Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970810
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Neurofisiologia Clínica
Os principais sinais clínicos que levam ao diagnóstico de abdome agudo no paciente com lesão medular acima de T6 são
Ador abdominal acompanhada de sinais de disreflexia autonômica e diminuição da espasticidade.
Baumento da espasticidade, ausência de ruídos hidroaéreos, sinais de disreflexia autonômica e dor referida no ombro, eventualmente.
Cempastamento de fossa ilíaca, dor abdominal intensa com ou sem presença de dor referida e aumento da espasticidade.
Dfebre, mal-estar súbito, aumento da espasticidade e dor abdominal com reação de defesa na parede abdominal.
Epresença constante de dor referida no ombro, acompanhada de dor abdominal exuberante de dor e rigidez.
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GabaritoB — aumento da espasticidade, ausência de ruídos hidroaéreos, sinais de disreflexia autonômica e dor referida no ombro, eventualmente.
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Abdome agudo na lesão medular acima de T6
Gabarito: letra B. No paciente com lesão medular acima de T6, o abdome agudo se manifesta de forma atípica: a dor abdominal pode ser discreta ou ausente, e os sinais clássicos de peritonite (defesa, rigidez) são substituídos por aumento da espasticidade, sinais de disreflexia autonômica (hipertensão paroxística, bradicardia, cefaleia, sudorese), ausência de ruídos hidroaéreos e, eventualmente, dor referida no ombro (irritação diafragmática). A alternativa B reúne exatamente esses elementos, sendo a única que descreve o quadro de forma completa e fiel à fisiopatologia.
O abdome agudo é uma síndrome caracterizada por dor abdominal intensa e súbita, geralmente acompanhada de sinais de irritação peritoneal, exigindo diagnóstico e tratamento urgentes. No paciente com lesão medular, especialmente acima de T6, o quadro clínico é profundamente modificado pela interrupção das vias sensitivas e autonômicas. A perda da sensibilidade visceral e parietal abaixo do nível da lesão faz com que a dor abdominal clássica seja atenuada ou mesmo ausente, o que retarda o diagnóstico e aumenta a morbimortalidade. Em vez da dor, o que chama a atenção são manifestações decorrentes da hiperatividade simpática reflexa — a chamada disreflexia autonômica — e da liberação do arco reflexo espinhal, que se expressa pelo aumento da espasticidade.
A disreflexia autonômica é uma emergência médica que ocorre em lesões medulares acima de T6, caracterizada por uma resposta simpática exagerada a estímulos nociceptivos abaixo do nível da lesão, como uma distensão abdominal, uma infecção urinária ou uma úlcera de pressão. Clinicamente, manifesta-se por hipertensão arterial paroxística, bradicardia, cefaleia intensa, sudorese profusa acima do nível da lesão e rubor cutâneo. No contexto do abdome agudo, a distensão visceral ou a irritação peritoneal funcionam como o estímulo desencadeante, e a disreflexia pode ser o primeiro — e às vezes o único — sinal de alerta. A ausência de ruídos hidroaéreos, por sua vez, reflete o íleo paralítico que acompanha a peritonite ou a obstrução intestinal, e a dor referida no ombro é consequência da irritação do diafragma, cuja inervação (nervo frênico, C3-C5) é suprassegmentar à lesão e, portanto, preservada.
A compreensão desses mecanismos é essencial para o raciocínio clínico. O exame físico abdominal, que normalmente se baseia na palpação profunda e na pesquisa de descompressão brusca, perde muito de sua acurácia no lesado medular, pois a contratura muscular voluntária e a dor à palpação estão ausentes. O que se observa, em contrapartida, é um aumento do tônus muscular — a espasticidade — que pode ser confundido com rigidez abdominal, mas que não é acompanhado da dor característica. Por isso, a tríade "aumento da espasticidade + disreflexia autonômica + alteração do trânsito intestinal" deve levantar imediatamente a suspeita de abdome agudo, mesmo na ausência de dor referida pelo paciente. A dor referida no ombro, quando presente, é um sinal de irritação diafragmática e reforça o diagnóstico, mas não é um achado constante.
A banca explora exatamente essa inversão de expectativa: o candidato treinado no abdome agudo clássico busca a dor intensa e a defesa abdominal, mas no lesado medular esses sinais estão mascarados. A alternativa correta é a que reconhece a apresentação atípica e valoriza os sinais autonômicos e espásticos, que são os verdadeiros protagonistas do quadro. As demais alternativas ou omitem elementos essenciais, ou incluem sinais que não são esperados nesse contexto, ou ainda descrevem o quadro de forma incompleta ou incorreta. Guarde a fronteira entre o abdome agudo clássico e o abdome agudo no lesado medular: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Abdome agudo no lesado medular (acima de T6)
1Fisiopatologia
Interrupção das vias sensitivas
Dor atenuada ou ausente
Liberação do arco reflexo
Aumento da espasticidade
Hiperatividade simpática
Disreflexia autonômica
2Sinais clínicos
Aumento da espasticidade
Ausência de ruídos hidroaéreos (íleo paralítico)
Disreflexia autonômica (hipertensão, bradicardia)
Dor referida no ombro
eventual, irritação diafragmática
3Sinais ausentes
Dor abdominal intensa
Defesa/rigidez da parede
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há diminuição da espasticidade, quando o correto é o aumento. A espasticidade é um sinal de liberação do arco reflexo espinhal, e qualquer estímulo nociceptivo abaixo do nível da lesão — como uma distensão abdominal — tende a exacerbá-la, não a diminuí-la. A alternativa acerta ao mencionar a dor abdominal e a disreflexia autonômica, mas erra justamente no sinal que é um dos mais importantes para o diagnóstico precoce.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reúne todos os elementos que caracterizam o abdome agudo no lesado medular acima de T6: aumento da espasticidade (reflexo espinhal exacerbado), ausência de ruídos hidroaéreos (íleo paralítico), sinais de disreflexia autonômica (resposta simpática exagerada ao estímulo visceral) e dor referida no ombro, eventualmente (irritação diafragmática, via nervo frênico). É a descrição mais completa e fiel à fisiopatologia, sendo a única que não contém erros conceituais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona "empastamento de fossa ilíaca" e "dor abdominal intensa", sinais que não são típicos do abdome agudo no lesado medular. A dor intensa é justamente o sintoma que costuma estar ausente ou atenuado nesses pacientes, devido à interrupção das vias sensitivas. O empastamento de fossa ilíaca é um achado inespecífico e não faz parte da apresentação clássica descrita para essa condição. A alternativa também omite a disreflexia autonômica, que é um dos pilares do diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inclui "dor abdominal com reação de defesa na parede abdominal", um sinal de peritonite que não está presente no lesado medular acima de T6, pois a contratura muscular voluntária e a sensibilidade à palpação estão comprometidas. A febre e o mal-estar súbito podem ocorrer, mas não são específicos, e o aumento da espasticidade está correto. O erro central é a presença da "reação de defesa", que é um achado do abdome agudo clássico, não do abdome agudo no lesado medular.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a dor referida no ombro é "presença constante", quando na verdade é um sinal eventual, que ocorre apenas quando há irritação diafragmática. Além disso, descreve "dor abdominal exuberante", o que contraria a fisiopatologia: no lesado medular, a dor abdominal é discreta ou ausente. A alternativa inverte a frequência do sintoma e superestima a intensidade da dor, levando a um diagnóstico equivocado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão dos sinais clássicos do abdome agudo. No paciente com lesão medular acima de T6, a dor intensa e a defesa abdominal — que são os pilares do diagnóstico no paciente neurológico íntegro — estão ausentes ou mascarados. O que chama a atenção é o aumento da espasticidade e a disreflexia autonômica. Cuidado com alternativas que descrevem o abdome agudo clássico, como a letra D, ou que invertem o sinal da espasticidade, como a letra A. Com treino, você aprende a reconhecer essa apresentação atípica de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os sinais do abdome agudo no lesado medular, lembre-se da tríade: Espasticidade aumentada, Disreflexia autonômica e Ausência de ruídos hidroaéreos. A dor referida no ombro é um sinal eventual de irritação diafragmática. Na prova, desconfie de qualquer alternativa que mencione dor intensa ou defesa abdominal — esses são sinais do abdome agudo clássico, não do lesado medular.