Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pneumologia
Código
qq970987
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
Um médico, trabalhando em uma unidade de pronto atendimento, atende um paciente de 70 anos com queixa de febre de início há 4 dias, acompanhada de tosse produtiva e astenia. O paciente é diabético e hipertenso, encontra-se consciente e orientado, porém, no momento, está com a visão prejudicada, devido à cirurgia recente de correção de catarata. Ele não tem tomado as medicações de uso contínuo por não estar conseguindo identificá-las. Seu filho, que mora há 450 Km de distância, chegará em 2 dias para poder acompanhá-lo. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 24 irpm, pressão arterial de 100x64 mmHg, exame laboratorial: ureia 45 mg/dl e creatinina 0,6 mg/dL.Diante do exposto, qual seria a conduta adequada?
AInternar o paciente para início do tratamento, por possuir 4 pontos no escore de prognóstico “CURB-65.”
BO paciente pode realizar o tratamento ambulatorial por possuir apenas 1 ponto no escore de prognóstico “CURB-65”.
CApesar de o paciente ter somente 1 ponto no escore de prognóstico “CURB-65”, devido às comorbidades e ao seu contexto social, a conduta mais adequada é interná-lo para o tratamento.
DO paciente pode realizar o tratamento ambulatorial por possuir apenas 2 pontos no escore de prognóstico “CURB-65”.
EInternar o paciente para início do tratamento, por possuir 3 pontos no escore de prognóstico “CURB-65."
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GabaritoC — Apesar de o paciente ter somente 1 ponto no escore de prognóstico “CURB-65”, devido às comorbidades e ao seu contexto social, a conduta mais adequada é interná-lo para o tratamento.
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Pneumonia adquirida na comunidade e o escore CURB-65
Gabarito: letra C. O paciente tem apenas 1 ponto no CURB-65 (idade ≥ 65 anos), o que indicaria tratamento ambulatorial; porém, a presença de comorbidades (diabetes, hipertensão), o contexto social desfavorável (dificuldade de identificar medicações, ausência de acompanhante) e a impossibilidade de garantir adesão e retorno tornam a internação a conduta mais segura — exatamente o que a alternativa C afirma.
O escore CURB-65 é uma ferramenta de estratificação de risco para pneumonia adquirida na comunidade (PAC), criada pela British Thoracic Society. Ele avalia cinco critérios, cada um valendo 1 ponto: Confusão mental, Ureia > 50 mg/dL, Respiratory rate (FR) ≥ 30 irpm, Blood pressure (PAS < 90 mmHg ou PAD ≤ 60 mmHg) e 65 (idade ≥ 65 anos). A pontuação total orienta a conduta: 0–1 ponto indica baixo risco e possibilidade de tratamento ambulatorial; 2 pontos indicam risco intermediário, com internação para observação; 3 ou mais pontos indicam alto risco, com internação hospitalar.
No caso apresentado, o paciente tem 70 anos (1 ponto), FR de 24 irpm (não pontua, pois o corte é ≥ 30), PA de 100x64 mmHg (não pontua, pois o corte é PAS < 90 ou PAD ≤ 60), ureia de 45 mg/dL (não pontua, pois o corte é > 50) e está consciente e orientado (não pontua). Portanto, o escore é 1 ponto, o que, isoladamente, sugeriria tratamento ambulatorial.
Contudo, o escore é apenas uma ferramenta de auxílio, e a decisão final deve sempre incorporar o julgamento clínico e a avaliação individualizada do paciente. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) recomenda que, além do CURB-65, sejam consideradas as comorbidades, os fatores socioeconômicos e psicossociais, e a impossibilidade de uso de via oral. No caso, o paciente é diabético e hipertenso, não está tomando as medicações por não conseguir identificá-las (o que indica risco de descompensação das comorbidades), e não tem acompanhante imediato (o filho chegará em 2 dias). Esses fatores, somados à idade avançada, tornam a internação a conduta mais adequada, mesmo com escore baixo.
A pegadinha da questão está em considerar o escore de forma isolada, sem integrar o contexto clínico e social. O candidato que apenas calcula o CURB-65 e escolhe a alternativa B (tratamento ambulatorial) ignora que o escore é um guia, não uma regra absoluta. A alternativa C captura exatamente essa nuance: reconhece o baixo escore, mas justifica a internação pelas comorbidades e pelo contexto social.
Guarde o princípio: o CURB-65 é um ponto de partida, não o veredito final. A decisão de internar ou tratar ambulatorialmente deve sempre considerar o paciente como um todo, incluindo comorbidades, suporte social e capacidade de adesão ao tratamento.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o paciente possui 4 pontos no CURB-65, o que é um erro de cálculo. O paciente tem apenas 1 ponto (idade ≥ 65 anos). Os demais critérios (confusão mental, ureia > 50, FR ≥ 30, PAS < 90 ou PAD ≤ 60) não estão presentes. A pontuação de 4 pontos seria um cenário de alto risco, mas não corresponde aos dados do enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Reconhece corretamente que o paciente tem 1 ponto no CURB-65, mas conclui que o tratamento ambulatorial é adequado. O erro está em ignorar o contexto clínico e social: o paciente tem comorbidades (diabetes, hipertensão), não está aderindo à medicação e não tem acompanhante imediato. Esses fatores, conforme a abordagem da SBPT, justificam a internação mesmo com escore baixo. O escore é um guia, não uma regra absoluta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa acerta ao reconhecer que o paciente tem apenas 1 ponto no CURB-65, mas que a internação é a conduta mais adequada devido às comorbidades (diabetes, hipertensão) e ao contexto social desfavorável (dificuldade de identificar medicações, ausência de acompanhante imediato). A decisão clínica deve integrar o escore com o julgamento clínico e a avaliação individualizada, conforme recomendado pela SBPT. A internação garante o tratamento adequado, a monitorização das comorbidades e a adesão terapêutica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o paciente possui 2 pontos no CURB-65, o que é um erro de cálculo. O paciente tem apenas 1 ponto (idade ≥ 65 anos). A pontuação de 2 pontos indicaria risco intermediário, com internação para observação, mas não corresponde aos dados do enunciado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o paciente possui 3 pontos no CURB-65, o que é um erro de cálculo. O paciente tem apenas 1 ponto (idade ≥ 65 anos). A pontuação de 3 pontos indicaria alto risco, com internação hospitalar, mas não corresponde aos dados do enunciado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de aplicar o escore de forma mecânica, sem integrar o contexto clínico e social. O candidato que calcula o CURB-65 e escolhe a alternativa B (tratamento ambulatorial) ignora que o escore é um guia, não uma regra absoluta. A alternativa C captura exatamente essa nuance: reconhece o baixo escore, mas justifica a internação pelas comorbidades e pelo contexto social. Na prova, lembre-se de que o CURB-65 é um ponto de partida, não o veredito final.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de PAC, sempre calcule o CURB-65, mas também avalie comorbidades, suporte social e capacidade de adesão ao tratamento. Se houver qualquer fator de risco adicional, a internação pode ser mais segura, mesmo com escore baixo. Treine com casos clínicos para internalizar essa abordagem integrada.