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Questão de Português — Tipologia Textual — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsTipologia Textual
Código
qq971977
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MA
Ano
2023
Nível
Médio
O QUE VIVI AO FICAR PRESO NO ELEVADOR
Por Ton Paulo – 20 novembro 2019

          As portas do elevador estacionado no térreo já se fechavam quando, numa corrida rápida, coloco o braço no rumo do sensor a tempo de fazê-las reabrirem. Entro ainda ofegante no cubículo vazio, não sem antes soltar um “que sorte!” em voz baixa.

          Sou apaixonado por elevadores vazios. O intervalo do térreo até o andar escolhido é sempre o momento oportuno do dia para dar uma ajeitada no cabelo no espelho, olhar as mensagens ainda não visualizadas e respirar. Mas não hoje.

          O elevador parou no meu andar, o 25º, mas as portas não se abriram. Espero, estranhando o delay, e nada. Alguns instantes depois, o ventilador de teto para. Era isso: eu estava preso em um elevador enguiçado.

          Desato a tocar o interfone, mas, no lugar de uma voz humana, só recebo uma luzinha que pisca insistentemente. Do nada, me vem a palavra “claustrofobia” – do latim, claustro phobos: medo de lugares fechados. Eu não tinha aquilo, mas sentia que meus pulmões já puxavam o ar de maneira irregular.

          Sento, levanto, sento novamente, dou voltas só de meias dentro do cubículo de metal. Exatos uma hora e cinquenta minutos se passam até que um funcionário abre a porta, com o elevador já no térreo e me encontra no chão abraçado às minhas pernas. Ainda um pouco trêmulo e puxando o ar com força, caminho até a recepcionista: “Onde ficam as escadas mesmo?”


Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/oque-vivi-ao-ficar-preso-no-elevador-221327/. Acesso em: 20 maio 2023. 
O texto “O que vivi ao ficar preso no elevador” se organiza a partir do modo
  1. Ainjuntivo.
  2. Bexpositivo.
  3. Cdescritivo.
  4. Dnarrativo.
  5. Eargumentativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — narrativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o texto é predominantemente narrativo

Gabarito: letra D. O texto “O que vivi ao ficar preso no elevador” organiza-se a partir do modo narrativo, pois relata uma sequência de acontecimentos vividos pelo narrador em 1ª pessoa, com progressão temporal clara — do momento em que entra no elevador até o resgate. Como se lê no 1º parágrafo: “As portas do elevador estacionado no térreo já se fechavam quando, numa corrida rápida, coloco o braço no rumo do sensor a tempo de fazê-las reabrirem.” A sucessão de ações (“Entro”, “Espero”, “Desato a tocar o interfone”, “Sento, levanto, sento novamente”) e o uso de verbos no pretérito (“parou”, “se passam”, “abre”, “encontra”) são marcas típicas da narração.

O comando: identificar o modo de organização predominante

A questão pede que você reconheça a tipologia textual que estrutura o texto. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de classificar o texto pela intenção predominante do autor. No caso, a intenção é relatar uma experiência pessoal — e relatar é a função do texto narrativo. Lembre-se: um texto pode apresentar traços de mais de um tipo, mas a questão quer o modo que prevalece.

O texto: uma crônica de experiência pessoal

O texto é uma crônica em 1ª pessoa: o narrador conta o que aconteceu com ele ao ficar preso no elevador. Há personagem (o narrador), espaço (o elevador), tempo (o intervalo de 1h50min) e enredo (entrada no elevador, pane, tentativa de contato, resgate). A progressão temporal é evidente: “As portas... já se fechavam quando... Entro... O elevador parou... Espero... Desato a tocar o interfone... Exatos uma hora e cinquenta minutos se passam até que um funcionário abre a porta”. Essa sequência de ações encadeadas é a essência da narração.

A técnica: como distinguir narração de descrição, exposição, injunção e argumentação

A narração caracteriza-se por ações em sequência temporal, com verbos de ação no pretérito e presença de narrador. A descrição é estática: caracteriza pessoas, objetos ou ambientes, sem progressão temporal, com abundância de adjetivos e verbos de estado. A exposição (dissertativo-expositivo) informa ou explica um tema de forma impessoal, sem defender tese. A injunção instrui o leitor a fazer algo, com verbos no imperativo. A argumentação defende um ponto de vista com argumentos para convencer.

No texto, há pequenos trechos descritivos (ex.: “o cubículo de metal”, “me encontra no chão abraçado às minhas pernas”), mas eles estão a serviço da narração — servem para ambientar a história, não são o objetivo do texto. Não há instruções ao leitor, não há tese a defender, não há explicação impessoal de um conceito. O objetivo é contar o que aconteceu.

Análise das alternativas

1Narração
Ações em sequência temporal
Verbos de ação no pretérito
Personagem, espaço, tempo, enredo
2Descrição
Estática, sem progressão temporal
Adjetivos e verbos de estado
3Exposição
Informa/explica de forma impessoal
Sem tese a defender
4Injunção
Instrui o leitor
Verbos no imperativo
5Argumentação
Defende ponto de vista
Busca convencer
Tipologia textual
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Tipologia textual: Narração (Ações em sequência temporal, Verbos de ação no pretérito, Personagem, espaço, tempo, enredo); Descrição (Estática, sem progressão temporal, Adjetivos e verbos de estado); Exposição (Informa/explica de forma impessoal, Sem tese a defender); Injunção (Instrui o leitor, Verbos no imperativo); Argumentação (Defende ponto de vista, Busca convencer)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O modo injuntivo tem como finalidade instruir, orientar, prescrever procedimentos, com verbos no imperativo (ex.: “aperte o botão”, “siga as instruções”). O texto não dá nenhuma instrução ao leitor; ele apenas relata uma experiência. Não há verbos no imperativo com função de comando. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma finalidade que ele não tem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O modo expositivo (dissertativo-expositivo) visa informar ou explicar um tema de forma impessoal, com neutralidade e dados objetivos. O texto é subjetivo, em 1ª pessoa, e não tem a finalidade de explicar conceitos — a menção à etimologia de “claustrofobia” é apenas um parêntese dentro da narrativa, não o objetivo do texto. A alternativa tangencia o texto: fala de um tipo textual que não é o predominante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O modo descritivo caracteriza-se por pormenorizar pessoas, objetos, ambientes ou situações, sem progressão temporal, com verbos de estado e adjetivação. Embora o texto contenha alguns trechos descritivos (ex.: “o cubículo de metal”, “me encontra no chão abraçado às minhas pernas”), eles são secundários e estão integrados à narração. O texto não é uma “fotografia” estática; ele avança no tempo. A alternativa restringe o texto a um aspecto acessório, ignorando a predominância da ação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto é narrativo porque relata uma sequência de acontecimentos com progressão temporal, personagem (o narrador), espaço (o elevador) e tempo (1h50min). Os verbos no pretérito (“parou”, “se passam”, “abre”, “encontra”) e a sucessão de ações (“Entro”, “Espero”, “Desato a tocar o interfone”, “Sento, levanto, sento novamente”) são marcas inequívocas da narração. O título já anuncia: “O que vivi ao ficar preso no elevador” — um relato de experiência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O modo argumentativo tem como finalidade convencer o leitor de uma tese, com argumentos e contra-argumentos. O texto não defende nenhum ponto de vista; ele apenas conta uma história pessoal. Não há tese, não há argumentação, não há intenção persuasiva. A alternativa contradiz a natureza do texto, que é essencialmente narrativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece tipos textuais que aparecem como traços secundários (descrição, exposição) para confundir. A chave é identificar a intenção predominante: relatar uma experiência = narrar.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a tipologia, pergunte: “qual é a intenção principal do autor?” Se ele conta uma história com começo, meio e fim, é narração. Se ele descreve sem avanço temporal, é descrição. Se ele instrui, é injunção. Se ele defende uma ideia, é argumentação.

Gabarito: letra D — o texto se organiza a partir do modo narrativo.

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