aliviar a dor e outros sintomas, e oferecer suporte ao paciente e à família. A autonomia do paciente é um pilar ético: qualquer decisão sobre limitar ou suspender tratamentos que prolonguem a vida deve respeitar a vontade do paciente ou de seu representante legal, em processo de decisão compartilhada. A comunicação de más notícias e o planejamento de cuidados são ferramentas essenciais, e o protocolo SPIKES é um método estruturado para essa comunicação, não para definir terapias de fim de vida.

Na neurologia, doenças como ELA, demência e AVC têm trajetórias variáveis, e a integração precoce de cuidados paliativos melhora a qualidade de vida e, em alguns estudos, até a sobrevida. Na ELA, a fraqueza muscular progressiva compromete a ventilação, e a CVF é um parâmetro objetivo para avaliar a gravidade do distúrbio ventilatório restritivo. Valores abaixo de 50% indicam comprometimento significativo, associado a pior prognóstico e maior risco de complicações respiratórias, como insuficiência respiratória e pneumonia aspirativa. Esse dado é amplamente utilizado na prática clínica para decisões sobre suporte ventilatório não invasivo e planejamento de cuidados.

A distinção entre cuidados paliativos e cuidados de fim de vida é crucial: os primeiros podem ser oferecidos desde o diagnóstico, em conjunto com tratamentos modificadores da doença, enquanto os segundos são específicos para a fase terminal. A banca explora essa confusão, além de inverter conceitos éticos e escalas prognósticas. O critério decisivo para as alternativas é o conhecimento técnico específico de cada doença e dos protocolos de comunicação, além do respeito à autonomia do paciente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que a limitação ou suspensão de procedimentos que prolongam a vida pode ocorrer "independente da vontade do paciente ou de seu representante legal". Isso contraria o princípio da autonomia, pilar da ética médica. A decisão de limitar ou suspender tratamentos deve ser compartilhada com o paciente ou seu representante, respeitando seus valores e desejos. A alternativa descreve uma conduta paternalista, que não é aceita na prática paliativa moderna. O correto é que o médico pode propor a limitação, mas sempre com o consentimento informado do paciente ou responsável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que, em pacientes com ELA, um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada (CVF) < 50% é um indicador de pior prognóstico. A CVF é um parâmetro objetivo para avaliar a função respiratória, e valores abaixo de 50% indicam comprometimento significativo, associado a maior risco de insuficiência respiratória e mortalidade. Esse dado é utilizado para decisões sobre suporte ventilatório não invasivo e planejamento de cuidados, sendo um marcador prognóstico bem estabelecido na literatura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que se deve evitar opioides para controle de dor e dispneia em pacientes com demência em fase final de vida. Isso é incorreto: opioides são medicamentos essenciais no controle de sintomas em cuidados paliativos, incluindo dor e dispneia, mesmo em pacientes com demência. A demência não contraindica o uso de opioides; o que se deve fazer é ajustar a dose e monitorar cuidadosamente os efeitos adversos, como sedação e depressão respiratória. A alternativa reflete um equívoco comum, mas a prática clínica recomenda o uso adequado de opioides para alívio do sofrimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O protocolo SPIKES é um método estruturado para comunicação de más notícias, não para definição de terapias de fim de vida. Ele foi desenvolvido para auxiliar médicos a comunicar diagnósticos e prognósticos difíceis de forma empática e clara. A definição de terapias de fim de vida envolve decisão compartilhada, planejamento antecipado de cuidados e discussão de metas, mas não é função do SPIKES. A alternativa confunde duas ferramentas distintas da prática clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que pacientes com AVC e pontuação >3 na escala de Rankin têm melhor prognóstico. Isso é incorreto: a escala de Rankin mede o grau de incapacidade funcional, e pontuações mais altas indicam maior incapacidade e pior prognóstico. Uma pontuação >3 significa dependência moderada a grave, associada a pior qualidade de vida e maior mortalidade. A alternativa inverte o sentido da escala, que é um erro conceitual grave.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qq970793