Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Médico da Família — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaMédico da Família
Código
qq970901
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
Uma mulher de 35 anos, PCD (paralisia dos membros inferiores após trauma), com quadro depressivo, compulsão alimentar e insuficiência familiar, mora com a mãe, que tem 70 anos e está apresentando alguns sinais de demência em fase inicial. O médico de família está apreensivo na reunião de equipe, preocupado com a filha PCD, pois esta tem dores crônicas e responde mal às intervenções médicas propostas (analgesia e antidepressivos). Durante a reunião de equipe, estão presentes os ACSs (Agentes Comunitários de Saúde), bem como profissionais de psicologia, nutrição e fisioterapia. Diante dessas informações, assinale a alternativa que melhor apresenta uma intervenção multiprofissional e interdisciplinar.
  1. AO médico de família orienta a equipe sobre o que pode ou não ser feito dentro da realidade da filha, enquanto os outros profissionais traçam intervenções com base nessa orientação.
  2. BO médico de família compartilha seu conhecimento do caso, buscando possíveis redes de apoio na comunidade com os ACSs e também traçar um projeto terapêutico singular, cooperando com a nutrição e psicologia.
  3. CO médico de família encaminha o caso durante a reunião para que atendimentos de psicologia e nutrição sejam realizados – enfatizando a urgência do caso e orientando ao ACS para levar os encaminhamentos à casa do paciente.
  4. DO médico de família compreende que, devido aos determinantes sociais desse caso, não há intervenções possíveis pela equipe complementar.
  5. EO médico de família compreende que, devido ao quadro familiar, o principal objetivo deve ser cuidar da mãe, sugerindo sua institucionalização precoce, pois essa intervenção está alinhada com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O médico de família compartilha seu conhecimento do caso, buscando possíveis redes de apoio na comunidade com os ACSs e também traçar um projeto terapêutico singular, cooperando com a nutrição e psicologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Medicina de Família e Comunidade: trabalho em equipe interdisciplinar

Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve a essência do trabalho em equipe na Atenção Primária à Saúde (APS): o médico de família compartilha seu conhecimento do caso, busca redes de apoio na comunidade com os ACSs e traça um Projeto Terapêutico Singular (PTS) em cooperação com outros profissionais, como nutrição e psicologia. Isso reflete a interdisciplinaridade e a multiprofissionalidade preconizadas pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que valoriza a atuação conjunta e a corresponsabilização pelo cuidado.

A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é a especialidade que atua na Atenção Primária, oferecendo assistência integral, contínua e personalizada a indivíduos, famílias e comunidades, sem restrições de sexo, idade ou condição de saúde. O médico de família é o especialista em manejar os problemas de saúde mais frequentes da população sob sua responsabilidade, observando o indivíduo em suas dimensões biológica, psicológica e social. A família é vista como unidade de cuidado, pois a doença de uma pessoa afeta toda a família e vice-versa. Nesse contexto, o trabalho em equipe é fundamental: a equipe de Saúde da Família é composta por médico, enfermeiro, técnico/auxiliar de enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde (ACSs), podendo contar com o apoio de outros profissionais, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, conforme as necessidades do território.

A interdisciplinaridade vai além da simples atuação conjunta (multiprofissionalidade): envolve a integração de saberes e a construção de um plano de cuidado compartilhado, em que cada profissional contribui com sua expertise, mas o plano é construído de forma coletiva, considerando a complexidade do caso. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma ferramenta da clínica ampliada que organiza o cuidado a partir das necessidades do usuário, envolvendo a equipe, o usuário e a família na definição de objetivos e ações. No caso apresentado, a paciente PCD com dores crônicas, depressão, compulsão alimentar e insuficiência familiar, que responde mal às intervenções médicas isoladas, exige exatamente essa abordagem integrada: o médico compartilha o caso, os ACSs identificam redes de apoio na comunidade, a nutrição aborda a compulsão alimentar, a psicologia trabalha o quadro depressivo e a fisioterapia pode auxiliar no manejo da dor e na funcionalidade.

A alternativa B é a única que contempla todos esses elementos: compartilhamento de conhecimento, busca de redes de apoio com os ACSs, construção de um PTS e cooperação com nutrição e psicologia. As demais alternativas apresentam abordagens inadequadas, seja por centralizar as decisões no médico, por encaminhar o caso de forma fragmentada, por negar a possibilidade de intervenção ou por focar apenas na mãe, sem considerar a complexidade do caso.

A pegadinha desta questão está em confundir multiprofissionalidade (vários profissionais atuando) com interdisciplinaridade (integração de saberes e construção coletiva do cuidado). A alternativa A, por exemplo, menciona a equipe, mas o médico apenas orienta e os outros profissionais traçam intervenções com base nessa orientação — isso é uma atuação multiprofissional, mas não interdisciplinar, pois não há construção coletiva. A alternativa B, por sua vez, integra os saberes e constrói o plano de forma compartilhada, caracterizando a interdisciplinaridade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre multiprofissionalidade (vários profissionais atuando em paralelo) e interdisciplinaridade (integração de saberes e construção coletiva do cuidado). A alternativa A parece correta por mencionar a equipe, mas o médico apenas orienta e os outros profissionais seguem essa orientação — não há construção coletiva. A alternativa B é a única que integra os saberes e constrói o plano de forma compartilhada, caracterizando a interdisciplinaridade. Fique atento: na APS, o trabalho em equipe é interdisciplinar, com corresponsabilização e compartilhamento de decisões.

1Multiprofissionalidade
Vários profissionais atuando
Em paralelo
2Interdisciplinaridade
Integração de saberes
Construção coletiva do cuidado
Corresponsabilização
3Projeto Terapêutico Singular (PTS)
Clínica ampliada
Envolve equipe, usuário e família
Plano compartilhado
Trabalho em equipe na APS
LEVELsoulevel.com.br
Trabalho em equipe na APS: Multiprofissionalidade (Vários profissionais atuando, Em paralelo); Interdisciplinaridade (Integração de saberes, Construção coletiva do cuidado, Corresponsabilização); Projeto Terapêutico Singular (PTS) (Clínica ampliada, Envolve equipe, usuário e família, Plano compartilhado)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Esta alternativa descreve uma atuação multiprofissional, mas não interdisciplinar. O médico de família orienta a equipe e os outros profissionais traçam intervenções com base nessa orientação, o que centraliza as decisões no médico e não promove a construção coletiva do cuidado. Na interdisciplinaridade, todos os profissionais contribuem com seus saberes e o plano é construído de forma compartilhada, não a partir de uma orientação unilateral do médico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve corretamente a intervenção multiprofissional e interdisciplinar. O médico de família compartilha seu conhecimento do caso, buscando redes de apoio na comunidade com os ACSs e traçando um Projeto Terapêutico Singular (PTS), em cooperação com a nutrição e psicologia. Isso reflete a integração de saberes e a construção coletiva do cuidado, conforme preconizado pela PNAB e pela clínica ampliada. O PTS é uma ferramenta que organiza o cuidado a partir das necessidades do usuário, envolvendo a equipe, o usuário e a família.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa descreve um encaminhamento fragmentado, em que o médico apenas encaminha o caso para psicologia e nutrição, sem construir um plano de cuidado integrado. Além disso, orienta o ACS a levar os encaminhamentos à casa da paciente, o que não é a função principal do ACS e não caracteriza uma intervenção interdisciplinar. O encaminhamento é uma ação pontual, mas não substitui a construção de um PTS com a participação de toda a equipe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa é derrotista e contrária aos princípios da APS. Os determinantes sociais de saúde influenciam o processo saúde-doença, mas não impedem a atuação da equipe. Pelo contrário, a APS deve atuar justamente sobre esses determinantes, buscando redes de apoio, promovendo a saúde e prevenindo agravos. A equipe complementar (psicologia, nutrição, fisioterapia) tem um papel fundamental no manejo de casos complexos como o apresentado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Esta alternativa foca apenas na mãe, sugerindo sua institucionalização precoce, o que é uma medida extrema e não alinhada com a PNAB. A institucionalização de idosos deve ser considerada apenas em casos de absoluta necessidade, quando não há possibilidade de cuidado no domicílio ou em serviços comunitários. No caso apresentado, a mãe apresenta sinais iniciais de demência, mas a prioridade deve ser o cuidado integral da família, incluindo a filha PCD e a mãe, com suporte da equipe e busca de redes de apoio. A institucionalização precoce não é a intervenção mais adequada e não considera a complexidade do caso.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qq970901