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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaDermatologia
Código
qq970991
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Programa de Resiência com Acesso Direto - Todos os Programas
Qual é a coloração utilizada na baciloscopia para investigação de hanseníase?
  1. ATinta da China.
  2. BZiehl-Neelsen.
  3. CVermelho congo.
  4. DAzul da Prússia.
  5. EGrocott.
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GabaritoB — Ziehl-Neelsen.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Baciloscopia na hanseníase: coloração de Ziehl-Neelsen

Gabarito: letra B. A baciloscopia para investigação de hanseníase utiliza a coloração de Ziehl-Neelsen, que cora os bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR), como o Mycobacterium leprae, em vermelho. Essa técnica é padronizada pelo Ministério da Saúde para o exame direto de esfregaços dérmicos, conforme descrito nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas da hanseníase.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro. O diagnóstico laboratorial é feito principalmente pela baciloscopia, que consiste na coleta de raspado intradérmico de lesões cutâneas, lóbulos auriculares e cotovelos, seguida da coloração da lâmina pelo método de Ziehl-Neelsen. Essa coloração é específica para BAAR, pois utiliza fucsina básica que, aquecida ou a frio, penetra na parede celular rica em ácidos micólicos, resistindo à descoloração com álcool-ácido. Por isso, os bacilos aparecem como bastonetes vermelhos sobre fundo azul.

A escolha da coloração não é aleatória: o M. leprae é um BAAR, e a técnica de Ziehl-Neelsen é a mais adequada para evidenciá-lo. Outras colorações, como a de Gram, não coram adequadamente micobactérias devido à sua parede celular peculiar. O resultado da baciloscopia é expresso pelo índice baciloscópico (IB), conforme a escala logarítmica de Ridley, que varia de 0 a 6+, e tem importância no diagnóstico, na classificação operacional (paucibacilar ou multibacilar) e no acompanhamento do paciente.

É importante distinguir a baciloscopia de outros exames complementares, como a histopatologia, que também pode utilizar colorações especiais para BAAR, mas em fragmentos de biópsia. A baciloscopia, por sua vez, é realizada em esfregaços de raspado dérmico e é o exame complementar mais útil no diagnóstico da hanseníase, com especificidade de 100% quando positiva, embora com sensibilidade limitada, sendo negativa em casos paucibacilares.

A banca explora o conhecimento específico da técnica laboratorial, e a pegadinha está em confundir colorações utilizadas para outros agentes ou tecidos. Por exemplo, a tinta da China é usada para Cryptococcus neoformans, o vermelho congo para amiloides, o azul da Prússia para ferro e o Grocott para fungos. Portanto, a única coloração correta para BAAR na hanseníase é a de Ziehl-Neelsen.

Baciloscopia na hanseníase
  • 1Coloração: Ziehl-Neelsen
    • Cora BAAR em vermelho
    • Padronizada pelo Ministério da Saúde
  • 2Agente: Mycobacterium leprae
    • BAAR, não cultivável in vitro
  • 3Outras colorações (não se aplicam)
    • Tinta da China → Cryptococcus
    • Vermelho congo → amiloide
    • Azul da Prússia → ferro
    • Grocott → fungos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A tinta da China (ou tinta nanquim) é utilizada para evidenciar a cápsula de Cryptococcus neoformans em amostras de líquor, soro ou secreções, formando um halo claro ao redor da levedura. Não tem aplicação na baciloscopia para hanseníase, pois não cora BAAR.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A coloração de Ziehl-Neelsen é a técnica padronizada para a baciloscopia da hanseníase, corando os bacilos álcool-ácido resistentes, como o Mycobacterium leprae, em vermelho. O material é corado pela técnica de Ziehl-Neelsen a frio, para preservar as condições morfotintoriais do bacilo, conforme descrito nos protocolos do Ministério da Saúde.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O vermelho congo é uma coloração utilizada para evidenciar substâncias amiloides em tecidos, como na amiloidose, corando-as em vermelho com birrefringência verde-maçã sob luz polarizada. Não é utilizada para baciloscopia de hanseníase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O azul da Prússia (ou azul da Prússia de Perls) é uma coloração histoquímica para evidenciar ferro férrico em tecidos, como na hemossiderose. Não tem relação com a detecção de micobactérias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A coloração de Grocott (ou metenamina-prata de Grocott) é utilizada para evidenciar fungos em tecidos, corando as paredes fúngicas em preto. Não é aplicada na baciloscopia para hanseníase.

Gabarito: letra B

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