Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970806
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Paciente de 6 anos com mielomeningocele apresenta queixa de dor, fraqueza e espasticidade em membros inferiores, piora do padrão de marcha e piora da incontinência urinária. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa correta.
  1. AOs sintomas apresentados são indicativos da progressão inexorável da doença.
  2. BÉ necessário realizar exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética de coluna para investigar complicações, como medula presa.
  3. CDeve-se reduzir a intensidade dos exercícios realizados com esse paciente, pois a dor, a fraqueza e a espasticidade são indicativos de que ele está apresentando fadiga.
  4. DDeve-se indicar o tratamento com toxina botulínica imediatamente para melhora da espasticidade e, assim, obter melhores condições para o tratamento de reabilitação.
  5. EOs sintomas apresentados indicam que o paciente não está aderindo adequadamente ao tratamento ou as órteses utilizadas não estão adequadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — É necessário realizar exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética de coluna para investigar complicações, como medula presa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mielomeningocele e medula presa: quando a piora clínica exige investigação

Gabarito: letra B. Em paciente com mielomeningocele, o surgimento ou a piora de dor, fraqueza, espasticidade em membros inferiores, alteração do padrão de marcha e piora da incontinência urinária é um sinal de alerta clássico para complicações neurológicas secundárias — em especial a síndrome da medula presa (tethered cord syndrome) —, que exige investigação por imagem, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada de coluna. As demais alternativas atribuem os sintomas a causas benignas ou tratamentos isolados, o que contraria a conduta médica adequada.

A mielomeningocele é a forma mais comum de disrafismo espinhal aberto, caracterizada pela exteriorização das meninges e da medula espinhal através de um defeito no fechamento do tubo neural. O defeito neurológico costuma ser estável após o reparo cirúrgico neonatal, mas o paciente permanece em risco de desenvolver complicações secundárias ao longo da vida. A síndrome da medula presa ocorre quando a medula espinhal fica fixada (aderida) a estruturas adjacentes, geralmente por tecido cicatricial, lipoma ou diastematomielia, impedindo sua ascensão normal dentro do canal vertebral. Com o crescimento da criança, essa fixação traciona a medula, levando a isquemia e disfunção neurológica progressiva.

Os sintomas da medula presa são exatamente os descritos no enunciado: dor lombar ou nos membros inferiores, fraqueza muscular, espasticidade, alterações sensitivas, piora do padrão de marcha e disfunção vesical ou intestinal (piora da incontinência). A piora neurológica em um paciente com mielomeningocele nunca deve ser atribuída a "progressão natural" da doença, fadiga ou falta de adesão ao tratamento sem antes excluir uma causa tratável. A investigação por imagem é o passo fundamental, sendo a ressonância magnética o exame de escolha para avaliar a medula espinhal, o cone medular e possíveis aderências; a tomografia computadorizada pode ser útil em casos específicos, como na avaliação óssea.

O tratamento da medula presa é cirúrgico (neurocirurgia para liberação da medula), e o manejo da espasticidade — que pode incluir toxina botulínica, fisioterapia, órteses e medicações — é complementar e deve ser individualizado. A toxina botulínica não é a primeira conduta diante de uma piora neurológica aguda ou subaguda, pois trata o sintoma (espasticidade) sem abordar a causa. Da mesma forma, reduzir exercícios por supor fadiga, ou culpar a não adesão ao tratamento, são condutas que ignoram a possibilidade de uma complicação grave e potencialmente reversível.

A distinção crucial é: piora neurológica em mielomeningocele = investigar complicação, não assumir benignidade. A banca explora exatamente essa armadilha, oferecendo alternativas que parecem razoáveis (fadiga, não adesão) mas que são perigosas por adiarem o diagnóstico. O critério decisivo para a questão é reconhecer que a piora funcional e a incontinência urinária são bandeiras vermelhas que impõem investigação por imagem.

  1. 1Piora clínica (dor, fraqueza, espasticidade, incontinência)
  2. 2Investigar complicação (medula presa, siringomielia)
  3. 3Ressonância magnética (padrão-ouro)
  4. 4Tratar a causa (cirurgia) + sintomas
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os sintomas indicam "progressão inexorável da doença". A mielomeningocele, após o reparo cirúrgico, não tem progressão neurológica inevitável; a piora clínica sugere complicação secundária (como medula presa, siringomielia, hidrocefalia ou disfunção de derivação), que pode ser tratável. Atribuir os sintomas a uma evolução natural é um erro grave, pois impede a investigação e o tratamento da causa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta. A piora de dor, fraqueza, espasticidade, marcha e incontinência urinária em paciente com mielomeningocele é indicação formal de investigação por imagem da coluna — ressonância magnética (preferencial) ou tomografia computadorizada — para diagnosticar complicações como a síndrome da medula presa. A ressonância magnética é o padrão-ouro para avaliar a medula, o cone medular e aderências, sendo essencial para o planejamento cirúrgico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere reduzir exercícios por supor fadiga. A dor, fraqueza e espasticidade não são indicativos de fadiga muscular isolada; são sintomas neurológicos que podem representar uma complicação grave. Reduzir a reabilitação sem investigar a causa é conduta inadequada e potencialmente perigosa, pois pode mascarar ou agravar o quadro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Indica toxina botulínica imediatamente para espasticidade. A toxina botulínica trata o sintoma (espasticidade), mas não a causa da piora neurológica. Antes de qualquer intervenção sintomática, é obrigatório investigar a etiologia da piora (medula presa, por exemplo). Além disso, a toxina botulínica não é indicada como primeira linha sem avaliação completa e sem excluir complicações cirúrgicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Atribui os sintomas a não adesão ao tratamento ou órteses inadequadas. Embora a adesão e a adequação das órteses sejam importantes na reabilitação, a piora neurológica (especialmente a incontinência urinária) não pode ser explicada apenas por esses fatores. A hipótese de complicação orgânica deve ser sempre investigada antes de se atribuir a piora a causas comportamentais ou de equipamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato aceitar explicações "simples" para a piora clínica (fadiga, não adesão, progressão natural), quando o correto é pensar em complicação neurológica tratável. Em mielomeningocele, toda piora neurológica ou funcional exige investigação por imagem — nunca assuma benignidade sem excluir medula presa.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, diante de piora neurológica em paciente com disrafismo espinhal, lembre-se do mnemônico "Piorou? Imagem!" — a conduta é sempre investigar complicações (medula presa, siringomielia, hidrocefalia) antes de tratar sintomas isoladamente.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qq970806