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Questão de Medicina — Médico da Família — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaMédico da Família
Código
qq970910
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
Um senhor de 58 anos comparece à consulta em unidade básica de saúde e queixa-se, para seu médico de família e comunidade, de dores nos joelhos. O paciente relata que “as dores o preocupam muito, pois o atrapalham a trabalhar diariamente”. O médico, além de fazer perguntas, realiza o exame físico e conclui que se trata de caso de artrose dos joelhos, bilateralmente.Diante da preocupação do paciente, qual é a atitude esperada desse profissional de saúde?
  1. AA atitude adequada é esclarecer ao paciente que se trata de quadro crônico e que ele deverá conviver com a dor.
  2. BA atitude adequada é demonstrar, empaticamente, que compreende a seriedade do adoecimento, apesar de se tratar de doença que não ameaça a vida.
  3. CA atitude adequada é esclarecer que se trata de quadro que não ameaça a vida, tranquilizando o paciente e orientando que esse quadro não impede seu trabalho.
  4. DA atitude adequada é encaminhar o paciente prontamente ao especialista devido à gravidade da situação.
  5. EA atitude adequada é recomendar ao paciente afastamento da sua atividade laboral, uma vez que ela é diretamente responsável pelo seu adoecimento.
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GabaritoB — A atitude adequada é demonstrar, empaticamente, que compreende a seriedade do adoecimento, apesar de se tratar de doença que não ameaça a vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abordagem centrada na pessoa na Medicina de Família e Comunidade

Gabarito: letra B. A atitude esperada do médico de família diante de um paciente com artrose que expressa preocupação com o impacto da dor no trabalho é demonstrar empatia e validar a seriedade do adoecimento, mesmo tratando-se de doença crônica não ameaçadora da vida — é o que preconiza a abordagem centrada na pessoa, pilar da Medicina de Família e Comunidade (MFC). A alternativa B é a única que combina acolhimento emocional com a correta avaliação de gravidade, sem minimizar a queixa nem medicalizar excessivamente o caso.

A Medicina de Família e Comunidade é a especialidade que oferece assistência integral, contínua e personalizada a indivíduos, famílias e comunidades, sem restrição de sexo, idade ou condição de saúde. O médico de família é o especialista em manejar os problemas de saúde mais frequentes da população, sendo resolutivo em 80 a 90% dos casos. Nesse contexto, a abordagem centrada na pessoa é um dos pilares da especialidade: o foco não é apenas a doença, mas a pessoa que adoece, com suas preocupações, medos e contexto de vida. O paciente do caso não está apenas com dor nos joelhos — ele está preocupado com a capacidade de trabalhar, o que afeta sua identidade, sustento e qualidade de vida. Ignorar essa dimensão seria uma falha grave na consulta.

A artrose (osteoartrite) é uma doença crônica e degenerativa, caracterizada pela perda progressiva da cartilagem articular, com dor, rigidez e limitação funcional. Não é uma doença que ameaça a vida, mas ameaça a funcionalidade e o bem-estar. O manejo adequado envolve analgesia, exercícios, controle de peso, orientações ergonômicas e, em casos selecionados, encaminhamento para reabilitação ou cirurgia. O médico de família deve acolher a preocupação do paciente, explicar a natureza do quadro, oferecer opções terapêuticas e não banalizar a dor — dizer "conviver com a dor" ou "não impede o trabalho" sem avaliar a real limitação é desrespeitoso e tecnicamente inadequado.

A comunicação de más notícias e a validação das preocupações são habilidades centrais na MFC. Quando o paciente expressa medo de que a dor o impeça de trabalhar, o médico deve: (1) reconhecer e legitimar essa preocupação; (2) explicar o diagnóstico e o prognóstico de forma clara e sem jargões; (3) discutir estratégias para manter a funcionalidade e o trabalho, quando possível; (4) envolver o paciente nas decisões terapêuticas. A alternativa B captura exatamente esse comportamento: "demonstrar, empaticamente, que compreende a seriedade do adoecimento, apesar de se tratar de doença que não ameaça a vida". A empatia não é um adorno — é uma ferramenta terapêutica que melhora a adesão, a satisfação e os desfechos clínicos.

A pegadinha da questão está em confundir "não ameaça a vida" com "não é grave". A artrose não mata, mas pode incapacitar — e é essa incapacidade que o paciente teme. As alternativas C e A caem nessa armadilha ao minimizar a queixa; a D superestima a gravidade (encaminhamento imediato ao especialista é desnecessário e foge do papel da atenção básica); a E assume nexo causal com o trabalho sem fundamentação e propõe afastamento, o que é uma decisão que deve ser compartilhada e baseada em avaliação funcional, não em suposição. A alternativa B é a única que equilibra acolhimento e informação correta.

Guarde o critério decisivo: a preocupação do paciente é o sintoma a ser tratado tanto quanto a dor. A alternativa correta é a que valida essa preocupação sem alarmismo e sem banalização — é exatamente nesse equilíbrio que as alternativas se separam.

Abordagem centrada na pessoa (MFC)
  • 1Foco
    • Pessoa que adoece
    • Preocupações e contexto
  • 2Conduta esperada
    • Validar a preocupação
    • Explicar diagnóstico e prognóstico
    • Discutir estratégias para manter funcionalidade
    • Envolver o paciente nas decisões
  • 3Erros comuns
    • Minimizar a queixa ("conviver com a dor")
    • Banalizar ("não impede o trabalho")
    • Superestimar gravidade (encaminhar ao especialista)
    • Decisão unilateral (afastamento sem avaliação)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Dizer que o paciente "deverá conviver com a dor" é uma postura pessimista e desumana, que desconsidera as possibilidades terapêuticas e a necessidade de acolhimento. A artrose tem tratamento (analgésicos, fisioterapia, exercícios, mudanças de estilo de vida) e o médico deve oferecer opções, não sentenciar o paciente a uma vida de dor. Além disso, a frase "conviver com a dor" minimiza a queixa e não demonstra empatia — exatamente o oposto do que a abordagem centrada na pessoa preconiza.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete a abordagem centrada na pessoa: o médico reconhece a seriedade do adoecimento do ponto de vista do paciente (a dor que atrapalha o trabalho) e demonstra empatia, ao mesmo tempo em que contextualiza que se trata de doença não ameaçadora da vida. É a conduta que valida a preocupação, estabelece vínculo e permite, em seguida, discutir o plano terapêutico. A empatia é uma competência essencial do médico de família e está diretamente ligada à melhor satisfação e adesão do paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C minimiza a queixa ao afirmar que "esse quadro não impede seu trabalho" — uma afirmação generalizada e sem base na avaliação individual. O médico não pode garantir que a artrose não impede o trabalho sem avaliar a função, o tipo de atividade e a intensidade da dor. Além disso, "tranquilizar o paciente" sem validar sua preocupação é uma forma de banalização que pode gerar desconfiança e piora da adesão. A conduta correta é acolher a preocupação e discutir estratégias para manter a funcionalidade, não negar o problema.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Encaminhar prontamente ao especialista é desnecessário e foge do papel da atenção básica. A artrose é uma condição manejável na atenção primária — o médico de família é capacitado para diagnosticar, tratar e acompanhar a maioria dos casos. O encaminhamento ao ortopedista só é indicado em casos de dúvida diagnóstica, falha terapêutica ou indicação cirúrgica. A alternativa também superestima a gravidade ("devido à gravidade da situação"), o que contradiz a natureza crônica e não emergencial da artrose.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Recomendar afastamento do trabalho sem avaliação funcional e sem nexo causal comprovado é uma conduta precipitada e iatrogênica. A artrose pode ou não estar relacionada ao trabalho — é preciso investigar fatores ergonômicos, mas o afastamento não é a primeira medida. O médico deve discutir adaptações, tratamento e, se necessário, solicitar avaliação ocupacional. Além disso, a alternativa desconsidera a preocupação do paciente (que quer trabalhar) e propõe uma solução que pode piorar sua qualidade de vida e autoestima.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "não ameaça a vida" e "não é grave". A artrose não mata, mas pode incapacitar — e é essa incapacidade que o paciente teme. As alternativas A e C caem nessa armadilha ao minimizar a queixa; a D superestima a gravidade; a E assume nexo causal sem fundamento. A correta (B) é a que valida a preocupação sem alarmismo — o equilíbrio entre acolhimento e informação correta. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão envolver um paciente com doença crônica e uma queixa emocional (preocupação, medo), a alternativa que demonstra empatia e valida a preocupação é quase sempre a correta. Desconfie de alternativas que minimizam ("não é nada", "conviva com isso"), superestimam ("encaminhe ao especialista") ou tomam decisões unilaterais ("afaste do trabalho"). A abordagem centrada na pessoa é o norte.

Gabarito: letra B

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