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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970800
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Uma das complicações mais frequentes encontradas na lesão medular é a ossificação heterotópica. Quais são os critérios para se indicar correção cirúrgica?
  1. ACintilografia óssea mostrando captação intensa no local.
  2. BTamanho e localização da lesão.
  3. CComprometimento funcional e dosagem normal de fosfatase alcalina no soro.
  4. DTempo de evolução da doença.
  5. ENão há indicação cirúrgica nesses casos.
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GabaritoC — Comprometimento funcional e dosagem normal de fosfatase alcalina no soro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ossificação heterotópica na lesão medular: critérios de correção cirúrgica

Gabarito: letra C. A indicação cirúrgica da ossificação heterotópica (OH) pós-lesão medular baseia-se no comprometimento funcional causado pela lesão (limitação de amplitude de movimento, anquilose, compressão neurovascular) e na dosagem normal de fosfatase alcalina no soro, que indica maturação da lesão óssea — condição essencial para reduzir o risco de recidiva e complicações no pós-operatório. As demais alternativas trazem critérios isolados ou inadequados, que não são, por si só, indicação de tratamento cirúrgico.

A ossificação heterotópica é a formação de osso maduro em tecidos moles extraesqueléticos, sendo uma complicação frequente e potencialmente incapacitante em pacientes com lesão medular, especialmente nos primeiros meses após o trauma. O processo inicia-se com uma resposta inflamatória local, seguida de proliferação de células mesenquimais que se diferenciam em osteoblastos, culminando na deposição de matriz óssea. Clinicamente, manifesta-se com edema, calor local, rubor e limitação progressiva da mobilidade articular, podendo evoluir para anquilose completa — quadro que compromete gravemente a reabilitação e a qualidade de vida do paciente.

O diagnóstico é confirmado por exames de imagem: a radiografia convencional só evidencia a calcificação após algumas semanas; a cintilografia óssea com tecnécio-99m é o método mais sensível e precoce, mostrando captação aumentada na fase de atividade; a tomografia computadorizada e a ressonância magnética auxiliam na avaliação anatômica e na relação com estruturas neurovasculares. A dosagem sérica de fosfatase alcalina costuma estar elevada na fase ativa da doença, refletindo a intensa atividade osteoblástica.

O tratamento inicial é conservador e inclui fisioterapia para manutenção da amplitude de movimento, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (como indometacina) e, em alguns casos, bifosfonatos. A indicação de ressecção cirúrgica é reservada para casos selecionados, quando a OH causa comprometimento funcional significativo — como limitação grave de movimento que impede a reabilitação, posicionamento ou atividades de vida diária, ou quando há compressão de estruturas neurovasculares. O momento ideal para a cirurgia é após a maturação da lesão, evidenciada pela normalização dos níveis séricos de fosfatase alcalina e pela diminuição da captação na cintilografia óssea, o que reduz o risco de recidiva. A ressecção precoce, na fase ativa, está associada a maior taxa de recorrência e complicações.

A pegadinha da banca está em associar a cintilografia óssea com captação intensa (alternativa A) à indicação cirúrgica, quando, na verdade, esse achado indica atividade da doença — ou seja, é um critério de contraindicação relativa para cirurgia, pois a lesão ainda não está madura. Da mesma forma, o tamanho e a localização da lesão (alternativa B) e o tempo de evolução (alternativa D) são fatores que influenciam a decisão, mas não são critérios isolados de indicação cirúrgica. A alternativa E é claramente incorreta, pois há sim indicação cirúrgica em casos selecionados.

Guarde o par decisivo: comprometimento funcional + fosfatase alcalina normal (maturação da lesão) — é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Critério

Indicação cirúrgica (correta)

Achados que NÃO indicam cirurgia (pegadinhas)

Comprometimento funcional

Presente e significativo (limitação de movimento, anquilose, compressão neurovascular)

Ausente ou irrelevante, mesmo com lesão extensa

Fosfatase alcalina sérica

Normal (maturação da lesão)

Elevada (atividade da doença)

Cintilografia óssea

Captação diminuída (lesão madura)

Captação intensa (fase ativa — contraindicação relativa)

Tempo de evolução

Não é critério isolado; importa a evidência objetiva de maturação

Tempo decorrido isoladamente não define indicação

1Critérios essenciais
Comprometimento funcional
Fosfatase alcalina normal (maturação)
2Contraindicação relativa
Captação intensa na cintilografia
Fosfatase alcalina elevada
3Fatores que influenciam (não isolados)
Tamanho e localização
Tempo de evolução
Indicação cirúrgica da OH
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Indicação cirúrgica da OH: Critérios essenciais (Comprometimento funcional, Fosfatase alcalina normal (maturação)); Contraindicação relativa (Captação intensa na cintilografia, Fosfatase alcalina elevada); Fatores que influenciam (não isolados) (Tamanho e localização, Tempo de evolução)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cintilografia óssea com captação intensa indica atividade da doença (fase proliferativa), não maturação. Na verdade, a captação intensa é um sinal de que a OH está em fase ativa, o que contraindica a cirurgia eletiva, pois o risco de recidiva é alto. O exame é útil para diagnóstico precoce e acompanhamento, mas não é, isoladamente, critério de indicação cirúrgica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tamanho e a localização da lesão são fatores que influenciam a decisão cirúrgica, mas não são critérios isolados. Uma OH pequena e bem localizada pode não causar comprometimento funcional significativo, dispensando a cirurgia; por outro lado, uma lesão extensa, mas sem impacto funcional, também não justifica o procedimento. O que define a indicação é o impacto funcional que a lesão causa, não suas dimensões ou posição por si só.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta combina os dois critérios essenciais: comprometimento funcional (limitação de movimento, anquilose, compressão neurovascular que impede reabilitação) e dosagem normal de fosfatase alcalina no soro (indicando maturação da lesão). A cirurgia só é indicada quando a OH causa déficit funcional relevante E a lesão está madura, o que reduz o risco de recidiva e complicações pós-operatórias.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tempo de evolução da doença, por si só, não é critério de indicação cirúrgica. Embora a maturação da lesão ocorra ao longo do tempo (geralmente 6 a 18 meses), o que importa é a evidência objetiva de maturação (fosfatase alcalina normal, cintilografia com captação diminuída), não apenas o tempo decorrido. Uma lesão pode permanecer ativa por longo período, e outra pode maturar mais rapidamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Há sim indicação cirúrgica em casos selecionados de ossificação heterotópica. A ressecção cirúrgica é indicada quando há comprometimento funcional significativo, como anquilose articular que impede a reabilitação, ou compressão neurovascular, desde que a lesão esteja madura. A alternativa nega a existência de tratamento cirúrgico, o que contraria a prática clínica estabelecida.

Gabarito: letra C

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