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Questão de Português — Pontuação — VUNESP 2019

PortuguêsPontuação
Código
vu041715
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Auxiliar de Escrita

      Durante a Guerra do Golfo, as televisões do mundo inteiro exibiram duas imagens de forte impacto: uma delas mostrava incubadoras desligadas pelos iraquianos, com crianças prematuras kwaitianas mortas; outra, pássaros sujos de petróleo por uma maré negra provocada também pelos iraquianos. Ambas as imagens eram falsas. As incubadoras eram uma montagem. A maré negra era real, mas tinha acontecido a milhares de quilômetros dos “cruéis” iraquianos.

      Como nos defender de tudo isso? Simplesmente obtendo informações em outras fontes. Quantos livros você leu no ano que passou? Informativos e formativos? E literatura? Quando falo em literatura, não estou me referindo aos best-sellers, mas aos clássicos. Você já leu Shakespeare, Thomas Mann, Goethe, Machado de Assis? Parece uma tarefa difícil, mas não é. Hamlet, de Shakespeare, por exemplo, é uma peça de teatro que se lê em dois dias! E quanta coisa se aprende sobre a alma humana!

(Antônio Suárez Abreu. A arte de argumentar. São Paulo, Ateliê Editorial, 2009. Adaptado)

O uso das aspas em “cruéis”, no primeiro parágrafo, sinaliza que
  1. Ao autor acredita que os iraquianos eram mais cruéis do que o divulgado.
  2. Bos iraquianos eram cruéis com quem quer que se pusesse em seu caminho.
  3. Co autor repudia o modo como os iraquianos eram indiscriminadamente cruéis.
  4. Dos iraquianos justificaram sua crueldade por estarem passando por um período de guerra.
  5. Eo autor, com base nas duas imagens, refuta a crueldade atribuída aos iraquianos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — o autor, com base nas duas imagens, refuta a crueldade atribuída aos iraquianos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das aspas em “cruéis”: ironia e refutação

Gabarito: letra E. As aspas em “cruéis” sinalizam que o autor refuta a crueldade atribuída aos iraquianos, pois, logo antes, ele afirma que as duas imagens que os mostravam como cruéis eram falsas. Como se lê no texto:

“Ambas as imagens eram falsas. As incubadoras eram uma montagem. A maré negra era real, mas tinha acontecido a milhares de quilômetros dos ‘cruéis’ iraquianos.”

O trecho prova que o adjetivo “cruéis” é usado com valor irônico: o autor o coloca entre aspas para indicar que não concorda com a qualificação, pois os fatos que a sustentariam foram desmentidos. A ironia é o recurso que inverte o sentido: diz-se “cruéis” para justamente negar a crueldade.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola ao afirmar que o autor acredita que os iraquianos eram mais cruéis do que o divulgado. O texto faz o oposto: desmente a crueldade. Não há qualquer pista de que o autor os considere cruéis em grau maior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os iraquianos eram cruéis “com quem quer que se pusesse em seu caminho”. Isso contradiz o texto, que nega a crueldade atribuída a eles. Além disso, é uma generalização absoluta (“quem quer que”) sem apoio no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o autor repudia o modo como os iraquianos eram “indiscriminadamente cruéis”. O texto não afirma que eles eram cruéis; ao contrário, mostra que a crueldade foi falsamente atribuída. A alternativa acrescenta opinião e contradiz a tese central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que os iraquianos justificaram sua crueldade por causa da guerra. O texto não menciona qualquer justificativa; essa informação é extrapolada do contexto histórico, mas ausente do texto. Além disso, o texto nega a crueldade, não a justifica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque as aspas em “cruéis” marcam ironia, indicando que o autor refuta a crueldade atribuída aos iraquianos. O texto sustenta isso ao afirmar que as imagens eram falsas e que a maré negra “tinha acontecido a milhares de quilômetros” deles. As aspas funcionam como um distanciamento crítico: o autor não endossa o adjetivo, apenas o cita para contestá-lo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ironia — o candidato que lê “cruéis” literalmente cai nas alternativas A–D, que tratam a crueldade como fato. A chave é perceber que as aspas + a refutação anterior invertem o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver aspas em um adjetivo, pergunte: o autor concorda com esse termo ou o está contestando? Se o texto desmente a ideia, as aspas indicam ironia/refutação.

Gabarito: letra E.

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