Questão de Português — Pontuação — INSTITUTO AOCP 2023
Português›Pontuação
Código
qq971731
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PC-GO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Escrivão de Polícia da 3ª Classe
AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS JÁ AFETAM
NOSSAS VIDAS
CIÊNCIA HOJE: Quais lugares do planeta estão
sendo (e serão no futuro) mais afetados pelas
mudanças climáticas? E em relação aos biomas
brasileiros?
ARGEMIRO TEIXEIRA: Metade da população
mundial já vive sob risco climático, e os impactos são
mais graves entre populações urbanas
marginalizadas, como os moradores de favelas. Em
geral, as áreas de alto risco às mudanças climáticas
são regiões caracterizadas por grande densidade
populacional, altos índices de pobreza e dependência
de condições climáticas para o cultivo agrícola. Além
disso, é importante falar que as áreas próximas da
linha do Equador correm mais riscos do que as áreas
temperadas. Todos os modelos mostram que, no
Brasil, aumentarão a frequência e intensidade de
ondas de calor e, por sua vez, aumentará o número
de mortes.
CH: Pode falar dos efeitos dessa crise climática na
segurança alimentar e na saúde humana?
AT: Em todo o mundo, altas temperaturas e eventos
climáticos extremos como secas, ondas de calor e
enchentes já prejudicam a produção de alimentos. O
fornecimento internacional de alimentos está sob
ameaça. Os riscos de quebra generalizada nas
colheitas devido a eventos extremos que atingem
locais em todo o mundo aumentarão se as emissões
não forem reduzidas rapidamente. Isto poderia levar à
escassez global de alimentos e ao aumento de
preços, o que prejudicará particularmente as pessoas
mais pobres. O novo relatório do IPCC (Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na
tradução em português) sugere que esses fatores
prejudicarão especialmente a agricultura no Brasil se
as temperaturas continuarem a subir. A produção de
arroz poderia cair em 6% com altas emissões. A
produção de trigo poderia cair 21%, e a de milho
poderia cair em até 71% até o final do século no
Cerrado. Além disso, a combinação do aumento
continuado de emissões de gases de efeito estufa
com o desmatamento local pode causar uma queda
de 33% na produção de soja e na das pastagens na
Amazônia. Os impactos das mudanças climáticas
também prejudicarão a pesca e a aquicultura no
Brasil. Se as emissões seguirem altas, a produção de
peixes cairá em 36% no período 2050-2070 em
comparação com 2030-2050. Além de tudo isso,
estudos sugerem que as mudanças climáticas
refletem em mudanças no ambiente como a alteração
de ecossistemas e de ciclos biológicos, geográficos, e
químicos, que podem aumentar a incidência de
doenças infecciosas (malária, dengue etc.), mas
também de doenças não-transmissíveis, que incluem
a desnutrição e enfermidades mentais.
Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/as-mudancas-climaticas-ja-afetam-nossas-vidas/. Acesso em: 7 set. 2022.
Sobre o emprego dos parênteses no texto, assinale a alternativa correta.
AEm “Quais lugares do planeta estão sendo (e serão no futuro) mais afetados [...]”, a substituição dos parênteses por vírgulas causaria prejuízo semântico ao excerto.
BEm “Quais lugares do planeta estão sendo (e serão no futuro) mais afetados [...]”, os parênteses podem ser omitidos sem que isso cause prejuízo sintático ao excerto.
CEm “O novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na tradução em português) sugere que [...]”, os parênteses podem ser omitidos sem que isso cause prejuízo sintático ao excerto.
DEm “[...] podem aumentar a incidência de doenças infecciosas (malária, dengue etc.) [...]”, a substituição dos parênteses por travessões causaria prejuízo sintático ao excerto
EEm “[...] podem aumentar a incidência de doenças infecciosas (malária, dengue etc.) [...]”, os parênteses têm a função de destacar a informação mais importante do excerto.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Em “Quais lugares do planeta estão sendo (e serão no futuro) mais afetados [...]”, os parênteses podem ser omitidos sem que isso cause prejuízo sintático ao excerto.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise do emprego dos parênteses no texto
Gabarito: Alternativa B. A afirmação de que os parênteses podem ser omitidos sem prejuízo sintático é verdadeira para o trecho analisado, desde que se entenda "omitir os parênteses" como a retirada apenas dos sinais, mantendo o conteúdo intercalado. Nesse caso, a frase continua gramatical. Já nos demais trechos, a mesma omissão causaria problemas de estrutura.
A questão exige conhecer a função dos parênteses e o efeito de sua omissão na sintaxe da frase. O comando é objetivo: identificar a alternativa que está de acordo com o texto e com as regras de pontuação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Quais lugares do planeta estão sendo (e serão no futuro) mais afetados [...]"
Se os parênteses forem substituídos por vírgulas, o excerto fica: "estão sendo, e serão no futuro, mais afetados". Isso mantém o sentido e a estrutura sintática, pois as vírgulas também isolam a intercalação. Portanto, não há prejuízo semântico. A alternativa afirma o contrário, contradizendo a possibilidade de uso das vírgulas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No mesmo trecho, se os parênteses forem omitidos (retirando apenas os sinais), a frase fica: "estão sendo e serão no futuro mais afetados". A coordenação por "e" está adequada, e a oração permanece gramatical. Não há prejuízo sintático, pois a estrutura frasal não se quebra. É a única alternativa que faz uma afirmação verdadeira sobre o texto.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar a omissão dos parênteses, considere que o texto intercalado pode se integrar à frase de forma natural ou causar estranheza. Aqui, a expressão "e serão no futuro" funciona como um adjunto adverbial que pode ser inserido sem pontuação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na tradução em português) sugere que [...]"
Se os parênteses forem omitidos (apenas os sinais), o trecho fica: "O novo relatório do IPCC Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na tradução em português sugere que". Isso é sintaticamente problemático porque o termo "Painel Intergovernamental..." se choca com "IPCC" sem nenhum conector ou pontuação, tornando a leitura agramatical. Portanto, a omissão causa prejuízo sintático, ao contrário do que a alternativa afirma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ambiguidade de "omitir os parênteses". Em B, a omissão é possível sem dano; em C, não. A alternativa C tenta fazer o leitor acreditar que a omissão seria tão tranquila quanto em B, mas o conteúdo intercalado no trecho C é mais extenso e exige a separação por parênteses para evitar junção indevida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"[...] podem aumentar a incidência de doenças infecciosas (malária, dengue etc.) [...]"
Substituir os parênteses por travessões duplos não causa prejuízo sintático. Os travessões podem cumprir a mesma função de isolar uma enumeração explicativa. A alternativa alega o contrário, o que é falso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Mesmo trecho.
Os parênteses têm a função de inserir uma informação acessória (exemplos de doenças infecciosas), não a informação mais importante. A informação principal é "doenças infecciosas"; o que está entre parênteses é apenas um detalhamento. A alternativa inverte essa hierarquia.