Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq971098
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Paciente do sexo feminino, 59 anos, hipertensa e diabética, dá entrada na emergência de seu plantão apresentando sudorese profusa e confusão mental de início há aproximadamente 25 minutos, negando quadros parecidos anteriores. Sinais vitais na admissão: pressão arterial 70/40; Sat02 90%; FC 190 bpm; FR 27 ipm; afebril. Foram iniciadas monitorização da paciente, passagem de acesso venoso central e oxigenioterapia via cateter nasal 2 L/min. O ritmo mostrado no monitor cardíaco é apresentado a seguir.Assinale a alternativa que apresenta corretamente o diagnóstico e a conduta adequada para esse caso.
ATaquicardia ventricular com pulso / Cardioversão elétrica sincronizada imediata.
BTaquicardia ventricular com pulso / Cardioversão química imediata.
CFibrilação atrial com instabilidade hemodinâmica / Necessidade de cardioversão química imediata.
DTaquicardia atrial / Controle da frequência cardíaca urgente com o uso de betabloqueadores endovenosos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Taquicardia ventricular com instabilidade hemodinâmica
Gabarito: letra A. O quadro clínico — paciente com hipotensão grave (PA 70/40), confusão mental e FC 190 bpm — caracteriza instabilidade hemodinâmica, e o ritmo de QRS largo no monitor é taquicardia ventricular (TV). A conduta imediata é a cardioversão elétrica sincronizada (CVE), conforme o algoritmo de taquicardias instáveis. A alternativa B erra ao indicar cardioversão química, que é reservada para pacientes estáveis.
A taquicardia ventricular é a arritmia mais comum entre as taquicardias de QRS largo e a mais grave. Ela se origina nos ventrículos, gerando complexos QRS alargados (> 120 ms) e frequência cardíaca elevada, geralmente entre 140 e 200 bpm. O diagnóstico diferencial com taquicardia supraventricular com aberrância é difícil, mas a presença de doença cardíaca estrutural (como a hipertensão e o diabetes da paciente) aumenta a probabilidade de TV. Na dúvida, todo paciente com taquicardia de QRS largo deve ser tratado como TV.
O ponto central do caso é a instabilidade hemodinâmica. Os critérios de instabilidade incluem hipotensão, estado de choque, diminuição do nível de consciência, dor torácica e dispneia. A paciente apresenta hipotensão grave (PA 70/40) e confusão mental, o que configura instabilidade. Nesse cenário, o tratamento de escolha é a cardioversão elétrica sincronizada imediata, que consiste na aplicação de descarga elétrica sincronizada com a onda R, para despolarizar o coração e interromper o circuito de reentrada. A sincronização evita que a descarga ocorra durante o período vulnerável (onda T), reduzindo o risco de fibrilação ventricular.
A cardioversão química, com antiarrítmicos como amiodarona, é uma opção para pacientes estáveis com TV, mas nunca deve atrasar o tratamento do paciente instável. A diretriz de ressuscitação cardiopulmonar é clara: se houver instabilidade hemodinâmica, não se deve atrasar a CVE sincronizada para obter acesso vascular ou administrar drogas. O acesso venoso central já foi estabelecido, mas a prioridade é a cardioversão.
A distinção crucial é entre TV com pulso e instabilidade (CVE sincronizada) e TV sem pulso (desfibrilação não sincronizada). No caso, a paciente tem pulso (PA 70/40), então a conduta é CVE sincronizada, não desfibrilação. A alternativa E erra ao diagnosticar fibrilação atrial, que é um ritmo de QRS estreito e irregular, com ausência de onda P e presença de ondas f. A alternativa C também erra ao sugerir fibrilação atrial com instabilidade, pois o ritmo descrito é de QRS largo, típico de TV. A alternativa D erra ao diagnosticar taquicardia atrial e indicar controle de frequência com betabloqueadores, conduta inadequada para um paciente instável com TV.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre cardioversão elétrica sincronizada e cardioversão química. Em paciente instável com TV, a conduta é SEMPRE elétrica e imediata. A cardioversão química (amiodarona) é para TV estável. Além disso, a banca tenta confundir com fibrilação atrial, mas o QRS largo e a regularidade apontam para TV.
Taquicardia de QRS largo
1TV com pulso
Estável
Cardioversão química (amiodarona)
Instável (hipotensão, confusão)
Cardioversão elétrica sincronizada
2TV sem pulso
Desfibrilação não sincronizada
3Diagnóstico diferencial
FA (QRS estreito, irregular)
Taquicardia atrial (QRS estreito)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa identifica corretamente a taquicardia ventricular com pulso e indica a conduta adequada: cardioversão elétrica sincronizada imediata. A paciente apresenta instabilidade hemodinâmica (PA 70/40, confusão mental), o que torna a CVE sincronizada o tratamento de primeira linha. A sincronização com a onda R é essencial para evitar a indução de fibrilação ventricular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao indicar cardioversão química imediata. A cardioversão química, com antiarrítmicos como amiodarona, é reservada para pacientes estáveis com TV. Em paciente instável, a conduta é elétrica e imediata. A cardioversão química demora a agir e não deve atrasar o tratamento do paciente com hipotensão grave.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar fibrilação atrial com instabilidade hemodinâmica. A fibrilação atrial é um ritmo de QRS estreito e irregular, com ausência de onda P e presença de ondas f. O ritmo descrito no monitor é de QRS largo, típico de taquicardia ventricular. Além disso, a conduta indicada (cardioversão química) não é adequada para instabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar taquicardia atrial e indicar controle de frequência com betabloqueadores. A taquicardia atrial é uma arritmia supraventricular com QRS estreito e ondas P ectópicas. O ritmo de QRS largo aponta para TV. Além disso, em paciente instável, o controle de frequência com betabloqueadores é inadequado e pode piorar a hemodinâmica. A conduta é cardioversão elétrica imediata.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar fibrilação atrial e indicar cardioversão elétrica sincronizada. Embora a conduta (CVE) seja correta para instabilidade, o diagnóstico está errado: o ritmo é de QRS largo, típico de TV, não de FA. A FA é um ritmo de QRS estreito e irregular. O diagnóstico correto é essencial para o manejo adequado.
Gabarito: letra A — Taquicardia ventricular com pulso / Cardioversão elétrica sincronizada imediata.