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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaOncologia
Código
qq970940
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
Diversos fatores de risco genéticos, ambientais e reprodutivos foram associados ao desenvolvimento do câncer de ovário, sendo que cerca de 5 a 10% das pacientes apresentam predisposição genética. Nas outras 90 a 95% sem qualquer conexão genética identificável para o desenvolvimento do câncer, a maioria dos fatores de risco está relacionada com o padrão de ciclos ovulatórios durante os anos reprodutivos. Sobre esse tema, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AOs carcinomas epiteliais ovarianos representam entre 90 e 95% dos casos, incluindo os tumores mais indolentes com baixo potencial de malignidade.
  2. BO uso em longo prazo de contraceptivos orais combinados reduz o risco de câncer de ovário. A duração de tal proteção chega a 25 anos após a última dose.
  3. CAs pacientes sem filhos apresentam risco dobrado de câncer de ovário. Entre as nulíparas, aquelas com história de infertilidade apresentam risco mais baixo de desenvolver o câncer.
  4. DEm geral, o risco é reduzido a cada nascido vivo, atingindo um platô nas mulheres que tenham dado à luz cinco vezes.
  5. EA incidência geral de câncer de ovário aumenta com a idade, até em torno dos 75 anos, antes de declinar levemente entre mulheres com mais de 80 anos.
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GabaritoC — As pacientes sem filhos apresentam risco dobrado de câncer de ovário. Entre as nulíparas, aquelas com história de infertilidade apresentam risco mais baixo de desenvolver o câncer.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de ovário: fatores de risco e proteção

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta afirma que nulíparas com história de infertilidade apresentam risco mais baixo de câncer de ovário — na verdade, a infertilidade é um fator de risco adicional, elevando ainda mais o risco já aumentado pela nuliparidade. As demais alternativas estão corretas quanto aos carcinomas epiteliais, à proteção dos contraceptivos orais, à redução do risco com a paridade e ao padrão etário de incidência.

O câncer de ovário é a neoplasia maligna ginecológica mais letal, e sua epidemiologia é dominada pela chamada hipótese da ovulação incessante: cada ciclo ovulatório provoca ruptura e reparo da superfície ovariana, aumentando a probabilidade de mutação espontânea. Por isso, tudo o que aumenta o número de ovulações ao longo da vida (menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, infertilidade) eleva o risco, enquanto tudo o que suprime a ovulação (gestações, amamentação, uso de contraceptivos orais combinados) protege. Essa lógica unifica todas as alternativas da questão e é o critério decisivo para separar a correta da incorreta.

A história familiar é o fator de risco independente mais forte, com cerca de 5 a 10% dos casos ligados a predisposição genética — destacam-se as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 (risco de 40 a 60% e 15 a 20%, respectivamente) e a síndrome de Lynch. Nos 90 a 95% restantes, os fatores reprodutivos ligados ao padrão ovulatório dominam o cenário. A tabela abaixo resume os principais fatores:

Fator

Efeito no risco

Mecanismo

Menarca precoce

Aumenta

Mais ciclos ovulatórios

Menopausa tardia

Aumenta

Mais ciclos ovulatórios

Nuliparidade

Aumenta

Ausência de supressão ovulatória pela gestação

Infertilidade

Aumenta

Anovulação/baixa paridade associada

Primeira gestação após 35 anos

Aumenta

Menos supressão ovulatória precoce

Não amamentar / amamentação curta

Aumenta

Menos supressão ovulatória pela lactação

Uso de ACO combinado

Protege

Supressão da ovulação

Multiparidade (≥5 gestações)

Protege

Supressão ovulatória prolongada

A pegadinha central desta questão está na letra C: a banca inverte a relação entre infertilidade e risco. A infertilidade não é um fator de proteção — é um fator de risco que se soma à nuliparidade. Guarde a fronteira entre fatores que aumentam a ovulação (risco) e fatores que a suprimem (proteção): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Fatores de risco (aumentam ovulação)
  • 1Menarca precoce
  • 2Menopausa tardia
  • 3Nuliparidade
  • 4Infertilidade
  • 5Primeira gestação após 35 anos
  • 6Não amamentar
  • 7Fatores de proteção (suprimem ovulação)
    • Uso de ACO combinado
    • Multiparidade (≥5 gestações)
    • Amamentação prolongada
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Alternativa A — ✅ Correta

Os carcinomas epiteliais ovarianos correspondem a cerca de 90% dos tumores malignos do ovário. Dentro desse grupo, os tumores de baixo potencial de malignidade (tumores limítrofes ou borderline) são uma categoria à parte: não apresentam invasão tecidual, têm prognóstico favorável e podem ser considerados mais indolentes. A alternativa está correta ao afirmar que os epiteliais representam 90 a 95% dos casos e incluem esses tumores de comportamento menos agressivo.

Alternativa B — ✅ Correta

O uso prolongado de contraceptivos orais combinados (ACO) suprime a ovulação e, com isso, reduz o risco de câncer de ovário. Estudos demonstram que o uso por 5 a 9 anos já reduz o risco em 30 a 50%, e o efeito protetor persiste por décadas após a suspensão — a literatura descreve proteção que se estende por até 25 anos após a última dose. A alternativa espelha exatamente esse dado.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa erra ao afirmar que nulíparas com história de infertilidade têm risco mais baixo. A infertilidade é, por si só, um fator de risco para câncer de ovário — está associada a ciclos anovulatórios e a uma menor exposição à supressão ovulatória da gestação. Portanto, a nulípara infértil tem risco ainda maior do que a nulípara sem infertilidade, e não mais baixo. A banca inverteu a direção da associação: em vez de proteger, a infertilidade potencializa o risco.

Alternativa D — ✅ Correta

Cada gestação a termo suprime a ovulação por aproximadamente um ano, reduzindo o número total de ciclos ovulatórios. O risco de câncer de ovário diminui progressivamente a cada nascido vivo, e esse efeito protetor atinge um platô em mulheres com cinco ou mais gestações — a partir daí, o benefício adicional é mínimo. A alternativa está correta.

Alternativa E — ✅ Correta

A incidência de câncer de ovário é rara antes dos 40 anos e aumenta progressivamente com a idade, atingindo o pico em torno dos 75 anos. Após essa faixa, observa-se um leve declínio na incidência entre mulheres com mais de 80 anos. A alternativa descreve corretamente esse padrão etário.

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois inverte a relação entre infertilidade e risco de câncer de ovário.

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