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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qq971808
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
POLÍCIA CIENTÍFICA-PR
Ano
2023
Nível
Fundamental
Cargo
Agente Auxiliar de Perícia Oficial - Auxiliar de Necropsia - Auxiliar de Perícia

QUANDO OS MORTOS FALAM: A HISTÓRIA DA AUTÓPSIA



            A indagação da causa da morte sempre esteve presente em nossos pensamentos, seja você médico ou não. A palavra autópsia significa "ver por si próprio" e vem do grego clássico αυτοψία, sendo composta por αυτος (autós, "si mesmo") e όψις (ópsis, "visão"). Outro termo grego equivalente e de uso mais recente é νεκροψία (necropsia), composta de νεκρός (nekrós, "morto") e  όψις (ópsis, "visão"), isto é, a dissecação do cadáver para determinar, por meio da observação, a causa de morte ou a natureza da doença.


        As origens da autópsia (ou necrópsia) se confundem com a da própria medicina. Seus primeiros registros na antiguidade são, das dissecações com Herófilo e Erasístrato, no século II a. C. Considerado uma das principais figuras da medicina, o grego Galeno de Pérgamo (129 - 201) já recorria a esse recurso, realizando dissecações em animais como porcos, macacos, cavalos e cães, apontando as semelhanças anatômicas entre os órgãos que cumpriam a mesma função em espécies diferentes.


         No Século IX, o estudo do corpo humano após a morte voltou a crescer, principalmente graças à escola de medicina de Salermo, na Itália, e à obra de Constantino, que traduziu do árabe para o latim numerosos textos médicos gregos. Logo depois. Guglielmo de Saliceto, Rolando de Parma e outros médicos medievais enfatizaram a afirmação de Galeno, segundo a qual o conhecimento anatômico era importante para o exercício da cirurgia.


        Passando pelo período do Renascimento, a anatomia humana teve uma grande contribuição com artistas que buscavam nesta ciência as bases para retratarem de maneira mais precisa a figura humana. O mais famoso deles, Leonardo da Vinci, dissecou mais de trinta corpos de homens e mulheres de todas as idades. Dentre seus diversos trabalhos, ele ainda é reconhecido por seus esboços e obras baseados na arte da dissecação.


        Então chegamos ao  momento em que a Patologia passa a despontas como especialidade em si, separada do restante da medicina. A principal figura dessa guinada é Antonio Benivieni (1443 - 1502), médico florentino que foi o primeiro a colher sistematicamente dados de autópsias realizadas em seus pacientes. Em seguida, em 1543, o médico Andreas Vesalius lançaria o primeiro livro de anatomia humana: " De Humani Corporis Fabrica". Resultado de seus trabalhos como professor da Universidade de Pádua, onde realizou dissecações de cadáveres, a obra instituiu categoricamente o método correto de dissecação anatômica. Entre todos os nomes, porém, um dos que mais se destaca é o de Rudolf Ludwig Karl Virchow (1804 - 1878). Considerado a maior figura na história da patologia, ele foi um dos primeiros a utilizar o microscópio, um dos principais avanços da óptica em seu tempo, para analisar tecidos.


        Durante todo esse processo histórico, sistematizações e padronizações foram constantes e necessárias para tornar possível a evolução dos procedimentos da autópsia. De um princípio baseado na dissecação de órgãos, essa ciência passou para um método avançado de estudo que investiga a causa da morte de um paciente, permitindo desenvolver o conhecimento geral sobre a doença que o acometeu.


Adaptado de: https://www.sbp.org.br/quando-os-mortos-falam-a-historia-da -autopsia/. Acesso em: 15 mar.2023.

A letra maiúscula no termo "Renascimento" presente no texto,

  1. Apoderia ser substituída pelo recurso do sublinhado na escrita.
  2. Bé uma forma de dar ênfase à palavra.
  3. Cé opcional porque a palavra é um adjetivo.
  4. Dé obrigatória porque a palavra é um substantivo comum.
  5. Eindica que a palavra não está sendo empregada em sua acepção de " ato ou efeito de renascer".
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — indica que a palavra não está sendo empregada em sua acepção de " ato ou efeito de renascer".

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A maiúscula em "Renascimento" e seu valor semântico

Gabarito: letra E. A letra maiúscula em "Renascimento" indica que a palavra não está sendo empregada em sua acepção de 'ato ou efeito de renascer', mas sim como nome próprio de um período histórico — o movimento cultural e científico que o texto situa entre a Idade Média e a Idade Moderna. Como se lê no texto: "Passando pelo período do Renascimento, a anatomia humana teve uma grande contribuição com artistas que buscavam nesta ciência as bases para retratarem de maneira mais precisa a figura humana." A maiúscula, aqui, é o recurso gráfico que substantiva e particulariza o vocábulo, transformando o substantivo comum "renascimento" em um nome próprio (um período histórico específico).

O comando e o que ele pede

A questão não pergunta sobre a classe gramatical da palavra nem sobre regras de pontuação. O comando é direto: "A letra maiúscula no termo 'Renascimento' presente no texto". Ou seja, a banca quer que o candidato explique a função semântica da maiúscula naquele contexto específico. Isso muda tudo: não se trata de decorar a regra de "usar maiúscula em nomes próprios", mas de perceber que a maiúscula é o sinal gráfico que marca a passagem do sentido comum (renascer) para o sentido próprio (o período histórico).

O texto e o movimento argumentativo

O texto é um artigo expositivo-histórico sobre a evolução da autópsia. No trecho em questão, o autor narra a passagem da Idade Média para a Idade Moderna, mencionando o Renascimento como um período em que a anatomia humana ganhou destaque com artistas como Leonardo da Vinci. A palavra "Renascimento" aparece com maiúscula porque se refere a um movimento histórico específico, não ao ato genérico de renascer. Essa distinção é essencial: a maiúscula não é mero capricho gráfico, mas um marcador de nome próprio.

A técnica que decide

A regra é clara: nomes próprios (de pessoas, lugares, períodos históricos, eventos) são grafados com letra maiúscula. Quando uma palavra comum é usada como nome próprio, a maiúscula sinaliza essa mudança de categoria. No caso, "renascimento" (ato de renascer) é substantivo comum; "Renascimento" (período histórico) é nome próprio. A alternativa E capta exatamente isso: a maiúscula indica que a palavra não está sendo usada em seu sentido comum, mas em um sentido específico e próprio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a função meramente gráfica da maiúscula (ênfase, sublinhado) e sua função semântica de marcar nome próprio de período histórico. A maiúscula não é um recurso de destaque estilístico, mas um marcador de nome próprio.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma palavra com maiúscula, pergunte-se: "ela se refere a um ser/entidade específica (nome próprio) ou a um conceito geral (nome comum)?" Se for específica, a maiúscula é obrigatória e tem valor semântico.

1Função semântica
Marca nome próprio
Período histórico específico
Não é "ato de renascer"
2Não é recurso de ênfase
Sublinhado não substitui
Não é destaque estilístico
3Classe gramatical
Substantivo próprio
Não é adjetivo
Não é substantivo comum
Maiúscula em "Renascimento"
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Maiúscula em "Renascimento": Função semântica (Marca nome próprio, Período histórico específico, Não é "ato de renascer"); Não é recurso de ênfase (Sublinhado não substitui, Não é destaque estilístico); Classe gramatical (Substantivo próprio, Não é adjetivo, Não é substantivo comum)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a maiúscula "poderia ser substituída pelo recurso do sublinhado na escrita". Isso é falso: o sublinhado é um recurso de ênfase ou destaque, não tem valor semântico de nome próprio. A maiúscula, no caso, é obrigatória porque "Renascimento" é um nome próprio de período histórico. O sublinhado não cumpriria essa função. Erro: troca de conceito (confunde recurso gráfico de ênfase com marcador de nome próprio).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a maiúscula "é uma forma de dar ênfase à palavra". Embora a maiúscula possa, em alguns contextos, dar ênfase (como em títulos ou slogans), aqui ela tem função semântica de marcar nome próprio, não de destacar. O texto não usa a maiúscula para chamar atenção, mas para indicar que se trata de um período histórico específico. Erro: troca de conceito (confunde ênfase com nomeação própria).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a maiúscula "é opcional porque a palavra é um adjetivo". Dois erros: primeiro, "Renascimento" no texto é substantivo próprio, não adjetivo; segundo, a maiúscula em nomes próprios é obrigatória, não opcional. A palavra "renascimento" pode ser substantivo comum (ato de renascer) ou adjetivo (em "movimento renascentista", por exemplo), mas no texto é substantivo próprio. Erro: contradiz o texto e a gramática (classifica erroneamente a classe e a obrigatoriedade).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a maiúscula "é obrigatória porque a palavra é um substantivo comum". A primeira parte está correta (é obrigatória), mas a justificativa está errada: a maiúscula é obrigatória porque a palavra é um substantivo próprio, não comum. Substantivos comuns não exigem maiúscula (exceto em início de frase). Erro: troca de conceito (confunde substantivo comum com próprio).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a maiúscula "indica que a palavra não está sendo empregada em sua acepção de 'ato ou efeito de renascer'". Isso está perfeitamente alinhado ao texto: "Renascimento" com maiúscula refere-se ao período histórico, não ao ato de renascer. A maiúscula é o marcador que distingue o nome próprio do nome comum. Correta porque capta a função semântica da maiúscula no contexto.

Conclusão: a questão testa a compreensão do valor semântico da maiúscula. A alternativa E é a única que reconhece que a maiúscula transforma a palavra em nome próprio, afastando-a do sentido comum. As demais ou confundem com ênfase, ou erram a classe gramatical, ou justificam incorretamente a obrigatoriedade.

Gabarito: letra E

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