Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq970950
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
A Intolerância à Lactose (IL) e a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) possuem sinais e sintomas semelhantes, por isso a importância de avaliar a diferença em sua origem, sinais e sintomas. Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.
ANa sua grande maioria, os casos de IL são associados a uma condição genética de pessoas de origem asiática.
BUrticária, inchaço e vômito podem ser consequência da APLV.
CA APLV é uma condição benigna que afeta apenas crianças e desaparece na adolescência.
DNa IL, não são recomendados testes de tolerância à lactose e de hidrogênio no ar expirado, devido ao risco de insuficiência respiratória.
ENa APLV, a conduta será prescrever medicamentos antialérgicos ou anti-inflamatórios.
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GabaritoB — Urticária, inchaço e vômito podem ser consequência da APLV.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Intolerância à Lactose (IL) versus Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV)
Gabarito: letra B. A APLV é uma reação imunológica mediada por IgE (ou por mecanismos não mediados por IgE) que pode manifestar-se com sintomas imediatos como urticária, angioedema (inchaço) e vômito, enquanto a IL é um distúrbio digestivo por deficiência de lactase, sem envolvimento do sistema imunológico. A alternativa B descreve corretamente manifestações típicas da APLV.
A intolerância à lactose e a alergia à proteína do leite de vaca são condições distintas, embora compartilhem sintomas gastrointestinais como diarreia, dor abdominal e distensão. A IL resulta da incapacidade de digerir a lactose (açúcar do leite) devido à deficiência da enzima lactase na borda em escova do intestino delgado. A lactose não digerida fermenta no cólon, produzindo gases e ácidos graxos de cadeia curta, causando os sintomas. A APLV, por sua vez, é uma reação adversa imunomediada às proteínas do leite (caseína e proteínas do soro, como beta-lactoglobulina e alfa-lactalbumina). Pode ser mediada por IgE (reação imediata, com urticária, angioedema, vômitos, anafilaxia) ou não mediada por IgE (reação tardia, com sintomas gastrointestinais como enteropatia, proctocolite).
A distinção é crucial para o manejo: na IL, a conduta é reduzir ou excluir lactose da dieta, podendo-se usar lactase exógena; na APLV, a exclusão total das proteínas do leite de vaca é necessária, incluindo derivados e produtos com traços, e a reintrodução deve ser feita com cautela, sob orientação médica. A APLV não é uma condição benigna que afeta apenas crianças: pode persistir na vida adulta e, em casos graves, causar anafilaxia. Já a IL, na maioria dos casos, é adquirida (primária do adulto), com declínio fisiológico da lactase após o desmame, sendo mais prevalente em populações de origem asiática, africana e sul-americana, mas não é uma condição genética exclusiva desses grupos.
Os testes diagnósticos para IL incluem o teste de tolerância à lactose (medida da glicemia após ingestão de lactose) e o teste do hidrogênio no ar expirado, que são seguros e não causam insuficiência respiratória. Para APLV, o diagnóstico é clínico, com história detalhada, teste de provocação oral e, se necessário, dosagem de IgE específica. O tratamento da APLV não se baseia em antialérgicos ou anti-inflamatórios, mas na exclusão dietética das proteínas do leite.
A pegadinha da banca está em confundir os mecanismos: a IL é um problema digestivo (enzimático), enquanto a APLV é uma reação imunológica. Os sintomas cutâneos (urticária, inchaço) e respiratórios são típicos da alergia, não da intolerância. Guarde essa fronteira: sintomas sistêmicos/imunológicos → APLV; sintomas exclusivamente gastrointestinais → IL.
Exclusivamente gastrointestinais (diarreia, dor abdominal, distensão)
Cutâneos (urticária, angioedema), respiratórios e gastrointestinais (vômito)
Tratamento
Reduzir/excluir lactose; uso de lactase exógena
Exclusão total das proteínas do leite de vaca (dietética)
Diagnóstico
Teste de tolerância à lactose; teste do hidrogênio no ar expirado
Clínico; teste de provocação oral; dosagem de IgE específica
IL vs APLV
1Intolerância à lactose
Deficiência de lactase
Sintomas gastrointestinais
Conduta: reduzir lactose
2APLV
Reação imunológica (IgE)
Urticária, inchaço, vômito
Conduta: excluir proteína do leite
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a maioria dos casos de IL é associada a uma condição genética de pessoas de origem asiática. A IL primária do adulto é a forma mais comum e resulta do declínio fisiológico da lactase, sendo mais prevalente em asiáticos, mas não é uma condição genética exclusiva nem a maioria dos casos é genética. A IL congênita (rara) é genética, mas a maioria é adquirida.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A APLV pode causar urticária (lesões avermelhadas e pruriginosas), inchaço (angioedema) e vômito, especialmente nas reações mediadas por IgE, que ocorrem minutos a poucas horas após a ingestão. Esses sintomas são típicos de reação alérgica imediata, diferenciando-a da IL.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A APLV não é benigna e não afeta apenas crianças. Embora seja mais comum em lactentes, pode persistir na adolescência e na vida adulta. Em casos graves, pode causar anafilaxia, uma reação potencialmente fatal. A afirmação de que desaparece na adolescência é incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os testes de tolerância à lactose e de hidrogênio no ar expirado são seguros e amplamente utilizados para diagnóstico de IL. Não há risco de insuficiência respiratória associado a esses testes. A alternativa inverte o sentido: eles são recomendados, não contraindicados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento da APLV é a exclusão das proteínas do leite de vaca da dieta, não o uso de antialérgicos ou anti-inflamatórios. Esses medicamentos podem ser usados para aliviar sintomas agudos, mas não tratam a causa. A conduta principal é dietética.