Questão de Medicina — Patologia Clínica — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Patologia Clínica
Código
qq971096
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Paciente do sexo feminino, 33 anos, avaliada em consulta na UBS em que você trabalha, relata história de febre não graduada, sudorese e palpitações, assim como perda de peso com apetite preservado. Ao exame físico, a paciente apresenta-se hipertensa (PA 155/80mmHg) e taquicárdica (FC 109bpm), com tremores de extremidades e mãos úmidas e quentes. Nesse contexto, você suspeita de hipertireoidismo e solicita exames. Assinale a alternativa que apresenta corretamente os achados laboratoriais para confirmar hipótese diagnóstica.
ATSH aumentado e T4 livre reduzido.
BTSH aumentado e T4 livre aumentado.
CTSH reduzido ou indetectável e T4 livre aumentado.
DTSH reduzido e T4 livre reduzido.
ETSH aumentado e T4 total aumentado.
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GabaritoC — TSH reduzido ou indetectável e T4 livre aumentado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertireoidismo: diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra C. No hipertireoidismo primário, o excesso de hormônios tireoidianos (T4 livre e T3) exerce feedback negativo sobre a hipófise, suprimindo a secreção de TSH — por isso o padrão clássico é TSH reduzido ou indetectável e T4 livre aumentado. Essa é a combinação que confirma a hipótese diagnóstica no caso clínico apresentado.
O hipertireoidismo é uma síndrome caracterizada pela produção excessiva de hormônios tireoidianos pela glândula tireoide. O quadro clínico da paciente — febre, sudorese, palpitações, perda de peso com apetite preservado, hipertensão, taquicardia, tremores e mãos úmidas e quentes — é altamente sugestivo de tireotoxicose. A perda de peso com apetite aumentado é um achado clássico, pois o excesso hormonal acelera o metabolismo basal, aumentando o gasto energético.
O eixo hipotálamo-hipófise-tireoide funciona como um sistema de retroalimentação negativa. O hipotálamo secreta TRH, que estimula a hipófise a secretar TSH, que por sua vez estimula a tireoide a produzir T4 e T3. Quando os níveis de hormônios tireoidianos estão elevados, eles inibem a secreção de TSH pela hipófise. Portanto, no hipertireoidismo primário (como na doença de Graves, a causa mais comum), o TSH está suprimido (baixo ou indetectável) e os hormônios tireoidianos (T4 livre e T3) estão elevados.
Na prática clínica, o TSH é o exame de rastreamento inicial. Um TSH suprimido com T4 livre elevado confirma o diagnóstico de hipertireoidismo primário. É importante distinguir essa condição de outras alterações do eixo tireoidiano:
Condição
TSH
T4 livre
Hipertireoidismo primário
↓ ou indetectável
↑
Hipotireoidismo primário
↑
↓
Hipertireoidismo secundário (raro)
↑ ou normal
↑
Hipotireoidismo secundário (raro)
↓ ou normal
↓
A pegadinha central desta questão é a inversão do padrão laboratorial: o candidato pode confundir hipertireoidismo com hipotireoidismo, trocando os níveis de TSH e T4. No hipertireoidismo, o TSH está baixo (suprimido pelo feedback negativo) e o T4 livre está alto. No hipotireoidismo, o TSH está alto (a hipófise tenta estimular uma tireoide hipofuncionante) e o T4 livre está baixo. Guarde essa relação inversa: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Apresenta TSH aumentado e T4 livre reduzido. Esse é o padrão clássico de hipotireoidismo primário, não de hipertireoidismo. No hipotireoidismo, a glândula tireoide produz menos hormônios, e a hipófise aumenta a secreção de TSH na tentativa de estimulá-la. A banca inverteu o quadro para testar se o candidato conhece a relação inversa entre TSH e hormônios tireoidianos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apresenta TSH aumentado e T4 livre aumentado. Essa combinação é incomum e sugere um hipertireoidismo secundário (por adenoma hipofisário secretor de TSH ou resistência hipofisária aos hormônios tireoidianos), que é extremamente raro. No hipertireoidismo primário, o TSH está suprimido, não aumentado. A alternativa erra ao não considerar o feedback negativo que o excesso de T4 exerce sobre a hipófise.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Apresenta TSH reduzido ou indetectável e T4 livre aumentado. Esse é o padrão laboratorial clássico do hipertireoidismo primário, a forma mais comum da doença. O excesso de T4 livre suprime a secreção de TSH pela hipófise via feedback negativo, resultando em TSH baixo ou indetectável. Essa combinação confirma a hipótese diagnóstica no caso clínico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apresenta TSH reduzido e T4 livre reduzido. Essa combinação é incomum e pode ocorrer em situações como doença não tireoidiana (eutireoideo doente) ou hipotireoidismo secundário. No hipertireoidismo, o T4 livre está elevado, não reduzido. A alternativa erra ao associar TSH baixo com T4 livre baixo, o que não corresponde ao quadro de excesso hormonal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Apresenta TSH aumentado e T4 total aumentado. Assim como a alternativa B, essa combinação sugere hipertireoidismo secundário, que é raro. No hipertireoidismo primário, o TSH está suprimido. Além disso, o T4 total pode estar elevado, mas o T4 livre é o exame mais sensível e específico para o diagnóstico, pois não é influenciado por variações nas proteínas transportadoras.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hipertireoidismo e hipotireoidismo. No hipertireoidismo, o TSH está baixo e o T4 livre está alto. No hipotireoidismo, o TSH está alto e o T4 livre está baixo. A relação é inversa: quando um sobe, o outro desce. Memorize essa regra e você não errará mais.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, lembre-se do mecanismo de feedback negativo: o hormônio tireoidiano em excesso "desliga" a produção de TSH. Portanto, TSH baixo + T4 alto = hipertireoidismo; TSH alto + T4 baixo = hipotireoidismo. Essa lógica resolve a maioria das questões sobre o eixo tireoidiano.