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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq970986
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
Paciente do sexo feminino, 56 anos, em pós-operatório de tireoidectomia radical, deu entrada no pronto atendimento com queixa de formigamento em membros superiores e tremores, associados a sudorese. No exame físico, são encontrados sinais de Trousseau e Chvostek positivos.Considerando o antecedente da paciente, qual eletrólito pode estar em níveis alterados e que poderia explicar a clínica e os achados no exame físico?
  1. ACálcio.
  2. BSódio.
  3. CPotássio.
  4. DMagnésio.
  5. ECloro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Cálcio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipocalcemia pós-tireoidectomia: sinais de Trousseau e Chvostek

Gabarito: letra A. A tireoidectomia radical pode lesar ou remover as glândulas paratireoides, levando ao hipoparatireoidismo e consequente hipocalcemia — que se manifesta com parestesias, tremores, sudorese e os sinais de Trousseau e Chvostek, todos marcadores de hiperexcitabilidade neuromuscular. O eletrólito alterado é o cálcio.

A tireoidectomia radical é uma cirurgia que remove a tireoide, glândula localizada na região anterior do pescoço. Muito próximas a ela, na sua face posterior, ficam as quatro glândulas paratireoides, responsáveis pela produção do paratormônio (PTH), hormônio que regula o cálcio sérico. Durante a cirurgia, essas glândulas podem ser acidentalmente removidas, lesadas ou ter sua vascularização comprometida, resultando em hipoparatireoidismo pós-cirúrgico — a causa mais comum de hipoparatireoidismo na prática clínica.

Com a queda do PTH, há diminuição da reabsorção óssea de cálcio, redução da absorção intestinal e aumento da excreção renal de cálcio, levando à hipocalcemia. O cálcio é essencial para a estabilidade da membrana neuronal: na sua deficiência, os neurônios ficam hiperexcitáveis, disparando potenciais de ação espontaneamente. É essa hiperexcitabilidade que gera os sintomas clássicos: parestesias (formigamento) em extremidades e região perioral, espasmos musculares, tremores, sudorese e, nos casos graves, tetania (espasmo carpopedal, laringoespasmo e convulsões).

Os sinais de Trousseau e Chvostek são as manifestações semiológicas dessa irritabilidade neuromuscular. O sinal de Trousseau é desencadeado ao insuflar o manguito de pressão arterial acima da pressão sistólica por cerca de 3 minutos, induzindo o espasmo carpopedal (a "mão de parteira"). O sinal de Chvostek é obtido percutindo o nervo facial próximo à orelha, causando contração ipsilateral dos músculos faciais. Ambos são fortemente sugestivos de hipocalcemia, embora o sinal de Chvostek possa estar presente em até 15% das pessoas normocalcêmicas, sendo menos específico.

É importante distinguir a hipocalcemia de outros distúrbios eletrolíticos que também podem causar sintomas neuromusculares. A hipomagnesemia, por exemplo, pode causar tetania e também está associada ao hipoparatireoidismo funcional, mas o gatilho aqui é o antecedente cirúrgico — a lesão das paratireoides — que aponta diretamente para o cálcio. Já as alterações de sódio e potássio cursam com quadros distintos: hiponatremia causa confusão e convulsões; hipercalemia causa fraqueza muscular e arritmias, sem os sinais de Trousseau e Chvostek.

A pegadinha desta questão está em associar o quadro clínico ao eletrólito correto. O candidato pode ser tentado a pensar em potássio ou magnésio por também causarem sintomas neuromusculares, mas o contexto cirúrgico (tireoidectomia) e os sinais semiológicos específicos (Trousseau e Chvostek) são a chave para o diagnóstico de hipocalcemia. Guarde a tríade: tireoidectomia + parestesias/tetania + Trousseau/Chvostek = hipocalcemia.

  1. 1Tireoidectomia radical
  2. 2Lesão das paratireoides
  3. 3Queda do PTH
  4. 4Hipocalcemia
  5. 5Hiperexcitabilidade neuromuscular
  6. 6Trousseau e Chvostek
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tireoidectomia radical pode lesar as paratireoides, levando ao hipoparatireoidismo e à consequente hipocalcemia. Os sintomas descritos — formigamento em membros superiores, tremores, sudorese — e os sinais de Trousseau e Chvostek positivos são manifestações clássicas da hipocalcemia, que aumenta a excitabilidade neuromuscular. O cálcio é, portanto, o eletrólito alterado que explica a clínica e os achados do exame físico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O sódio não está diretamente relacionado ao quadro. A hiponatremia pode causar sintomas neurológicos como confusão, cefaleia e convulsões, mas não produz os sinais de Trousseau e Chvostek, que são específicos da hipocalcemia. Além disso, a tireoidectomia não é causa de distúrbios do sódio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O potássio é um distúrbio eletrolítico comum, mas suas manifestações são diferentes. A hipocalemia causa fraqueza muscular, fadiga e arritmias; a hipercalemia causa fraqueza muscular ascendente e alterações no ECG (ondas T apiculadas). Nenhuma das duas condições produz os sinais de Trousseau e Chvostek, que são marcadores de hipocalcemia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipomagnesemia pode, de fato, causar tetania e até mesmo hipocalcemia (por hipoparatireoidismo funcional), o que poderia confundir o candidato. No entanto, o antecedente de tireoidectomia radical aponta diretamente para a lesão das paratireoides como causa primária, tornando o cálcio o eletrólito mais provável e diretamente relacionado ao quadro. O magnésio seria uma hipótese secundária, não a principal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O cloro não tem relação com o quadro clínico descrito. Distúrbios do cloro geralmente acompanham alterações do sódio e do equilíbrio ácido-base, mas não causam os sinais de Trousseau e Chvostek nem estão associados à tireoidectomia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre hipocalcemia e hipomagnesemia, pois ambas podem causar tetania e sinais de Trousseau e Chvostek. A chave para diferenciar é o antecedente cirúrgico: a tireoidectomia radical lesa as paratireoides, levando à hipocalcemia primária. A hipomagnesemia seria uma causa secundária ou um achado associado, não a explicação principal do quadro.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver um paciente com parestesias, espasmos musculares e sinais de Trousseau e Chvostek, lembre-se da tríade: tireoidectomia + sintomas neuromusculares + sinais semiológicos = hipocalcemia. Essa associação é clássica e recorrente em questões de endocrinologia e clínica médica.

Gabarito: letra A

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