Questão de Português — Orações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas... — INSTITUTO AOCP 2023
- Código
- qq971973
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MA
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- AConcessão.
- BLugar.
- CCausa.
- DOposição.
- EAdição.
GabaritoE — Adição.
Gabarito: letra E. A relação sintático-semântica entre as orações “Sento, levanto, sento novamente, dou voltas só de meias dentro do cubículo de metal” é de adição, pois todas as orações são coordenadas assindéticas (ligadas apenas por vírgula, sem conjunção) e expressam ações que se somam umas às outras, descrevendo a sequência de movimentos do narrador. Como se lê no trecho, as ações são enumeradas em cadeia, sem qualquer relação de concessão, lugar, causa ou oposição.
A questão pede que se identifique a relação sintático-semântica entre as orações do período. Isso significa que devemos analisar tanto a estrutura sintática (como as orações se ligam) quanto o sentido que essa ligação estabelece. O comando não pede uma interpretação subjetiva, mas a classificação da relação entre as orações, o que exige conhecimento de orações coordenadas e seus valores semânticos.
O trecho analisado está no 4º parágrafo do texto, quando o narrador descreve seu comportamento enquanto está preso no elevador: “Sento, levanto, sento novamente, dou voltas só de meias dentro do cubículo de metal.” Aqui, o autor enumera uma sequência de ações que pratica, todas com o mesmo sujeito (“eu” implícito) e no mesmo tempo verbal (presente do indicativo). A vírgula é o único elemento que as separa, sem nenhuma conjunção coordenativa explícita.
O período é formado por quatro orações coordenadas assindéticas: “Sento”, “levanto”, “sento novamente”, “dou voltas só de meias dentro do cubículo de metal”. Cada uma tem verbo próprio e sentido completo, sendo sintaticamente independentes entre si. Como não há conjunção, a relação semântica é inferida pelo contexto: as ações são somadas, acumuladas, formando uma sequência de atitudes do narrador. Essa é a essência da oração coordenada aditiva: expressar soma, acréscimo de informações. Mesmo sem a conjunção “e”, o valor aditivo está presente, pois as orações poderiam ser reescritas com ela: “Sento e levanto e sento novamente e dou voltas...”.
Quando não há conjunção entre orações coordenadas, teste mentalmente qual conjunção poderia ser inserida sem alterar o sentido. Se couber “e”, é adição; se couber “mas”, é oposição; se couber “ou”, é alternância.
A concessão é uma relação de subordinação, expressa por conjunções como “embora”, “ainda que”, “apesar de”, e indica uma ideia que se contrapõe à principal sem impedi-la. No trecho, não há nenhuma conjunção concessiva nem uma relação de contraste entre as ações. O narrador simplesmente enumera o que faz, sem ressalvas. A alternativa extrapola ao atribuir uma relação que não existe no texto.
Lugar não é uma relação sintático-semântica entre orações, mas uma circunstância expressa por adjuntos adverbiais (como “dentro do cubículo de metal”, que indica onde as ações ocorrem). A alternativa confunde o valor do adjunto adverbial de lugar com a relação entre as orações. A pergunta é sobre a relação entre as orações, não sobre a circunstância de uma delas.
A causa é uma relação em que uma oração expressa o motivo de outra, introduzida por conjunções como “porque”, “já que”, “visto que”. No trecho, as ações não são causa umas das outras; elas são apenas ações sequenciais e independentes. A alternativa contradiz a estrutura do período, que não apresenta nenhuma relação de causalidade.
A oposição é a relação típica das orações coordenadas adversativas, introduzidas por “mas”, “porém”, “contudo”. No trecho, não há contraste, quebra de expectativa ou compensação entre as ações. O narrador não diz algo como “sento, mas levanto”; ele apenas soma ações. A alternativa troca o conceito ao confundir adição com oposição.
A relação é de adição. As orações são coordenadas assindéticas que expressam soma de ações: o narrador senta, levanta, senta novamente e dá voltas. Todas as ações são acumuladas, sem qualquer relação de concessão, lugar, causa ou oposição. A prova está na possibilidade de inserir a conjunção aditiva “e” entre elas sem alterar o sentido: “Sento e levanto e sento novamente e dou voltas...”.
A banca oferece relações que não se aplicam ao trecho (concessão, causa, oposição) e uma circunstância (lugar) para confundir o candidato. A chave é reconhecer que a ausência de conjunção não elimina o valor aditivo, que é o sentido predominante da enumeração de ações.
Gabarito: letra E. A relação entre as orações é de adição, pois todas as ações são somadas, caracterizando orações coordenadas assindéticas aditivas.
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