Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2023
- Código
- qq972012
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MA
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- ASinonímia.
- BAntonímia.
- CParonímia
- DHomonímia.
- EPolissemia.
GabaritoE — Polissemia.
Gabarito: letra E. A relação semântica que constrói o jogo linguístico em "Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados" é a polissemia, pois a mesma palavra "tempo" é empregada com dois sentidos diferentes no mesmo enunciado: "o tempo" (clima, condições meteorológicas) e "um tempo" (período, intervalo de duração). A passagem que ancora essa leitura é o trecho final do texto, em que o autor brinca com os múltiplos significados da palavra para fechar sua reflexão sobre a crise climática.
O comando da questão pede que se identifique a relação semântica que sustenta o jogo de palavras. Não se trata de compreensão literal nem de inferência: é uma questão de semântica lexical — o candidato precisa reconhecer o fenômeno linguístico (polissemia, sinonímia, antonímia, paronímia ou homonímia) que explica por que a mesma palavra pode assumir sentidos distintos no contexto. A chave está em perceber que "tempo" não é uma palavra diferente para cada sentido (o que seria homonímia), mas uma única palavra que, por extensão de sentido, acumula vários significados — exatamente a definição de polissemia.
No texto, o autor discorre sobre o verão atípico, as mudanças climáticas e o recuo do mar. Na frase final, ele explora a ambiguidade da palavra "tempo":
"Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados."
Aqui, "o tempo" refere-se ao clima (o tempo meteorológico, que está "desajustado"); "um tempo" significa um período, uma pausa (dar um tempo); e "nestes tempos" remete à época atual, à era em que vivemos. Três acepções da mesma palavra, todas derivadas de um núcleo semântico comum (a noção de duração/ocorrência), o que caracteriza a polissemia. O jogo é intencional: o autor aproveita a multiplicidade de sentidos para criar um efeito de sentido irônico e reflexivo.
A distinção entre polissemia e homonímia é o ponto central da questão. A polissemia ocorre quando uma mesma palavra (mesma origem, mesmo significante) desenvolve vários significados relacionados entre si — como "tempo" (clima, período, época), "manga" (fruta, parte da camisa), "cabo" (extremidade, posto militar). A homonímia, por sua vez, ocorre quando palavras diferentes (origens distintas) coincidem na forma — como "são" (verbo ser, santo, sadio), "cesto" e "sexto". No caso de "tempo", não há palavras distintas: é a mesma palavra com sentidos ampliados, logo, polissemia.
A banca AOCP adora cobrar essa distinção, e a pegadinha clássica é atrair o candidato para "homonímia", já que ambas envolvem uma mesma forma com sentidos diferentes. O critério decisivo é a origem etimológica: na polissemia, há um único vocábulo com sentidos derivados; na homonímia, há vocábulos distintos que coincidem na forma. Como "tempo" vem do latim tempus e todos os sentidos derivam dessa mesma raiz, trata-se de polissemia.
A sinonímia é a relação entre palavras diferentes que possuem significados iguais ou semelhantes (ex.: "casa" e "moradia"). No trecho, não há duas palavras diferentes com o mesmo sentido; há a mesma palavra com sentidos diferentes. A alternativa confunde o fenômeno: não há sinônimos em jogo, e sim uma única palavra polissêmica.
A antonímia é a relação entre palavras de sentidos opostos (ex.: "bom" e "mau", "quente" e "frio"). No trecho, "tempo" não se opõe a si mesmo; os sentidos de "clima", "período" e "época" não são antônimos entre si. A alternativa falha ao tentar enquadrar o jogo como uma oposição de significados, o que não ocorre.
A paronímia é a relação entre palavras parecidas na forma (grafia ou pronúncia) mas com significados diferentes (ex.: "descriminar" e "discriminar", "emergir" e "imergir"). No trecho, não há duas palavras parecidas; há a mesma palavra repetida. A alternativa confunde o fenômeno: paronímia exige palavras distintas, o que não é o caso.
A homonímia é a relação entre palavras diferentes (origens distintas) que coincidem na forma (ex.: "são" — verbo ser, santo, sadio). Embora pareça semelhante à polissemia, a diferença crucial é a origem: na homonímia, há vocábulos distintos que coincidem; na polissemia, há um único vocábulo com sentidos derivados. "Tempo" vem de uma única raiz latina (tempus), e todos os sentidos derivam dela — logo, é polissemia, não homonímia. Esta é a pegadinha central da questão: a banca sabe que o candidato confunde os dois conceitos e arma a alternativa D para atrair quem não domina a distinção.
A polissemia é a propriedade de uma mesma palavra apresentar vários significados relacionados entre si. No trecho, "tempo" é usado com pelo menos três acepções: clima ("o tempo também precisa"), período/pausa ("um tempo para se ajustar") e época ("nestes tempos desajustados"). Todas derivam do mesmo vocábulo, o que configura polissemia. O jogo linguístico mencionado no enunciado é exatamente essa exploração dos múltiplos sentidos de uma única palavra.
Para diferenciar polissemia de homonímia, pergunte: "os sentidos vêm da mesma palavra ou de palavras diferentes?" Se vierem da mesma palavra (mesma origem), é polissemia; se forem palavras distintas que coincidem na forma, é homonímia. No caso de "tempo", todos os sentidos vêm do latim tempus — polissemia.
Gabarito: letra E. A questão testa a capacidade de reconhecer a polissemia como fenômeno em que uma única palavra acumula sentidos relacionados, e a pegadinha está em confundi-la com a homonímia. Dominar essa distinção é essencial para questões de semântica em concursos.
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