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Questão de Português — Regência — VUNESP 2019

PortuguêsRegência
Código
vu041719
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Auxiliar de Escrita

                                      Víamos os nossos pés


      Não sou uma pessoa tropical. Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc., etc. (O verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono.)

      Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo?

      Via-se o fundo.

      Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.

      Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço.

(Luis Fernado Verissimo. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2011. Adaptado)

A expressão destacada está empregada em conformidade com a regência da norma-padrão da língua na seguinte frase:
  1. AO autor disse ter preferência pelo outono.
  2. BA areia é um dos defeitos atribuídos sobre a praia.
  3. CO cronista faz menção sob um banho de mar.
  4. DA água chegava contra ao pescoço dos banhistas.
  5. EAlguns permaneceram para a água até anoitecer.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — O autor disse ter preferência pelo outono.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência nominal e verbal

Gabarito: letra A. A única frase em que a expressão destacada segue a regência da norma-padrão é a A, pois o substantivo preferência rege a preposição por (preferência por algo), contraída com o artigo o em pelo. As demais alternativas empregam preposições inadequadas aos verbos ou nomes.

1Termo regente
Verbo
Nome (substantivo/adjetivo)
2Preposição exigida
Pela norma culta
3Casos da questão
Preferência → por (✅ A)
Atribuir → a (❌ B)
Menção → a (❌ C)
Chegar → a (❌ D)
Permanecer → em/por (❌ E)
Regência nominal e verbal
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Regência nominal e verbal: Termo regente (Verbo, Nome (substantivo/adjetivo)); Preposição exigida (Pela norma culta); Casos da questão (Preferência → por (✅ A), Atribuir → a (❌ B), Menção → a (❌ C), Chegar → a (❌ D), Permanecer → em/por (❌ E))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão preferência pelo outono está correta: o substantivo preferência exige a preposição por. Exemplo paralelo: Tenho preferência por café. Portanto, a construção está de acordo com a regência nominal padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A areia é um dos defeitos atribuídos sobre a praia."

O verbo atribuir rege a preposição a (atribuir algo a algo/alguém). O correto seria atribuídos à praia. A banca troca a preposição por sobre, o que fere a regência verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O cronista faz menção sob um banho de mar."

A locução fazer menção exige a preposição a (fazer menção a algo). O correto seria menção a um banho de mar. A preposição sob indica posição inferior, sentido incompatível.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A água chegava contra ao pescoço dos banhistas."

O verbo chegar com sentido de atingir um lugar rege a preposição a (chegar a). O correto seria chegava ao pescoço. A expressão contra ao é redundante e incorreta; contra já dispensa artigo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Alguns permaneceram para a água até anoitecer."

O verbo permanecer normalmente rege a preposição em (permanecer em algum lugar) ou por (permanecer por tempo). A ideia de estar na água exige permaneceram na água. O uso de para sugere finalidade, inadequado ao contexto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de preposições comuns em provas: atribuir (rege a), menção (rege a), chegar (rege a), permanecer (rege em). A alternativa A é a única que respeita a regência natural do termo.

Resumo: para acertar questões de regência, identifique o termo regente (verbo ou nome) e lembre-se da preposição exigida pela norma culta. A prática com verbos e nomes frequentes (preferência, atribuir, menção, chegar, permanecer) garante a resposta.

Gabarito: letra A

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