Questão de Português — Tipologia Textual — INSTITUTO AOCP 2023
- Código
- qq971977
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MA
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- Ainjuntivo.
- Bexpositivo.
- Cdescritivo.
- Dnarrativo.
- Eargumentativo.
GabaritoD — narrativo.
Gabarito: letra D. O texto “O que vivi ao ficar preso no elevador” organiza-se a partir do modo narrativo, pois relata uma sequência de acontecimentos vividos pelo narrador em 1ª pessoa, com progressão temporal clara — do momento em que entra no elevador até o resgate. Como se lê no 1º parágrafo: “As portas do elevador estacionado no térreo já se fechavam quando, numa corrida rápida, coloco o braço no rumo do sensor a tempo de fazê-las reabrirem.” A sucessão de ações (“Entro”, “Espero”, “Desato a tocar o interfone”, “Sento, levanto, sento novamente”) e o uso de verbos no pretérito (“parou”, “se passam”, “abre”, “encontra”) são marcas típicas da narração.
A questão pede que você reconheça a tipologia textual que estrutura o texto. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de classificar o texto pela intenção predominante do autor. No caso, a intenção é relatar uma experiência pessoal — e relatar é a função do texto narrativo. Lembre-se: um texto pode apresentar traços de mais de um tipo, mas a questão quer o modo que prevalece.
O texto é uma crônica em 1ª pessoa: o narrador conta o que aconteceu com ele ao ficar preso no elevador. Há personagem (o narrador), espaço (o elevador), tempo (o intervalo de 1h50min) e enredo (entrada no elevador, pane, tentativa de contato, resgate). A progressão temporal é evidente: “As portas... já se fechavam quando... Entro... O elevador parou... Espero... Desato a tocar o interfone... Exatos uma hora e cinquenta minutos se passam até que um funcionário abre a porta”. Essa sequência de ações encadeadas é a essência da narração.
A narração caracteriza-se por ações em sequência temporal, com verbos de ação no pretérito e presença de narrador. A descrição é estática: caracteriza pessoas, objetos ou ambientes, sem progressão temporal, com abundância de adjetivos e verbos de estado. A exposição (dissertativo-expositivo) informa ou explica um tema de forma impessoal, sem defender tese. A injunção instrui o leitor a fazer algo, com verbos no imperativo. A argumentação defende um ponto de vista com argumentos para convencer.
No texto, há pequenos trechos descritivos (ex.: “o cubículo de metal”, “me encontra no chão abraçado às minhas pernas”), mas eles estão a serviço da narração — servem para ambientar a história, não são o objetivo do texto. Não há instruções ao leitor, não há tese a defender, não há explicação impessoal de um conceito. O objetivo é contar o que aconteceu.
O modo injuntivo tem como finalidade instruir, orientar, prescrever procedimentos, com verbos no imperativo (ex.: “aperte o botão”, “siga as instruções”). O texto não dá nenhuma instrução ao leitor; ele apenas relata uma experiência. Não há verbos no imperativo com função de comando. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma finalidade que ele não tem.
O modo expositivo (dissertativo-expositivo) visa informar ou explicar um tema de forma impessoal, com neutralidade e dados objetivos. O texto é subjetivo, em 1ª pessoa, e não tem a finalidade de explicar conceitos — a menção à etimologia de “claustrofobia” é apenas um parêntese dentro da narrativa, não o objetivo do texto. A alternativa tangencia o texto: fala de um tipo textual que não é o predominante.
O modo descritivo caracteriza-se por pormenorizar pessoas, objetos, ambientes ou situações, sem progressão temporal, com verbos de estado e adjetivação. Embora o texto contenha alguns trechos descritivos (ex.: “o cubículo de metal”, “me encontra no chão abraçado às minhas pernas”), eles são secundários e estão integrados à narração. O texto não é uma “fotografia” estática; ele avança no tempo. A alternativa restringe o texto a um aspecto acessório, ignorando a predominância da ação.
O texto é narrativo porque relata uma sequência de acontecimentos com progressão temporal, personagem (o narrador), espaço (o elevador) e tempo (1h50min). Os verbos no pretérito (“parou”, “se passam”, “abre”, “encontra”) e a sucessão de ações (“Entro”, “Espero”, “Desato a tocar o interfone”, “Sento, levanto, sento novamente”) são marcas inequívocas da narração. O título já anuncia: “O que vivi ao ficar preso no elevador” — um relato de experiência.
O modo argumentativo tem como finalidade convencer o leitor de uma tese, com argumentos e contra-argumentos. O texto não defende nenhum ponto de vista; ele apenas conta uma história pessoal. Não há tese, não há argumentação, não há intenção persuasiva. A alternativa contradiz a natureza do texto, que é essencialmente narrativa.
A banca oferece tipos textuais que aparecem como traços secundários (descrição, exposição) para confundir. A chave é identificar a intenção predominante: relatar uma experiência = narrar.
Ao identificar a tipologia, pergunte: “qual é a intenção principal do autor?” Se ele conta uma história com começo, meio e fim, é narração. Se ele descreve sem avanço temporal, é descrição. Se ele instrui, é injunção. Se ele defende uma ideia, é argumentação.
Gabarito: letra D — o texto se organiza a partir do modo narrativo.
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