Questão de Português — Coesão e coerência — VUNESP 2019
Português›Coesão e coerência
Código
vu041714
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Auxiliar de Escrita
Durante a Guerra do Golfo, as televisões do mundo inteiro exibiram duas imagens de forte impacto: uma delas mostrava incubadoras desligadas pelos iraquianos, com crianças
prematuras kwaitianas mortas; outra, pássaros sujos de petróleo por uma maré negra provocada também pelos iraquianos. Ambas as imagens eram falsas. As incubadoras eram
uma montagem. A maré negra era real, mas tinha acontecido
a milhares de quilômetros dos “cruéis” iraquianos.
Como nos defender de tudo isso? Simplesmente obtendo informações em outras fontes. Quantos livros você leu
no ano que passou? Informativos e formativos? E literatura? Quando falo em literatura, não estou me referindo aos
best-sellers, mas aos clássicos. Você já leu Shakespeare,
Thomas Mann, Goethe, Machado de Assis? Parece uma tarefa difícil, mas não é. Hamlet, de Shakespeare, por exemplo,
é uma peça de teatro que se lê em dois dias! E quanta coisa
se aprende sobre a alma humana!
(Antônio Suárez Abreu. A arte de argumentar.
São Paulo, Ateliê Editorial, 2009. Adaptado)
No contexto, o pronome isso, em destaque no segundo parágrafo, faz referência
Aà disputa por poder que explica o surgimento dos conflitos.
Bà manipulação de informações efetuada pela mídia.
Cao impacto ambiental que é deixado pelas guerras.
Dao pouco incentivo ao desenvolvimento de hábitos de leitura.
Eao fato de os clássicos da literatura serem desvalorizados.
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GabaritoB — à manipulação de informações efetuada pela mídia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O pronome "isso" e a coesão referencial anafórica
Gabarito: letra B. No segundo parágrafo, o pronome isso retoma, por anáfora, a ideia de que as imagens exibidas pelas televisões eram falsas — ou seja, a manipulação de informações efetuada pela mídia. A pista está na pergunta retórica do autor: "Como nos defender de tudo isso?", que remete ao problema apresentado no primeiro parágrafo: as duas imagens de forte impacto eram falsas, uma montagem, a outra deslocada no espaço. A resposta do próprio texto confirma: "Simplesmente obtendo informações em outras fontes."
A questão cobra coesão referencial anafórica: o pronome demonstrativo "isso" é um elemento coesivo que retoma uma informação já mencionada, evitando repetição. Para resolver, basta localizar o antecedente — e ele está no parágrafo anterior, não em temas paralelos como leitura ou meio ambiente.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "disputa por poder que explica o surgimento dos conflitos". O texto não menciona nenhuma disputa por poder nem explica a origem da Guerra do Golfo. É uma extrapolação — o leitor traz conhecimento de mundo sobre guerras, mas o texto não autoriza essa leitura. O "isso" não se refere a isso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O pronome "isso" retoma a situação descrita no primeiro parágrafo: as duas imagens exibidas pelas televisões eram falsas — as incubadoras eram uma montagem e a maré negra tinha acontecido longe dos iraquianos. Veja o trecho:
"Ambas as imagens eram falsas. As incubadoras eram uma montagem. A maré negra era real, mas tinha acontecido a milhares de quilômetros dos 'cruéis' iraquianos."
A pergunta "Como nos defender de tudo isso?" usa "isso" para se referir a essa manipulação de informações — a mídia exibiu imagens falsas como se fossem verdadeiras. A resposta "obtendo informações em outras fontes" confirma: o problema é a informação manipulada, não a guerra em si.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "impacto ambiental que é deixado pelas guerras". O texto menciona a maré negra, mas o "isso" não se refere ao impacto ambiental — refere-se à falsidade das imagens. A maré negra era real, mas foi deslocada no espaço para culpar os iraquianos; o problema não é o dano ambiental, é a manipulação. É uma troca de conceito: a alternativa pega um elemento do texto (a maré negra) e o transforma no referente, ignorando o contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "pouco incentivo ao desenvolvimento de hábitos de leitura". O texto pergunta quantos livros o leitor leu, mas isso é uma proposta de solução, não o problema referido por "isso". O autor sugere a leitura como forma de se defender da manipulação, mas o pronome retoma o problema anterior, não a solução. É uma extrapolação — o leitor confunde a pergunta retórica com o referente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "fato de os clássicos da literatura serem desvalorizados". O texto menciona os clássicos, mas não diz que são desvalorizados — apenas pergunta se o leitor já os leu. O "isso" não se refere a isso; refere-se à manipulação de informações. É uma fuga ao tema: a alternativa aproveita um assunto tangente (literatura) para desviar do referente real.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que tangenciam o tema (disputa por poder, impacto ambiental, leitura) para desviar a atenção do antecedente real do pronome. A chave é localizar o antecedente — o pronome "isso" retoma a ideia imediatamente anterior, não temas paralelos.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de coesão referencial, grife o pronome e pergunte: "o que veio antes?" O antecedente está sempre no texto, geralmente no parágrafo anterior. Desconfie de alternativas que tragam conhecimento de mundo (como "disputa por poder") — o texto não autoriza.