Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia
Código
vu041534
Banca
VUNESP
Órgão
ESEF - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Contador
Leia o texto, para responder a questão.

Ah, os orgulhosos computadores

    A cada dia que passa, os computadores devoram mais tarefas. No início, eram folha de pagamento, contabilidade e estatística. Sucesso estrondoso, por ser mais perfeito, mais barato e eliminar o trabalho monótono. Mas certas tarefas permanecem inatingíveis: devo me casar com a Mariquinha? É resposta que nem mesmo a inteligência artificial consegue dar.
    Para achar imóveis, a internet é imbatível. Mas, buscando um apartamento para alugar, vivi as agruras de uma imobiliária que migrou a burocracia para seus orgulhosos computadores. No meu caso, ela se atrapalhou. São três empresas encadeadas. Onde estão as portas de entrada?
    Foram muitos dias e mais de cinquenta e-mails, esgrimindo com uma informática misteriosa e tripulada por humanos que não usam o dom da voz ou da inteligência. Muito menos o da cortesia. O veredicto foi sumariado pela lapidar frase (via e-mail): “O seu cadastro não foi aprovado, tá?”
    Inovadores pagam o preço dos erros. Mas será que eu também o tenho de pagar? Fui vitimado pela combinação de informática velha – com sites que travam e labirintos misteriosos – com um algoritmo novo que se perdeu na complexidade do meu caso, que não é tanta. Ao reduzir o papel dos humanos, o computador fica à mercê de algum programador simplório, perdido por aí. Pobres das cobaias que sofrem com os titubeios dos computadores.
    Imagino que a empresa do futuro conseguirá manejar situações simples e lidará bem com as suas falhas humanas e informáticas – que se atrapalham entre si. A inteligência artificial avança, pela via de uma longa curva de aprendizado com os humanos. Mas, se os humanos são burros ou bobões, mais tempo isso levará. É a regra do jogo.

(Claudio de Moura Castro. Veja, 16.10.2019. Adaptado)
Em quatro dos cinco parágrafos, o autor emprega a conjunção “mas” (destacada no texto). É correto afirmar que essa conjunção articula ideias, estabelecendo entre elas relação de sentido de
  1. Aconclusão.
  2. Bconsequência.
  3. Cconcessão.
  4. Dcausa.
  5. Econtraste.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — contraste.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção "mas" — valor semântico de contraste

Gabarito: letra E. A conjunção "mas" estabelece entre as ideias uma relação de contraste (oposição), como ocorre nos quatro parágrafos em que é empregada no texto. Exemplo: no primeiro parágrafo, após elogiar os computadores, o autor diz: "Mas certas tarefas permanecem inatingíveis" — a conjunção opõe o sucesso anterior às limitações. Essa mesma função adversativa se repete nos demais parágrafos.

O "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, que liga dois termos ou orações indicando uma ideia contrária ou de compensação. No texto, sempre introduz uma quebra de expectativa em relação ao que foi dito antes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Conclusão. "Mas" não conclui; quem conclui são conjunções como "portanto", "logo", "assim". A ideia de conclusão não se sustenta em nenhum dos trechos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Consequência. A consequência é expressa por conectivos como "por isso", "de modo que". "Mas" não indica resultado, e sim oposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Concessão. Concessão ("embora", "ainda que") admite um fato contrário sem invalidar a ideia principal. "Mas" é adversativo puro: cria uma oposição direta, sem o matiz de ressalva típico da concessão. Exemplo: "Ele é rico, mas infeliz" (oposição) vs. "Embora seja rico, é infeliz" (concessão).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Causa. A causa é introduzida por "porque", "já que", "visto que". "Mas" nunca tem valor causal; sua função é opor ideias.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Contraste. Em todas as ocorrências do texto, "mas" opõe duas ideias: sucesso dos computadores × limitações; internet imbatível × problemas na burocracia; inovadores erram × dúvida sobre pagar o preço; esperança no futuro × bobice humana. Perfeitamente enquadrado no valor de contraste.

NÃO CAIA NESSA!

Confundir "mas" (adversativo) com "embora" (concessivo). Embora ambos expressem oposição, "mas" é coordenativo e estabelece contraste direto; "embora" é subordinativo e introduz uma ressalva. A banca testa o reconhecimento do valor semântico básico.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/vu041534