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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qq971083
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Paciente com diagnóstico de gota procura a UBS onde você atende para informações sobre a doença. Em relação a esse diagnóstico, assinale a alternativa correta.
  1. APode inicialmente envolver várias articulações nas extremidades superiores. Comumente, a primeira metacarpofalangeana e o carpo são as mais frequentes.
  2. BO tratamento inicial no quadro agudo é com hipouricemiantes.
  3. CEm relação ao sexo e à idade, mulheres têm níveis de urato sérico mais elevados do que homens, sendo a doença mais prevalente em mulheres.
  4. DAnti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados no paciente com quadro agudo de gota.
  5. EO líquido sinovial de pacientes com gota se caracteriza pela presença de cristais de ácido úrico intra e extracelular, visualizados por meio de luz polarizada, apresentando birrefringência negativa.
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GabaritoE — O líquido sinovial de pacientes com gota se caracteriza pela presença de cristais de ácido úrico intra e extracelular, visualizados por meio de luz polarizada, apresentando birrefringência negativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gota: diagnóstico e características clínicas

Gabarito: letra E. A gota é uma artropatia por deposição de cristais de urato monossódico (UMS), e o padrão-ouro diagnóstico é a identificação desses cristais no líquido sinovial — em forma de agulha, intra e extracelulares, com birrefringência negativa à microscopia de luz polarizada compensada. É exatamente essa característica que a alternativa E descreve com precisão.

A gota é a artrite inflamatória mais comum em homens acima de 30 anos, resultante da hiperuricemia — excesso de ácido úrico no sangue — que leva à precipitação de cristais de UMS nas articulações e tecidos. O quadro clássico é a crise aguda monoarticular, tipicamente na primeira metatarsofalângica (podagra), com dor intensa, rubor, calor e edema. O diagnóstico definitivo, porém, não se faz apenas pela clínica: exige a demonstração dos cristais no líquido sinovial, aspirado por artrocentese. Esse exame é fundamental não só para confirmar a gota, mas também para excluir artrite séptica, que pode coexistir e é uma emergência.

Na microscopia de luz polarizada compensada, os cristais de UMS apresentam morfologia de agulha e birrefringência negativa — ou seja, quando alinhados ao eixo do compensador, exibem cor amarela (negativa). Já os cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado, da pseudogota, são fracamente birrefringentes positivos (azuis). Essa distinção é clássica e muito cobrada em provas. O líquido sinovial na gota é inflamatório, com contagem de leucócitos geralmente entre 10.000 e 100.000/µL, e aspecto turvo.

O tratamento da crise aguda é sintomático e anti-inflamatório — AINEs, colchicina ou corticoides —, enquanto os hipouricemiantes (como alopurinol) são reservados para a fase crônica, com o objetivo de reduzir o urato sérico e prevenir novas crises. Iniciar hipouricemiante durante a crise aguda pode até piorar o quadro, pois a mobilização de urato pode prolongar a inflamação. A profilaxia anti-inflamatória com colchicina em baixa dose ou AINE é recomendada junto com o início da terapia redutora de urato (TRU) para evitar crises induzidas pela queda rápida do ácido úrico.

A banca explora aqui o conhecimento das características demográficas e do diagnóstico laboratorial da gota. A pegadinha central está em inverter o perfil epidemiológico (mulheres têm níveis de urato mais baixos que homens) e em trocar a conduta da crise aguda (que é anti-inflamatória, não hipouricemiante). Guarde bem: cristais de UMS = birrefringência negativa; cristais de pirofosfato = birrefringência positiva — é nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Característica

Gota (correta)

Distratores comuns

Articulação mais frequente

Primeira metatarsofalângica (podagra)

Metacarpofalângica/carpo (A)

Padrão da crise

Monoarticular

Poliarticular (A)

Tratamento da crise aguda

Anti-inflamatório (AINE, colchicina, corticoide)

Hipouricemiante (B)

Perfil epidemiológico

Homens, níveis de urato mais elevados

Mulheres, níveis mais elevados (C)

Achado no líquido sinovial

Cristais de urato monossódico, birrefringência negativa

Uso de AINE na crise

Indicado (salvo contraindicações específicas)

Contraindicado (D)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a gota pode inicialmente envolver várias articulações das extremidades superiores, citando a primeira metacarpofalângica e o carpo como as mais frequentes. O erro está na localização: a apresentação típica da crise aguda de gota é monoarticular, e a articulação mais acometida é a primeira metatarsofalângica (podagra), no pé. Embora tofos possam ocorrer em punho e dedos das mãos, a primeira crise clássica é no hálux. A banca trocou a articulação mais frequente (metatarsofalângica) pela metacarpofalângica e inverteu o padrão monoarticular por poliarticular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que o tratamento inicial no quadro agudo é com hipouricemiantes. É exatamente o contrário: na crise aguda, o tratamento é anti-inflamatório — AINEs, colchicina ou corticoides — para controlar a dor e a inflamação. Os hipouricemiantes (alopurinol, febuxostate) são usados na fase crônica, para prevenir novas crises, e não devem ser iniciados durante a crise aguda, pois podem prolongar o episódio. A banca inverte a conduta: troca o tratamento da crise (anti-inflamatório) pelo tratamento de manutenção (hipouricemiante).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que mulheres têm níveis de urato sérico mais elevados que homens e que a doença é mais prevalente em mulheres. É o oposto: homens têm níveis de urato mais elevados e a gota é muito mais prevalente no sexo masculino, especialmente após os 30 anos. Nas mulheres, a doença é mais comum após a menopausa, quando os níveis de urato tendem a subir, mas ainda assim permanecem abaixo dos homens. A banca inverte o perfil epidemiológico clássico da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diz que anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são contraindicados no quadro agudo de gota. É o contrário: os AINEs são uma das principais opções terapêuticas para a crise aguda de gota, juntamente com colchicina e corticoides. São eficazes no controle da dor e da inflamação. A contraindicação existe apenas em situações específicas, como insuficiência renal, úlcera péptica ativa ou alergia, mas não como regra geral. A banca transforma uma exceção em contraindicação absoluta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o achado do líquido sinovial na gota: presença de cristais de ácido úrico (urato monossódico) intra e extracelulares, visualizados por luz polarizada, com birrefringência negativa. Esse é o padrão-ouro diagnóstico, conforme descrito na literatura: cristais em forma de agulha, fortemente birrefringentes negativos, identificados por microscopia de luz polarizada compensada. A alternativa espelha exatamente essa característica, sem qualquer inversão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as características da gota: troca a articulação mais frequente (metatarsofalângica do pé pela metacarpofalângica da mão), inverte o tratamento da crise (anti-inflamatório por hipouricemiante), inverte o perfil epidemiológico (homens têm mais urato que mulheres) e transforma a contraindicação relativa dos AINEs em absoluta. Na prova, desconfie de alternativas que invertem o óbvio — a correta costuma ser a que descreve o achado laboratorial com precisão, como a letra E. 💪

Gabarito: letra E

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