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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qq971097
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
A Síndrome ou Doença de Weil é causada pelo microrganismo
  1. ALeptospira interrogans.
  2. BBorrelia burgdorferi.
  3. CRickettsia rickettsii.
  4. DTreponema pallidum.
  5. ETrypanosoma cruzy.
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GabaritoA — Leptospira interrogans.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Weil: agente etiológico

Gabarito: letra A. A Síndrome ou Doença de Weil é a forma grave da leptospirose, causada pela bactéria espiroqueta Leptospira interrogans — a espécie patogênica mais importante do gênero Leptospira. As demais alternativas trazem outros agentes bacterianos ou protozoários que causam doenças distintas, como a doença de Lyme (Borrelia burgdorferi), a febre maculosa (Rickettsia rickettsii), a sífilis (Treponema pallidum) e a doença de Chagas (Trypanosoma cruzi).

A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial, com predomínio em regiões tropicais e subtropicais, transmitida pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados — principalmente roedores, mas também cães, gatos e outros mamíferos. A bactéria penetra no organismo humano através de soluções de continuidade na pele (cortes, escoriações) ou pelas mucosas, ou ainda pela imersão prolongada em água ou solo contaminados. A doença tem um espectro clínico amplo: a maioria dos casos é oligossintomática ou autolimitada, com febre, cefaleia e mialgias; porém, em menos de 10% dos pacientes, evolui para formas graves, com icterícia, insuficiência renal aguda e hemorragia pulmonar — a chamada Síndrome de Weil, que cursa com alta mortalidade se não tratada precocemente.

O gênero Leptospira pertence à ordem Spirochaetales, família Leptospiraceae. Historicamente, divide-se em duas espécies: L. interrogans (patogênica) e L. biflexa (saprófita, não patogênica). Atualmente, com base em hibridização DNA-DNA, foram identificadas mais de 20 genoespécies, sendo L. interrogans a mais relevante clinicamente, com mais de 300 sorovares descritos. Os sorovares Icterohaemorrhagiae e Copenhageni são os responsáveis pelas formas mais graves em humanos. A bactéria é um espiroqueta delgado, espiralado, com extremidades em forma de gancho — característica que a distingue dos demais espiroquetas — e apresenta dupla membrana, com características de gram-positivo (peptidoglicano espesso) e gram-negativo (LPS na membrana externa).

O diagnóstico da leptospirose é presuntivo pelos dados clínicos e epidemiológicos, e confirmado por exames laboratoriais. O padrão-ouro é o isolamento da bactéria em meio de cultura, mas é pouco prático na rotina. Os testes sorológicos mais utilizados são a aglutinação microscópica (MAT), a hemaglutinação indireta e o ELISA. O tratamento das formas leves é feito com doxiciclina; nas formas graves, utiliza-se penicilina cristalina ou ceftriaxona, associado a medidas de suporte como reposição volêmica, diálise precoce e suporte ventilatório.

A banca explora a associação direta entre o nome da doença e o agente etiológico, mas também testa o conhecimento das principais zoonoses bacterianas e parasitárias. A pegadinha está em confundir a Síndrome de Weil com outras doenças que apresentam nomes de síndromes ou que são transmitidas por vetores semelhantes. Por isso, é fundamental memorizar o agente causador de cada uma das doenças listadas nas alternativas, pois todas são cobradas com frequência em provas de residência e concursos da área da saúde.

1Agente etiológico
Leptospira interrogans
2Forma grave da leptospirose
3Tríade clássica
Icterícia
Insuficiência renal
Hemorragia pulmonar
4Transmissão
Contato com urina de roedores
Água ou solo contaminados
Síndrome de Weil
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome de Weil: Agente etiológico (Leptospira interrogans); Forma grave da leptospirose; Tríade clássica (Icterícia, Insuficiência renal, Hemorragia pulmonar); Transmissão (Contato com urina de roedores, Água ou solo contaminados)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Leptospira interrogans é a espécie patogênica mais importante do gênero Leptospira, causadora da leptospirose, cuja forma grave é a Síndrome de Weil. O material de apoio confirma: "Causada por bactérias helicoidais do gênero Leptospira, sendo a L. interrogans a mais importante" e "As leptospiras patogênicas para o homem pertencem à espécie Leptospira interrogans do gênero Leptospira". A tríade clássica da Síndrome de Weil — icterícia, insuficiência renal e hemorragia pulmonar — é citada como evolução do quadro grave da leptospirose.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Borrelia burgdorferi é a espiroqueta causadora da doença de Lyme, transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes. A doença de Lyme caracteriza-se pelo eritema migratório, febre, artralgias e, em fases tardias, manifestações neurológicas e cardíacas. Não tem relação com a Síndrome de Weil. A confusão ocorre porque ambas são espiroquetas, mas pertencem a gêneros diferentes e causam doenças com quadros clínicos e epidemiológicos distintos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A Rickettsia rickettsii é a bactéria causadora da febre maculosa das Montanhas Rochosas (no Brasil, febre maculosa brasileira), transmitida pela picada de carrapatos do gênero Amblyomma. O quadro clínico inclui febre alta, cefaleia, mialgias e exantema maculopapular que pode evoluir para petéquias. Não é o agente da Síndrome de Weil. A confusão pode ocorrer porque ambas são zoonoses bacterianas transmitidas por vetores, mas os vetores e os agentes são completamente diferentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Treponema pallidum é a espiroqueta causadora da sífilis, uma infecção sexualmente transmissível (IST) que também pode ser transmitida verticalmente. A sífilis apresenta estágios primário, secundário, latente e terciário, com manifestações cutâneas, mucosas e, em fases avançadas, neurológicas e cardiovasculares. Não causa a Síndrome de Weil. A confusão pode ocorrer porque ambos são espiroquetas, mas o Treponema não é transmitido por água ou urina de roedores, e sim por contato sexual ou transmissão congênita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O Trypanosoma cruzi é um protozoário flagelado, causador da doença de Chagas, transmitido principalmente pelas fezes do barbeiro (triatomíneos). A doença de Chagas pode cursar com cardiopatia e megacólon/megaesôfago, mas não apresenta a tríade da Síndrome de Weil. A confusão pode ocorrer porque ambas são doenças endêmicas no Brasil e podem apresentar febre e mal-estar, mas os agentes etiológicos são de reinos diferentes (bactéria vs. protozoário). Note que a grafia correta é Trypanosoma cruzi (com "i" no final), e a alternativa traz "cruzy", o que já denuncia o distrator.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura agentes de doenças que têm nomes de síndromes ou que são zoonoses, tentando confundir o candidato. A chave é associar cada agente à sua doença específica: Leptospira interrogans → leptospirose/Síndrome de Weil; Borrelia burgdorferi → doença de Lyme; Rickettsia rickettsii → febre maculosa; Treponema pallidum → sífilis; Trypanosoma cruzi → doença de Chagas. Memorize essa tabela e você não erra mais.

Doença

Agente etiológico

Transmissão

Leptospirose / Síndrome de Weil

Leptospira interrogans

Contato com urina de roedores (água/solo contaminados)

Doença de Lyme

Borrelia burgdorferi

Picada de carrapato Ixodes

Febre maculosa

Rickettsia rickettsii

Picada de carrapato Amblyomma

Sífilis

Treponema pallidum

Contato sexual / transmissão vertical

Doença de Chagas

Trypanosoma cruzi

Fezes do barbeiro (triatomíneo)

Gabarito: letra A

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