Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qq971082
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Sobre a infecção ocasionada pela bactéria Clostridium tetani, é correto afirmar que
Aé uma toxi-infecção grave e contagiosa, causada pela ação de exotoxinas produzidas pelo bacilo tetânico.
Bé ocasionada por um bacilo gram-negativo.
Ca contratura dos músculos masseteres (trismo) e a contratura da região dorsal (opistótono) podem ser causadas por Clostridium tetani.
Das contraturas do tétano não pioram com estímulos luminosos ou sonoros.
Elastimosamente, não há proteção vacinal.
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GabaritoC — a contratura dos músculos masseteres (trismo) e a contratura da região dorsal (opistótono) podem ser causadas por Clostridium tetani.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tétano: manifestações clínicas e características da infecção por Clostridium tetani
Gabarito: letra C. O tétano é uma toxi-infecção aguda e não contagiosa, causada pela exotoxina (tetanospasmina) do bacilo Gram-positivo anaeróbio Clostridium tetani, cuja manifestação clínica mais característica é a contratura dos músculos masseteres (trismo) e a contratura da região dorsal (opistótono), que podem ser desencadeadas ou pioradas por estímulos como luz e som. A alternativa C está correta ao descrever essas contraturas como possíveis manifestações da doença.
O tétano é uma doença infecciosa aguda causada pela ação de exotoxinas produzidas pela bactéria anaeróbia Clostridium tetani. O termo "tétano" deriva de uma das características fundamentais da doença: os intensos espasmos dolorosos dos músculos masseteres. A doença acomete o sistema nervoso central, sendo caracterizada por espasmos musculares, hipertonia mantida, hiper-reflexia e contraturas paroxísticas. A transmissão ocorre quando, na vigência de uma solução de continuidade da pele, há contato do hospedeiro com o clostrídio, que se encontra na forma de esporos no solo, poeira, fezes e instrumentos enferrujados. Em condições favoráveis de anaerobiose (tecidos desvitalizados, corpos estranhos, isquemia), os esporos transformam-se em formas vegetativas, que produzem a tetanospasmina, uma neurotoxina que atua nos neurotransmissores causando hiperexcitabilidade do sistema nervoso central, resultando em graves contraturas e espasticidades.
A manifestação clínica mais comum são as espasticidades motoras, sendo o trismo o sinal mais encontrado, presente em até 92% dos casos diagnosticados. O riso sardônico é outro sinal relacionado à espasticidade do masseter. Outros músculos que podem ser acometidos são os da faringe (disfagias), do esqueleto apendicular (hiperextensão), abdome em tábua, paravertebrais (opistótono) e diafragma, podendo haver evolução para insuficiência respiratória. As contraturas podem ser espontâneas ou ocasionadas por vários estímulos, como sons, luminosidade, injeções, toque ou manuseio — o que contraria diretamente a alternativa D.
A profilaxia é baseada na vacinação, com esquema de 3 doses e reforços a cada 5 ou 10 anos. A doença não confere imunidade natural, e a suscetibilidade é universal. A letalidade no Brasil situa-se na faixa de 20 a 34%, sendo maior em idosos e crianças abaixo de cinco anos. O diagnóstico é eminentemente clínico, não dependendo de exames laboratoriais.
A pegadinha central desta questão está na alternativa A, que afirma ser o tétano uma doença contagiosa. O tétano é uma toxi-infecção não contagiosa: não há transmissão entre indivíduos, pois a doença ocorre pela penetração dos esporos através de solução de continuidade da pele, e não por contato interpessoal. A alternativa B erra ao classificar o bacilo como Gram-negativo, quando na verdade é Gram-positivo. A alternativa E erra ao afirmar que não há proteção vacinal, quando a vacinação é justamente a principal medida profilática. A alternativa D erra ao afirmar que as contraturas não pioram com estímulos luminosos ou sonoros, quando na verdade esses estímulos podem desencadear ou agravar os espasmos.
Guarde a fronteira entre as características microbiológicas (Gram-positivo, anaeróbio, esporulado), a forma de transmissão (não contagiosa, por inoculação cutânea) e as manifestações clínicas (trismo, opistótono, riso sardônico, contraturas exacerbadas por estímulos): é exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.
O erro está no termo "contagiosa". O tétano é uma toxi-infecção aguda não contagiosa, pois não há transmissão entre indivíduos. A doença ocorre pela penetração dos esporos do Clostridium tetani através de solução de continuidade da pele, e não por contato interpessoal. A alternativa acerta ao mencionar a ação de exotoxinas, mas erra ao classificar a doença como contagiosa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Clostridium tetani é um bacilo Gram-positivo, esporulado e anaeróbio, com morfologia semelhante a um alfinete de cabeça. A alternativa erra ao classificá-lo como Gram-negativo. Essa é uma troca clássica de coloração de Gram, que a banca explora para confundir o candidato.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A contratura dos músculos masseteres (trismo) é a manifestação clínica mais comum do tétano, presente em até 92% dos casos. A contratura da região dorsal (opistótono) também é uma manifestação característica, decorrente da espasticidade dos músculos paravertebrais. Ambas são causadas pela ação da tetanospasmina no sistema nervoso central, que leva à hiperexcitabilidade e a graves contraturas musculares.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As contraturas do tétano pioram com estímulos luminosos ou sonoros. O texto de apoio é claro ao afirmar que os espasmos podem ser "espontâneos ou ocasionados por vários estímulos, como sons, luminosidade, injeções, toque ou manuseio". A alternativa inverte essa característica, afirmando que os estímulos não pioram as contraturas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Há proteção vacinal contra o tétano. A vacinação é a principal medida profilática, com esquema de 3 doses e reforços a cada 5 ou 10 anos. A doença não confere imunidade natural, mas a vacina confere imunidade ativa. A alternativa erra ao afirmar que não há proteção vacinal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora três trocas clássicas: (1) classifica o tétano como contagioso, quando é não contagioso; (2) classifica o bacilo como Gram-negativo, quando é Gram-positivo; (3) inverte o efeito dos estímulos luminosos e sonoros, que pioram as contraturas. Fique atento a essas inversões — com treino, você as identifica de longe 💪