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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970797
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Na hemiplegia pós-AVC, a neurólise química seletiva é uma alternativa de tratamento para espasticidade e pode ser realizada com álcool, fenol ou toxina botulínica do tipo A. Sobre as neurólises, assinale a alternativa correta.
  1. AA neurólise química realizada com álcool ou fenol tem maior segurança e menos efeitos colaterais do que a toxina botulínica do tipo A.
  2. BA toxina botulínica age no terminal dos receptores alfa-adrenérgicos 1 e 2.
  3. CQuando utilizar-se o fenol como agente da neurólise, empregá-lo na concentração de 10% em solução aquosa.
  4. DA neurólise química seletiva com fenol deve ser feita no ponto motor dos músculos.
  5. EPor sua ação lítica sobre a bainha de mielina do nervo, o fenol não deve ser empregado sobre nervos mistos pelo risco de disestesia.
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GabaritoE — Por sua ação lítica sobre a bainha de mielina do nervo, o fenol não deve ser empregado sobre nervos mistos pelo risco de disestesia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurólise química na espasticidade pós-AVC

Gabarito: letra E. O fenol, por sua ação lítica sobre a bainha de mielina, não deve ser empregado em nervos mistos (motores + sensoriais) pelo risco de disestesia/dor neurogênica — sendo mais seguro o uso em nervos motores puros. Essa é a alternativa correta, pois reflete o cuidado essencial na aplicação do fenol.

A neurólise química é uma técnica utilizada no tratamento da espasticidade, que consiste na aplicação de agentes químicos (álcool, fenol ou toxina botulínica tipo A) para interromper seletivamente a condução nervosa e reduzir o tônus muscular excessivo. Cada agente tem mecanismo de ação, indicações e riscos próprios, e a escolha depende do quadro clínico e da experiência do profissional.

O fenol é um agente neurodestrutivo que age desnaturando proteínas e causando lesão na bainha de mielina e no axônio. Por isso, quando aplicado em nervos mistos — que contêm tanto fibras motoras quanto sensoriais —, pode gerar dor neurogênica e disestesia, pois a lesão das fibras sensoriais produz sensações anormais. A recomendação é utilizá-lo preferencialmente em nervos motores puros ou no ponto motor do músculo, minimizando o risco de complicações sensitivas.

A toxina botulínica tipo A (TBA), por outro lado, atua na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de acetilcolina na fenda sináptica. Ela é mais seletiva e reversível, com menos efeitos adversos, sendo considerada a primeira escolha na maioria dos casos de espasticidade focal. O álcool também é usado como agente neurótico, mas com perfil de segurança inferior ao da TBA.

A pegadinha da banca está em inverter a relação de segurança entre os agentes: o álcool e o fenol são mais agressivos e com mais efeitos colaterais que a TBA, não o contrário. Além disso, a concentração correta do fenol para neurólise é de 3% a 7% em solução aquosa, e não 10%.

Guarde a fronteira entre os agentes: TBA = bloqueio pré-sináptico da acetilcolina, reversível e seguro; fenol/álcool = neurodestruição, com risco de disestesia em nervos mistos. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Agente

Mecanismo de ação

Segurança/Efeitos

Indicação/Precaução

Toxina botulínica tipo A (TBA)

Bloqueio pré-sináptico da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular

Mais seletiva e reversível; menos efeitos adversos

Primeira escolha na espasticidade focal

Fenol

Neurodestruição: desnatura proteínas, lesa mielina e axônio

Mais agressivo; risco de disestesia/dor neurogênica

Não usar em nervos mistos; usar em nervos motores puros; concentração 3% a 7%

Álcool

Neurodestruição (agente neurótico)

Perfil de segurança inferior ao da TBA

Uso como alternativa, com mais riscos que a TBA

1Toxina botulínica A
Bloqueia liberação de acetilcolina
Mais segura e reversível
2Fenol
Ação lítica na mielina
Risco de disestesia em nervos mistos
Uso em nervos motores puros
Concentração 3% a 7%
3Álcool
Neurodestrutivo
Perfil de segurança inferior à TBA
Neurólise química
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Neurólise química: Toxina botulínica A (Bloqueia liberação de acetilcolina, Mais segura e reversível); Fenol (Ação lítica na mielina, Risco de disestesia em nervos mistos, Uso em nervos motores puros, Concentração 3% a 7%); Álcool (Neurodestrutivo, Perfil de segurança inferior à TBA)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que álcool ou fenol têm maior segurança e menos efeitos colaterais que a TBA. É o inverso: a TBA é mais segura e seletiva, com menos efeitos adversos, enquanto álcool e fenol são agentes neurodestrutivos com maior risco de complicações, como dor e disestesia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A TBA age bloqueando a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, e não nos receptores alfa-adrenérgicos. Esses receptores estão relacionados ao sistema nervoso simpático, não à placa motora.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A concentração correta do fenol para neurólise é de 3% a 7% em solução aquosa, e não 10%. Concentrações mais altas aumentam o risco de lesão tecidual e complicações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A neurólise com fenol deve ser feita em nervos motores puros, e não no ponto motor dos músculos. O ponto motor é o local de entrada do nervo no músculo, mas a aplicação do fenol é mais segura diretamente no nervo motor, evitando fibras sensoriais.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O fenol tem ação lítica sobre a bainha de mielina, e por isso não deve ser empregado em nervos mistos, pois a lesão das fibras sensoriais pode causar disestesia e dor neurogênica. É mais seguro utilizá-lo em nervos motores puros, como mencionado na literatura sobre o tema.

Gabarito: letra E

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